segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

S. Silvestre dos Olivais 2012

Esta S. Silvestre dos Olivais foi especial.


Atletas Run 4 Fun - antes da corrida, 2012
Em 1º lugar pela numerosa (perto de 40 atletas), alegre e sempre bem-disposta presença dos "Run 4 Fun", uma das equipas com mais atletas na prova e a mais numerosa de sempre da nossa equipa, na S. Silvestre dos Olivais. Só para comparar, em 2008, fomos 3 participantes.

Atletas Run 4 Fun - 2008
Depois, pela participação dos que não correram, mas fotografaram, acompanharam e incentivaram os companheiros, Alfredo Falcão, César Moreira, Gerardo Atienza, Jorge Duarte Pinheiro e família, Manuela Cruz, o filho do João Pedro Palmela, família do Vasco Pipa e certamente mais alguns que, peço desculpa, não recordar agora.

Em seguida, pela nossa simpática prestação, 19º lugar por equipas, António Cruz, António Arede, Maria João Lopes e José Carlos Melo, num total de 69 equipas Pela brilhante classificação em 6º lugar feminino e 5º lugar do escalão, da Maria João Lopes a estrear-se com a  nossa camisola e pelo facto de todos termos acabado a prova bem e preparados para a próxima, para uns quantos, já hoje na Amadora.

A temperatura estava boa para correr, embora fizesse um pouco de frio no final. Parabéns à organização pela bela ideia de oferecer um gorro em "polar" que serviu ás mil maravilhas para "cortar" o frio que estava. E foram muitos os que o usaram , como se pode ver na foto!

Houve maior animação na rua do que é costume e ao passar por um grupo de jovens, já na parte final  e ter gritado "Bom Ano" para eles, houve um que respondeu: "é a 1º pessoa que me deseja Bom Ano". Fiquei satisfeito pois não custa nada e é tão fácil fazer as pessoas ficarem contentes. Quando os atletas incentivam os espetadores, estes quase sempre respondem, com alegria. Aprendi isto com a Joaquina Flores uma extraordinária atleta, campeã mundial de veteranas, já acima dos 70 e que é, ela própria, um autêntico espetáculo na forma como anima os espetadores. Quando passarem hoje, na Amadora, por um grupo de espetadores que estejam calados, experimentem levantar os braços e  desejar-lhes "Bom Ano". Certamente que vão ter boas respostas.


Após a corrida - os gorros tiveram sucesso

Para mim, esta corrida teve um sabor especial pois fez precisamente 20 anos que fiz a minha 1ª corrida, precisamente na S. Silvestre dos Olivais, no já "longínquo" ano de 1992. Lembro-me que dediquei pessoalmente essa corrida ao nosso extraordinário campeão olímpico  Carlos Lopes, que foi o "padrinho" dessa edição e lá esteve presente, o qual foi muito amável no seu incentivo à minha participação.

E pronto, está feito mais um ano de corridas, com votos de boa prova para a sempre excelente S. Silvestre da Amadora, a mais participada prova em termos de público que conheço em Portugal.

Votos de Feliz Ano de 2013, que seja melhor do que o de 2012.

Runabraços

sábado, 29 de dezembro de 2012

S. Silvestre Lisboa - grande prova!!

Boa disposição e alegria por ir fazer mais uma corrida - foto Sandra Simões

Grande prova hoje, talvez a mais participada de sempre, em Lisboa. Acabaram  4.559 atletas na prova dos 10 km. O nosso clube teve  mais de de 50 atletas classificados, cerca de 1% dos "finishers".

Grande convívio e "mancha laranja"  junto à loja dos CTT antes da partida e depois, durante  a corrida, os tradicionais incentivos Run 4 Fun aos nossos atletas e também de alguns companheiros que não correram mas não deixaram de estar presentes, como o António Pedro Mata  ou o Bruno Lencastre.

Os mais rápidos foram os habituais: Luís Matos Ferreira, min. 38, Carlos Martins, min 39, António Arede e António Cruz min. 41 e José Carlos Melo min. 42. E mais uma série de grandes tempos, com mais alguns PBT´s atirados para a "história".

Tivemos uma dúzia de meninas classificadas, as mais rápidas das quais foram a  Luísa Ralha e a Mónica Miguéis, exatamente com o mesmo tempo, a  Margarida Gonçalves com um rápido sprint final, a Joana Peralta e a Patrícia Calado em grande forma, a Sandra Simões, a Carla Matos  e a  Rita Felizol, a Fernandinha cada vez mais rápida, a Helena Telino e a Maria Martins na sua estreia em corridas, ambas na companhia do nosso  novel maratonista Paulo Martins, e finalmente a nossa fundadora e grande companheira, a Manuela Cruz, sempre na companhia e com o apoio do Paulo Fernandes.

O Bruno Silva levou o filho Manuel que fez uma grande prova e teve a saudá-lo, na meta os dois irmãos mais novos, entusiasmados com o feito do mais velho.  O Rui Raposo levou os dois sobrinhos, o Bernardo e o Guilherme e o Eduardo Correia levou o filho mais velho, o Bernardo, grande benfiquista, mas com uns ténis verdes, oferta da mãe, a Sandra Correia :) ehehhehe..). O Guilherme Oliveira Martins correu pela 1ª vez com a "laranjinha, cortesia do  Nuno Sentieiro Marques.

Deu ainda para rever alguns dos nossos "históricos" como o Filipe Leitão que chegou atrasado, o João Paulo Góis Gomes, agora mais concentrado no triatlo e o Paulo Curto de Sousa, a começar a  sua "preparação mental" para a maratona.

Só ficam a faltar as fotos!!

E amanhã, é nos Olivais!!

Runabraços


A ultra maratona e o corredor...desafio?obstinação?

