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Andorra Ultra Trail VallNord - Ronda dels Cims 2019 - Prólogo

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Even though I walk through the darkest valley, I will fear no evil, for you are with me; your rod and your staff, they comfort me. - psalm 23:4


Correr 100 milhas é absurdo? Eis aqui o verdadeiro absurdo:
“Em todos os dias de uma vida sem brilho, o tempo nos leva. Mas sempre chega a hora em que temos de levá-lo. Vivemos no futuro: ‘amanhã’, ‘mais tarde’, ‘quando você conseguir uma posição’, ‘com o tempo vai entender’. Estas inconsequências são admiráveis, porque afinal trata-se de morrer. Chega o dia em que o homem constata ou diz que tem trinta anos. […] Pertence ao tempo e reconhece seu pior inimigo nesse horror que o invade. O amanhã, ele ansiava o amanhã, quando tudo em si deveria rejeitá-lo. Essa revolta da carne é o absurdo”
- Camus, O Absurdo




Porque corro?
Está tudo na imaginação. Nada disto é real. Fazer 170 km na montanha não acrescenta nada ao meu destino. Não altera a ordem das coisas. Não gero novos universos, não salvo a humanidade, não alcanço a imortalidade. Continuo im…

Trail Costa Vicentina 2018

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As pessoas não param de me surpreender pela generosidade que colocam nos relacionamentos, e muito em particular as que partilham comigo o gosto pela corrida. Provavelmente não serão muito diferentes de outras que possuem interesses distintos, mas gosto de pensar que o exercício físico e especialmente a corrida potenciam a disponibilidade para esses relacionamentos.


(em Porto Covo, levantamento dos dorsais)


Para o passado fim de semana (20-21/out/2018) tinha programada a participação no Trail Costa Vicentina (3ª edição), que se realiza no Alentejo ligando Santiago do Cacém a Porto Covo. Anunciavam uma prova de 59 km, com relevo suave e baixa altimetria, piso regular em “estradão” onde se poderia correr facilmente o tempo todo, numa paisagem muito agradável. Uma prova “corrível” como se diz na gíria.
O plano para o fim-de-semana envolvia a saída de Lisboa no sábado à tarde, pernoitando em Santiago do Cacém. A prova começa cedo, às 8h30. Antes de partir de Lisboa, no sábado de manhã, enviei…

3º TREB (2018) Trail Run Escoteiros de Beja

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Desde a 1ª edição em 2016 que os RUN 4 FUN se associam ao TREB fazendo desta prova não só um evento desportivo como um salutar convívio. Este ano não foi excepção e a comitiva foi de qualidade: Ana Clara Melo, Ana Varejão, António Estrela, Francisco Afonso e Susana, José Carlos Melo, Paulo Raposo, Rúben Costa, Rui Faria, Sandra Simões, e Teodoro Trindade e Guida.

O TREB possui algumas características interessantes: é uma prova de trail solidária organizada pelo Grupo 234 (AEP - Associação dos Escoteiros de Portugal), possui 3 percursos de trail de diferentes distâncias com niveis de dificuldade e altimetria baixos (tem também a vertente de caminhada), e possui a singularidade de todos os anos aumentar em 1 km a distância da prova ultra. Este ano a prova de trail ultra teve 49 km.

O “nosso evento” começou sábado onde durante o jantar na Vidigueira no restaurante Cascata, em frente de uma generosa sopa de cação e de um tinto da Vidigueira, delineamos a “estrategia triunfadora” para o d…

O meu 1/2 UTSM

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Inscrevi-me no UTSM para fazer os 100 km sem grande convicção. A distância é muito grande e até agora a maior distância que tinha feito era 48km, menos de metade da UTSM e com menos desnível.

Para me motivar, o meu amigo Rúben disse que, se me arrependesse, podia pedir o downgrade para a prova de 50 quilometros. Pensei nisso algumas vezes, mas comecei a treinar para fazer a prova completa. 

Aproveitei alguns treinos sob a orientação do "Sherpa" Raposo e aumentei os acumulado semanal para 50 a 60kms. Os treinos consomem muito tempo, mas se resultarem permitem ganhar confiança e capacidade para fazer a prova com menos sofrimento. Do meu clube, Run 4 Fun, fomos 12 aos 100km. 

Comecei o programa sem muita convicção, mas fui fazendo os treinos. Até que no dia 4 de Março tive uma lesão na perna direita. Não foi muito séria, uma contractura, mas levou tempo a recuperar, reduzindo os treinos. Não parei totalmente, mas entre a paragem, e voltar ao ponto de forma onde estava passaram doi…

Le Grand Raid des Pyrénées

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Como se ultrapassa a adversidade? Onde vamos buscar as forças para persistir quando todas as fibras do nosso corpo nos ordenam que é altura de desistir?

Dizem que a fadiga é uma ficção que o cérebro engendra para ordenar ao corpo que é altura de parar, antes que algo irreparável o pare definitivamente.

Talvez a realidade seja toda ela uma ficção criada pela nossa mente. Ou então é um enredo que o nosso cérebro controi, dinâmica e interactivamente, para se conseguir orientar num mundo complexo e desprovido de um propósito independente da nossa vontade.

Há investigadores que dizem que temos um cérebro “social” composto por módulos, com diferentes funções. A comandar esses módulos (ou ser comandado por eles) poderá, ou não, existir uma identidade denominada o “eu”, o “self”, a “consciência”, ou o que lhe queiramos chamar.

A razão porque construimos percursos e prosseguimos objectivos é porque necessitamos de um ou vários propósitos que nos orientem nesta vida. Como não s…