"Vómito, alucinações, sangue...Porque será que alguém no seu perfeito juízo correrá a Spartathlon?"

(The Economist, December 22, 2012)

De Atenas a Esparta, 245 km (sim, quase seis maratonas consecutivas...) em 36 horas (tempo máximo).

Nas pegadas do mais famoso maratonista da História, Filipíades, que no ano 490 A.C. fez a viagem, correndo desde Atenas, para ir solicitar ajuda aos Espartanos visando combater os persas. Conta o historiador Herodotus que o nosso primeiro maratonista da História terá chegado a Esparta no dia seguinte ao ter saído de Atenas.

A Spartathon moderna começa por iniciativa de John Foden, um oficial da Força Aérea Britânica e um corredor amador de longas distâncias. Depois de ter feito a distância em 1982 com quatro outros amigos, lançou-se na empreitada de organizar a primeira prova da era moderna, em 1983.

Trinta e seis horas de tempo máximo...com setenta e cinco pontos de fiscalização ao longo do percurso, cada um deles com um tempo limite....

Trezentos e dez atletas iniciaram a prova este ano...menos de 100 acabaram...a distância, o calor grego (sem Setembro) durante o dia, a quebra abrupta de temperatura durante a noite, uma ultrapassagem de montanha com mais de 1.200 metros de altitude, em plena noite...e acima de tudo o relógio e os míticos 75 pontos de "controlo"...

Para todos os que vão a Ronda ou a Portalegre este ano, testar as suas capacidades mentais e físicas, em 100 km, aqui fica um repto...

Runbraços
Paulo Marcos

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

24ª S. Silvestre dos Olivais, 2012 - informações


Será no Domingo com início às 21:00 horas, junto à Sede da Junta de Freguesia. Os dorsais só poderão ser levantados no dia da corrida, a partir das 18:30.

Como se  trata do meu bairro eu farei o levantamento de todos os dorsais e entregarei aos nossos atletas. Vejam lá não se atrasem muito. A partir das 20:50 os dorsais remanescentes serão entregues de volta  à organização, para eventual entrega aos retardatários.

Nesta prova não existem as "amenidades" da S. Silvestre de Lisboa ( o orçamento é mais baixo) mas é uma prova bem simpática, muito para mim, pois foi a 1ª prova popular que fiz, julgo que no ano de 1992, passam agora 20 anos.

S. Silvestre Olivais 2012, atletas Run 4 Fun + Vera Cadela
No ano passado estiveram, pelo menos, os atletas na foto, tirando os que entretanto já tinham ido embora.

Este ano esperamos ter mais alguns!!!

Runabraços

S. Silvestre de Lisboa 2012 - informações

Realizam-se, amanhã, Sábado 29, com partida pelas 17:30  a corrida principal de 10 km e a Mini de 5 km. Mais informações podem ser consultadas aqui.

O ponto de encontro Run 4 Fun a partir das 16:30, será em frente da loja dos CTT, nos Restauradores.

Os transportes, Carris, Metro, Fertagus e CP, linhas Azambuja, Cascais e Sintra são à borla. Existirá um "bengaleiro", na tenda Asics nos Restauradores, para deixar saco e pertences.

Alguns dos atletas Run 4 Fun - S. Silvestre Lisboa 2011
Vamos fazer desta corrida mais uma grande festa "Run 4Fun"! Seremos umas dezenas de atletas a polvilhar de "laranja" as ruas de Lisboa. E não se cansem muito, pois ainda teremos,  nos dias seguintes, as S. Silvestres dos Olivais e da Amadora.

É claro que temos alguns "radicais" que já fizeram algumas S. Silvestre este ano e outros que irão fazer não uma "tripleta", não uma "quadripleta", mas uma "pentapleta" ou mesmo uma "hexapleta", ou mais!!??. Não hesitem em dizer-nos o vosso programa para  criarmos um "quadropleta" dos "silvestrianos" que  tenham feito pelo menos, três S. Silvestre este ano.

Runabraços

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ronda para maçaricos...revisitada

Agora que vários atletas do Run 4 Fun - R4F estão inscritos para Ronda, pode ser oportuno reler o que o Luís Ferreira e o Marco Gouveia escreveram sobre esta mítica prova, em meados de 2011...

Run 4 Fun - R4F: Ronda para maçaricos

Se escreverem Ronda na pesquisa do blogue, vão encontrar um texto delicioso, mas ao mesmo tempo muito realista, sobre a dureza de Ronda...

sábado, 22 de dezembro de 2012

São Silvestre do Crato - R4F a correr também no Alto Alenteja



Para quem nunca ouviu falar do Crato, antes de escrever sobre a São Silvestre e a presença dos RUN 4 FUN neste bela Vila Portuguesa, deixo-vos umas breves linhas sobre algumas características interessantes do local.

O Crato é uma vila situada na província do Alto Alentejo, distrito de Portalegre, 22 quilómetros a oeste desta cidade.

Tem uma história rica, cheia de pequenos mitos e muito antiga.

Foi fundada pelos cartagineses, há mais de 2.500 anos.
Os romanos conquistaram-na 60 anos antes de Cristo remodelando o castelo existente.

A fortaleza foi restaurada em 413 pelos Âlanos que por aqui se instalaram.
Ao tempo, já o Crato era bispado e o seu nome era Castraleuca ou Castra-Leuca que no transcurso dos séculos e por corrupção, passou a denominar-se Ucrate ou Crate e, por fim, Crato.

No ano de 582 voltou a ser tomada, sendo desta vez os Visigodos os seus novos senhores.

No ano de 706 os Mouros, no ímpeto da sua avançada vitoriosa através de toda a Península, apoderaram-se dela, ficando sobre o domínio Muçulmano durante 454 anos, até que em 1160, D. Afonso Henriques, a conquistou, para jamais deixar de ser terra portuguesa.

Episodicamente, em 1662, caiu em poder de D. João de Áustria, que lhe pôs cerco, encontrando, porém, desesperada resistência, que muito o surpreendeu e irritou.

No Crato igualmente se refugiou a rainha D. Leonor, viúva de El-Rei D. Duarte, quando em 1440 as cortes confiaram a regência ao Infante D. Pedro, durante a menoridade de D. Afonso V.

Em 1232, Mem Gonçalves, deu o primeiro foral à vila.

A história do Crato, como podem imaginar é realmente riquíssima e cheia de grandes e pequenos detalhes, interessantes de serem conhecidos.
Se passarem pelo alto Alentejo, podem sempre aproveitar e visitar, não só o Crato mas toda a zona adjacente.
Desde Flor da Rosa e Sua pousada até Alter do Chão (a coudelaria é a imagem de marca), passando por Alpalhão e a terminar em Portalegre.
Vão gostar seguramente de tudo...então a gastronomia, nem entro em detalhes (sugiro levarem o equipamento para poderem queimar bem antes e depois dos repastos J ).

Falando agora da São Silvestre do Crato.
É uma prova que já vai na sua 15º edição.


Como raio cá viemos parar durante esta época festiva?
Podíamos perfeitamente ter vindo exclusivamente fazer um passeio e participar na corrida, teria sido seguramente uma excelente opção.
Mas não, estamos por cá porque a família da Cristina é do Crato e este ano é no Crato que estamos a passar o Natal.

Como podem imaginar, estas provas em pequenas localidades, longe dos grandes centros populacionais, são acima de tudo participadas por atletas pertencentes a clubes locais.

As corridas começaram cerca das 15horas e dedicadas aos escalões mais jovens.
Era visível a sã rivalidade entre os clubes acompanhada sempre pela boa disposição e animação.

Na zona da praça principal, onde tinham inicio e fim os 1600mts do percurso da prova, a presença de público era muito agradável e os permanentes incentivos, quer aos primeiros quer aos restantes segundos eram bastante audíveis.

Tenho que salientar, além de todo o ambiente “super animado”, a fantástica organização.

Dentro do que se pode esperar numa organização amadora, COM CUSTO 0€ para os atletas, tudo correu muito bem.
Até os horários de inicio de cada prova, foram cumpridos ao detalhe.

Antes do inicio da prova principal, que começou “Britanicamente” à hora (15:50), estivemos em amena conversa com os amigos do AC de Portalegre.
Gente simpática e muito agradável que enviaram cumprimentos para os nossos companheiros com quem partilham muitos Kilometros por esses trilhos fora.
Voltaram a insistir no convite para que Eu e a Cris nos juntássemos a eles na aventura dos 30Kms entre a fronteira Portuguesa e Espanhola amanhã durante a manhã, mas Eu e a Cris, vamos fazer o nosso “longão” aqui por “casa”.
Ficou o simpático convite e a nossa promessa de para a próxima, em “terras de Lobos....ser-mos Lobos” (expressão engraçada, utilizada pelo João Carlos).

A prova principal, era composta por 4 voltas ao percurso, perfazendo os 5.8Kms anunciados.
Sem grandes subidas ou descidas, era um pequeno percurso dentro da Vila, que não apresentava grandes dificuldades.


No meio daqueles atletas federados Eu e a Cris fizemos o nosso “passeio” de uma forma divertida e permanentemente apoiados pela família e amigos de outros tempos da Cris....foram 28 minutos de muito boa onda J.

A prova terminou, aguardámos a chegada dos últimos e estivemos à conversa alguns minutos com os amigos presentes.

Já arrefeciam os ossos quando decidimos ir para casa tomar a banhoca quentinha que o corpo muito exigia.

Estávamos já a meio da “operação banho” quando um dos primos da Cris que estava ligado à organização nos ligou e informou que a Cris estava a ser chamada para receber o prémio de 3ª classificada no escalão de veteranas...fantástico.

Foi o tempo de voltar a sair da casa e correr de volta à meta ;-).


Infelizmente já chegámos atrasados e a Cris não conseguiu subir ao pódio em conjunto com as duas primeiras classificadas...mas isso não evitou a respectiva entrega de prémio e fotos a acompanhar... belo final de festa.

Foi uma pequena “mancha laranja”...mas animada, divertida e com vontade de voltar para 2013.

Votos de um feliz Natal a todos, e até ao próximo fim de semana para as São Silvestres de Lisboa e arredores.


Runabraços desde o lindíssimo alto Alentejo (Crato),
Cris e Nuno

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Feliz Natal

O Natal é o tempo de estar com a família, conviver com os amigos e de partilhar presentes e afectos.

É na família que podemos encontrar os afectos que nos dão força, a solidariedade de que precisamos nas horas difíceis, e partilhar as alegrias que nos ajudam a atravessar a vida.

É com os amigos que aprendemos a respeitar o outro, aprendemos os gestos que nos aproximam e nos ensinam a compreender melhor o mundo que nos rodeia.

Que a mensagem de fé e esperança que celebramos no Natal renove e aqueça com ternura os corações daqueles que nos acompanham na nossa caminhada pela vida.

Votos de um Feliz e Santo Natal.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

34ª Média Maratón Sevilla - Los Palácios

Foi por tantos amigos me terem falado desta prova que eu me perguntei: Porque não?
A viagem de sábado até Los Palácios foi desagradável devido ao temporal com chuva forte ao longo de toda a viagem. Levantei o dorsal na Feira dos Desportos, que estava animada com brincadeiras para crianças, mas haviam mais expositores de futebol do que de corrida. Dormi em Los Palacios, o que foi útil em termos logísticos. Nesta localidade nos arredores a sul de Sevilha há vários hoteis e hostals, mas por precaução, reservei com bastante antecedência.
Às 7:00 da manhã, começaram a distribuir os bilhetes da viagem de autocarro. Estes autocarros levavam-nos das 08:30 às 09:30, de Los Palacios para a partida. Ainda fui ao hotel tomar um bom pequeno almoço e preparar-me, antes de tomar o autocarro.

A partida às 11:00, era num local perto de Sevilha, junto de oficinas sem referência especial. Dá a sensação de medirem até 21,097 km e terminarem ali mesmo. Antes da partida encontrei uma boa coleção de portugueses conhecidos e desconhecidos. O Joaquim Adelino e companheiros do Vale do Silêncio. O Arsénio Fernandes e Ana Margarida do Alvitejo. O Jose Conceição de Loulé. Equipas do Algarve, de Elvas, ... E muitos espanhois das várias Espanhas, notava-se pelas t-shirts.

Depois da partida, a prova desenrolou-se por estradas dos Ayuntamientos de Dos Hermanas e de Los Palacios y Villafranca, ladeadas pelos campos, e por vezes algumas oficinas e casas. Com bons abastecimentos de água, bananas e laranjas em grande quantidade. Os 2 kms finais no interior de Los Palacios tinham muito publico a apoiar os corredores. Foi a parte do percurso que mais gostei. A Meta encontra-se junto ao Ayuntamiento da localidade, junto à estátua do maratonista que está na foto.
A prova correu-me razoavelmente bem, deu pra fazer abaixo de 1:40. Senti-me fisicamente melhor ao longo da prova, do que antes da partida.

Este regresso a Sevilha deu para perceber que a Maratona de Sevilha, aqui é a minha preferida. O regresso a Lisboa foi mais agradável sem chuva, mas já com algum cansaço.

Até Fevereiro, Sevilha!
RunAbraços.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A minha 1ª Maratona - João Veiga

Quando as coisas no Porto não correram bem (ver aqui), ao contrário do que antigamente era meu habitual, não pensei em desistir...pensei em Lisboa.
Claro que preparar uma prova tanto tempo e falhar custa, mas a vontade era grande demais, foram uns dias de paragem, voltei a tentar correr e não deu e portanto foram 15 dias sem correr e depois um treino leve só para ganhar resistência e a culminar no GP Arrábida.

E o dia chegou...
Após um atraso cheguei com o Serafim e o José Magalhães já em cima da corrida, já não deu tempo para nada só mesmo para correr...a falta da ida ao WC ia se mostrar como um pequeno problema.
Arranquei calmo, estava com ideia de ir com o José Magalhães até rebentar porque assim seria só mais um treino, depois havia de rebentar e logo resolvia como chegar ao fim.
Colei-me então ao Zé e fomos no nosso ritmo passando o pessoal, íamos na conversa e pelo menos eu ia relaxado.
Ao cruzar pela primeira vez a Av. de Roma estava lá mais um apoio fundamental, a minha mãe, que foi fazendo a sua Maratona de Metro para me apanhar em vários sítios, neste primeiro serviu para deixar o casaco.
A partir daqui colámos nos a um grupo grande e animado de Run 4 Fun e a animação estava garantida.
Quando achava que tudo estava a correr bem o estômago decidiu chatear e então perto do estádio de Alvalade corri disparado para um bar, onde tentei perder pouco tempo.
Estava agora sozinho, o Serafim ainda não tinha passado e portanto tinha duas hipóteses porque não queria ficar sozinho, ou travava e esperava pelo Serafim ou fazia uns Kms loucos para apanhar o pessoal da frente...mais uma vez como não tenho juízo e como iria mais confortável com o Zé pelos hábitos de treino decidi dar corda aos sapatos.
Passei pela Mónica e pelos manos Matos e senti-me tentado a ficar ali, mas passou-me porque me ia a sentir bem e queria um pouco mais, em Telheiras vi o Jorge Esteve e a Estafeta e colei-me ali porque iam a bom ritmo.
Mais uns conselhos e mais umas conversas e quando demos por nós estávamos outra vez no grupo onde seguiam, Miguel San Payo, José Bagina, Nuno Dias de Almeida, Tiago Ribeiro, entre outros, tudo na palhaçada e portanto segui ali um pouco, ia aproveitando estes ajuntamentos para relaxar e recuperar fôlego.
A seguir vi o Nuno Tempera e a Joana e acelerei um pouco mais para os apanhar, mas realmente estava me a sentir bem e voltei a por o pé no acelerador e arranquei sozinho a ver, esperava eu, se apanhava o José Magalhães, o César ou o Nuno Sentieiro Marques.

A seguir seguiu-se o segundo e último problema na prova. Ao descer a Av. da Liberdade sozinho, o joelho acusou e mandou-me uma dosagem de dores iguais ou piores que no Porto, achei por segundos que desta vez era logo ali que ficava, reduzi imenso o passo e felizmente quando acabou a descida as dores foram-se e melhor de tudo com a descida lenta estava fresco outra vez e melhor ainda mais uma vez a minha mãe aparece para uma força.
Sinceramente foi neste momento que me virei para a minha mãe e disse 'É HOJE'...podia piorar ou não mas não tinha dúvidas aquele era o dia.
Ia outra vez sozinho e assim segui no caminho em direcção a Algés.
Mesmo sozinho ia animado e metendo conversa com o pessoal. Pouco depois vi o grupo do César Moreira, Nuno Sentieiro Marques e Cristina e acelerei mais para me colar. Troquei dois dedos de conversa, ainda levei nas orelhas para ter calma mas ia embalado e esta companhia também durou pouco...volto a lembrar que estes momentos mesmo que curtos fazem a diferença porque acima de tudo estar com quem conhecemos alivia e muito a cabeça, portanto qualquer uma destas pessoas sabe que foi importante.
No retorno comecei a ver o José Magalhães, neste momento esqueci o relógio e ia só atrás de uma pessoa que fez grande parte dos treinos comigo, facilitou o processo de treino para a Maratona tal como outros do grupo da Expo e fazer isto com ele ia ser mais fácil.
Ao pé do Cais do Sodré o Paulo Marcos e outros, estavam lá e apoiaram como nunca, o ar animado do Paulo a felicitar-me no meio da estrada deu mais uma vez aquela força que todos necessitamos.
Na Praça do Comércio mais uma vez vi a minha mãe, percebi que a manter aquele ritmo ela não ia ter tempo de me ver a chegar ao Inatel mas era mais um apoio que ela sabe que eu precisava.
Foi nesta altura que apanhei o Zé disse-lhe para irmos mas infelizmente íamos em fase contrária, eu continuava embalado e ele disse para seguir.
Depois vi outros Run 4 Fun entre os quais o Gonçalo, o Jorge Duarte Pinheiro, o Francisco Osório e outros, mas ia-me a sentir positivo e acabei por nunca parar, neste momento a vontade das 4 horas apoderou-se de mim e não podia parar porque se começasse a andar ia começar a asneirada, espero sinceramente numa próxima fazer a Maratona de inicio ao fim com um grupo porque deve ter outro valor.
A SUBIDA era horrível, tentei ao máximo não andar porque tinha realmente medo de não voltar a arrancar.
Depois passei pelo Miguel que estava com inicio de caimbras e aí parecia que estávamos num concurso, primeiro parou ele e eu passei, mas no cruzamento da Almirante Reis com a Alameda precisava do gel e já não conseguia comer e correr ao mesmo tempo.
Tirando a paragem técnica nunca tinha andado mas ali teve de ser e a paragem para comer o gel alongou-se por 1min30seg, voltei a correr e achava que não parava mais.
No Areeiro ofereceram água e mais uma vez tive de andar para beber, já não era possível respirar e ingerir algo ao mesmo tempo, foi o mínimo possível só mesmo para beber.
Pouco depois de estar na Av. de Roma apareceu o Paulo Curto de Sousa, e como todos sabem nesta fase qualquer reboque, ainda que curto, ajuda e muito. Trocámos umas palavras, ele motivou-me e distraiu-me dos últimos metros (que pareciam Kms) e eu só lhe disse se puder só quero acabar a sprintar. Depois voltou para trás....estava a acabar a aventura.

A entrada no estádio foi arrepiante, não chorei mas ia arrepiado da cabeça aos pés e só ali me apercebi do que estava a fazer.
Ao entrar no tartan, os meus olhos começaram-se a mexer à procura. Já sabia que a minha mãe não devia ter chegado mas estaria perto, mas encontrei o resto que procurava. À esquerda a minha equipa, os laranjas, o pessoal mais animado do estádio, os RUN 4 FUN, e depois à frente o meu Pai, que apesar de ter de ir trabalhar fugiu para me ir ver...estando lá estas pessoas eu fiquei contente e sprintei...passei 5 ou 6 abri os braços e JÁ ESTÁ.


Feliz, realizado e a festejar por dentro e por fora.
Claro que há muitos melhores que eu mas para mim isto chegava, por isto a primeira pessoa a dar-me os parabéns fui eu próprio.
Depois acelerei para festejar com a equipa e esperar os restantes e para receber o beijinho merecido dos meus pais, que suponho estivessem ligeiramente orgulhosos.



A manhã acabou com a recepção aos amigos e com a habitual festa e fotos laranjas.
Em casa ainda recebi uma SMS (de quem é sabe) que foi só mais uma pessoa a mostrar-me o porquê disto valer a pena, e as grandes pessoas e amigos (sim muitos serão amigos) que conheci nestas aventuras das corridas.


Exagerei nas fotos? Peço desculpa mas as imagens valem mais que mil palavras, e para mim as imagens e os sentimentos são o que vou guardar desse dia.
O sentimento? Felicidade...missão cumprida...orgulho muito orgulho
Custa? Claro, principalmente os treinos e o tempo perdido que no fim se torna ganho, mas tudo isto é facilitado por quem nos acompanha...família, amigos, equipa, etc...
Compensa? Sem dúvida...sei que se voltar a fazer vai voltar a custar (algumas bem mais) mas no fim são sensações que nunca são iguais e que torna tudo PERFEITO
Bora repetir? CLARO, e se arranjar transporte a dividir e companhia (visto que isto de estudar ainda não dá dinheiro) vai ser já em Sevilha.
OBRIGADO A TODOS

Ficam em baixo as recordações e os tempos
Abraço e Boas Corridas

Dados Oficiais
Classificação: 997/1681 (195/289 do Escalão)
Tempo: 03:58:17
Tempo Chip: 03:57:04

Dados Garmin
Distância: 42,53 Km
Tempo Total: 03:57:09
Ritmo Médio: 5'35"/Km

(este texto é o que escrevi tanto para aqui como para o meu blog, logo são iguais nos dois sítios)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A minha primeira e grandiosa Maratona



A primeira maratona! (Paulo Martins)





 O dia e a hora há muito que estavam marcados. Seria em Novembro de 2015 quando fizesse 50 anos e iria ser em Nova Iorque, esse sim era o sonho. O meu sonho.No entanto os planos alteraram-se completamente após a minha entrada para este fantástico grupo através do António Cruz, que sempre que me convidava para ir correr, eu dizia sempre o mesmo, que não estava preparado. Preparado até estava, mas não para o seu ritmo.Depois de muito treinar, resolvi fazer a minha 2ª Meia maratona, a 1ª tinha sido feita no já longinquo Ano de 2002. Escolhi São João das lampas, uma prova bastante dura mas muito bonita e bem organizada, fiz 1:49, nada mau para aquele momento.Depois fiz a meia maratona de Vasco da Gama, terminando a prova em 1:39. De seguida veio mais uma, a meia da Moita, com o tempo final de 1:35:58.Com os 20KM de Almeirim, onde terminei a prova com 1:29, comecei a pensar em correr a Maratona, pois 21KM já me sabiam a pouco.Quando li os relatos dos membros do Run 4 Fun começei a ficar cheio de vontade  em experimentar a Maratona, e inscrevi-me. Já estava, já não havia volta a dar.. iria acontecer no dia 9 de Dezembro em Lisboa.Continuei a fazer os meus treinos como até aqui, sem grande stress porque para mim o que interessa é concluir a prova, nem que para isso, a tivesse de terminar de gatas..Depois disso, foi só juntar a motivacao necessária, uns treinos lunares, boa alimentacao, uma ida ao Treino em Lisboa, onde pudemos fazer o percurso da Maratona (menos a ida a Algés organizada pelos Railrunners), Treino dos Chafarizes, uns incentivos dos amigos, o amor da minha família e voilá: estava tudo pronto para a minha grande desgraca!E a coisa resultou tão bem que foi sem grande receio que atingi o dia D (de dor, claro). Os treinos estavam feitos, o combustível estava carregado e muitos amigos do Run 4 Fun estavam presentes. Os objectivos eram muito claros e estavam definidos por ordem de prioridade: 1.º não me aleijar; 2.º terminar; 3.º terminar abaixo das 4:00; 4.º vencer a Maratona! Tirando o último objectivo, que não me estava a apetecer muito, os outros pareciam ao meu alcance. 


\


Assim que ouvi o tiro de partida, fui atrás do balão das 3:30! Felizmente, 1000 metros após o início desta empreitada, sentia-me muito bem, e assim fui deixando o balão para tráz e fui ao meu ritmo a 4:40.Os primeiros km levaram-me de volta ao bairro de Alvalade e deu para experimentar uma subidinha. Na Avenida de Roma, encontrei alguns elementos dos Run 4 Fun que iam correr a meia.Foi o primeiro momento de alegria. Juntei-me a dois Italianos que iam ao meu ritmo, fomos falando ora Italiano, Inglês, Espanhol etc. Nem dei pelo tempo passar e já ia a descer pela Avenida da Liberdade.Sabe bem descansar, esta descida foi longa e deu para recarregar energias.Pela marginal até Algés foi um autêntico passeio, ai sim começei a cruzar-me com os Amigos do Run 4 Fun. O primeiro foi o José Carlos, pensei.. já tenho companhia, mas ele ia ao seu ritmo e disse-me para me ir embora porque eu ia num ritmo mais rápido, e assim foi, fui correndo, e fui encontrando mais Amigos que se encontravam a fazer a meia-maratona, eram só sorrisos, muita confiança e muita motivacao!Com um apoio destes, senti-me ainda mais forte e motivado. Nos kms seguintes, começei a ver muitos mais companheiros, fui alguns Km’s á boleia do Luis Ferreira, mas ele ia um pouquito mais rápido e eu não podia ir, tinha de me disciplinar, se não, não iria conseguir subir a Almeirante Reis.

Ao pé do Cais Sodré cruzei-me com a Patricia Calado, onde recebi palavras de incentivo, ganhei mais força e fui  continuando.Desde o Terreiro do Paço até à Praça do Areeiro são 4km a subir, mas ao final de uma maratona faz mossa! Lembro-me que na  Rua da Prata me encontrei com o João Ralha e mais alguns companheiros que me deram força pra continuar na minha luta. Na Av. Almirante Reis, lembro-me de cada passo que dava com o destino de finalizar a minha prova, da cara de todas as pessoas com quem me fui cruzando, das vezes que respirei fundo e acelarei o ritmo, dos meus pés que pareciam blocos de cimento, do aparecimento do balcão do abastecimento dos 40 km.Estava tão cansado, mas de repente, sinto uma forca, era um dos Italianos que eu tinha acompanhado muitos Km´s. Ele só me disse ‘Arriba’.... e lá fui eu ao lado dele para os ultimos 2 Km´s.Faltavam 2km, e parecia que nunca mais acabava. Fui com ele a um ritmo acelerado até à meta.Quanto ao muros de que muito se tem falado, felizmente não dei por eles. Mas se não fosse aquela súbida (e essa sim era um muro) teria feito melhor..Ao  entrar no Estádio parecia que ia em transe. O meu olhar dividiu-se entre a bancada e o relógio oficial. Percebi que podia ficar nas 3:25, e assim acelerei como um maluco, nem me apercebi dos gritos da minha esposa e da Lena tal era o esforco. Esqueci o relógio, por momentos, e concentrei-me nas bancadas onde, para meu espanto, nao se encontravam ninguem dos Run 4 Fun. Achei estranho e perguntei para mim mesmo: “o que se passa? Fui assim tao rápido?”Ao passar a meta, esqueci-me de gritar tudo o que me ia na Alma, esqueci-me de festejar este feito, até apaguei o registo da prova no meu relógio.Depois foi só saborear as meias laranjas. Souberam muito bem e após esperar algum tempo, foram chegando mais membros do grupo e assim se formou a ‘onda laranja’, que foi apoiando os membros que foram chegando. Com a chegada dos restantes elementos á meta, a claque ficou cada vêz maior, foi lindo ouvir os festejos sempre que um Atleta Run 4 Fun entrava no Estádio. (para a próxima também quero).....     Fazer esta Maratona só me foi possivel, graças á minha sorte de poder pertençer a este grandioso Grupo, tudo pessoas simples e de uma simpatia incrivel. Pessoas que é dificil encontrar nos dias de hoje, sempre prontas para ajudar quem precisar. Quero agradecer entao a este grupo que me ajudou imenso e tambem quero felicitar todos os que fizeram esta mítica maratona pela 1ª Vez, foi um feito extraordinário, estamos todos de parabens... Mesmo que no dia seguinte, estava feito num oito, valeu a pena e mal posso esperar por repetir a dose.Obrigada, beijinhos e abracos Run 4 Fun.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Maratona - está feita!



A minha primeira maratona foi mais ou menos o que esperava dela, mas ainda permitiu algumas surpresas. Como por exemplo fazer os dois kms finais com os joelhos dormentes, mas nem me posso queixar porque se doessem é que era chato, não é? Todo um mundo novo. Se fossemos sempre lógicos e prudentes ninguém tentava uma parvoíce destas, que conseguiu dar cabo do canastro a Filípides. Porquê então tentar? Cada um terá a sua justificação mas eu deixei-me levar pela mística da coisa. Uma maratona… ena. Mais do que me sentir parte de um clube restrito, queria saber se conseguia correr sempre e acabar confortável. Mentia se dissesse que o tempo final me era indiferente, por isso apontei vagamente para as 4h como marca para me deixar contente. Mas tinha muito respeito pelos "monstros" e "paredes" e por isso decidi avançar de forma cautelosa.

A irmandade laranja fez-se sentir antes e no dia da prova, tal como outros loucos que correm e com quem me vou cruzando em provas e treinos, e que se vão tornando companhia da boa. É importante esta envolvência e torna o ambiente muito especial. Estive sempre bem rodeado mas a primeira parte da prova foi feita principalmente com dois super atletas, o Alfredo Falcão e o Gonçalo Fontes de Melo. Devo grande parte da minha prova a eles, conseguimos seguir soltos e em amena cavaqueira o que me permitiu uma gestão boa do esforço. Não é um percurso bonito, o que se faz até São Sebastião, mas depois do El Corte Inglés conseguimos lavar um bocadinho a vista. Perto da rotunda até pude matar um bocadinho as saudades dos trilhos - uma parte empedrada fazia lembrar uma calçada romana. Mais ou menos. Nem por isso, mas uma pessoa faz o que pode, não é? O alcatrão é mesmo uma seca, disso não me livro. A descer a Avenida perguntei pelo balão das 4h mas pelos vistos tinha ficado para trás. Ainda me preocupei um bocado, mas como seguíamos confortáveis… enfim.

Pouco depois de passarmos pela família do Alfredo (grande festa) dávamos a volta para trás em Algés, e aqui teve lugar o ponto alto da minha maratona. O sorriso do Ricardo, que vinha de cadeira de rodas a ser empurrado pelo Carlos Lopes, passou por nós a grande velocidade e foi efusivamente cumprimentado. Uma iniciativa fantástica a que todos estávamos atentos. Mas no viaduto em frente à Fund. Champalimaud o Carlos precisou de "mudar a água às azeitonas" o que deixou o Ricardo em prova a uma velocidade menor e em maior esforço. Sem pensar arranquei em direcção a ele e perguntei se podia dar uma ajuda por uns metros, o que o Ricardo aceitou com boa disposição. Foram uns metros em que se calhar o atrasei (a velocidade era mesmo assim louca), mas em que tive a sorte e o privilégio de poder participar um bocadinho numa iniciativa que tanto me impressionou. Com isto larguei o Alfredo e o Gonçalo, e fiquei a matutar no que me tinha dito o José Guimarães uns kms antes - "nem vais a suar…". Era altura de forçar e arriscar um bocado.

É um equilíbrio difícil. Querer acabar com um mínimo de conforto uma prova, e não sentir no fim que podia ter dado um bocado mais. Mas a aposta estava feita, em cima do joelho e sem estratégia, e podia ser que corresse bem. Caramba, estava um dia perfeito para correr, tinha amigos por todo o lado e sentia-me bem. Aumentei bastante o ritmo (ou assim me pareceu) e fiz a segunda metade da prova em menos tempo que a primeira, o famoso split negativo (as coisas que uma pessoa aprende). Fui passando muitos atletas e amigos e por volta do km 35 deu-se um bocadinho o vai ou racha. Ia chegar à Alm. Reis cheio de balanço e havia de a fazer toda a correr. O que para meu espanto acabou por acontecer. Senti que voava baixinho e devia ter os cantos da boca ao pé das orelhas de tanto rir. Mas talvez fosse pouco mais depressa que um coxo e apenas com cara de parvo, não sei. No Areeiro senti que as "paredes" e "muros" tinham ficado para trás mas o corpo começava a pagar a tonteria. Não sabia que podia correr com os joelhos dormentes, mas foi o que fiz porque comecei a olhar para o relógio. Quantos minutos conseguia eu tirar às 4 horas? 15 minutos e 2 segundos, a acreditar no relógio da meta.

Sim, emocionei-me um bocadinho. E senti-me vivo, com saúde para dar e vender. Sou a prova de que qualquer pessoa consegue correr uma maratona e ultrapassar os seus limites, e senti-me orgulhoso da minha primeira. Algo me diz que mais virão, apesar de ficar provado que o alcatrão faz mal ao organismo. Fiquei com umas saudades da serra e da lama que não dá para descrever. No fim, a festa laranja que tanto me alegra. Todos os resultados são celebrados como recordes do mundo, o que torna os run4fun num grupo de pessoas onde todos são importantes e parte do pelotão de malucos que correm. Sabe bem ter quem nos compreenda à nossa volta.

Abutres anyone? Ou a São Silvestre da Praia da Rocha...

Miguel Serradas Duarte.

P. S. - O meu nome não aparece na listagem da xistarca, mas eu juro que fiz mesmo aqueles kms todos. Mandei email a pedir a correcção, pode ser que tenha sorte...

domingo, 9 de dezembro de 2012



A minha primeira maratona  (Joana Peralta)

Mais do que a relatar, vou enquadrar a minha prova. Nunca me considerei uma pessoa desportiva e muito menos atleta. Mas lembro-me de ser pequenina e de ver a Maratona na televisão, e ficar fascinada. Como é que era possível que aqueles haver pessoas a correrem aquela distância, quase Lisboa- Ericeira?

A primeira vez que corri foi com a minha amiga Vanda por brincadeira, na Ericeira, com uns 17 anos. Fazíamos uns passeios ocasionais para mantermos a forma, e era muito divertido. Casei aos 18 com um desportista, e ele incentivou-me a correr. Comecei a correr sozinha pelas ruas de S. João do Estoril aos 19 anos, e adorei. Mas tive um acidente ao fim de muito poucas corridas… levei com um portão de ferro de uma garagem quando estava a correr num passeio e fiquei estendida sem sentidos no chão. Fui levada para o hospital com um traumatismo craniano e nunca mais corri na rua.

Voltei a correr muitos anos mais tarde no ginásio. Inscrevi-me num ginásio em 2000 e nunca de fazer exercício físico desde então. Fazia 4 a 7 vezes por semana, e um dia um dos meus professores disse-me: “vejo-te cá muito, mas gostava de te ver correr numa passadeira 40 minutos a 10 km/h sem parar”. Fiquei a pensar naquilo. Pensei “ah, com a minha preparação, consigo de certeza”. Estava aí em 2007-2008. Comecei a correr na passadeira. Claro que, a primeira vez aguentei uns 10 ou 15 minutos, a 8 km/h e “ia morrendo”. Mas rapidamente comecei a correr 1 hora a 8km/h, depois 9, depois 10. E fiquei-me por ali. Sempre na passadeira. Mas era um sacrifício. Era chato… Só que gostava da sensação que tinha a seguir.

Enchi-me de coragem e recomecei a correr na rua. Na Ericeira, claro, onde é mais seguro (e onde eu não tinha ginásio aos fins-de-semana ou nas férias). Mas nada de especial… treinos de 30 minutos, ir à Foz e vir. Correr distância lá é chato. Sempre foi, e ainda é. Ser mulher e mãe não ajuda. Requer muita disponibilidade…

Correr mais “a sério”, ou seja, com mais frequência, comecei no início de 2011, com o meu divórcio. De raiva. Na Expo. Sozinha. Cerca 9-10 km em 1 hora, done (estimativas de distância via Google Maps, pois não tinha nada que medisse distâncias comigo). Por mim, estava muito bem… Corria aí duas a três vezes por semana. Quando instalei o Runkeeper no Verão do ano passado progredi e a velocidade aumentou para os 11 km/h.

Acabou o Verão e queria correr. Voltei à passadeira e percebi que nunca mais correria indoors. Mas correr na rua sozinha à noite era coisa que não me agradava. Então pedi ajuda aos Run 4 Fun. E nesse dia o César lá me convenceu a ir treinar com um grupo de malucos essa noite... O César, o Teodoro, o Jorge Esteves, o Alfredo, o Tempera, o Serafim, o Zé. Esqueci-me alguém? Só sei que levei com um baptismo de mais de 20km repartido em 3 pequenos treinos: Vela Latina-Largo do Camões, Luna Run, Largo do Camões – Vela Latina! Aqueles últimos quilómetros no regresso, depois das docas, pareceram-me intermináveis. No entanto, não parei. E no final fiquei muito orgulhosa. Mais… nessa noite aconteceu-me uma coisa extraordinária: apercebi-me que conseguia correr muito mais do que alguma vez pensei!

Os Run 4 Fun “adoptaram-me”, embora nem sempre conseguia (nem consigo) dedicar-me o tempo que quero a correr. Apareço quando posso, e as outras mães divorciadas entendem-me perfeitamente.

Em Setembro deste ano aventurei-me no treino Expo-Católica, Corrida da Católica, Católica-Expo e adorei! Senti-me bem durante e no final. Não gosto de correr depressa. Nunca gostei. Custa muito. Mas nesse dia apercebi-me que teria corrido mais… e a Maratona ficou-me plantada num cantinho recôndito do cérebro (porque no coração, ela sempre esteve).

Restou-me arranjar pernas e treinar a cabeça. As pernas foram mais difíceis, porque ainda apanhei um susto no joelho direito uns dias depois desse longão, e fiquei “de molho” durante umas semanas. Fui a um médico ortopedista, pai da minha melhor amiga, que me conhece de bebé perguntou-me na consulta:

-“Joana, fizeste algum esforço grande nessa semana? Alguma coisa de especial?”…

-“Bem, tio, sou capaz de ter corrido uns… 30 kms assim meio à bruta…”

De olhos arregalados, deu-me um anti-inflamatório e indicações de que se não passasse teria de fazer uma RM. “Posso correr?” Perguntei eu… e os olhos iam-lhe saltando das órbitas. “Se te dói, não!!!” Bem, escusado será dizer que corri. Corri a Meia do Rock n’ Roll e de Amesterdão. Pouco depois lá fiz a RM… foi carga!

Entretanto a ideia da Maratona foi germinando. Andava a correr mais do que nunca com o núcleo Sintra-Oeiras. Sentia-me bem e capaz… Entretanto a Mónica também começou a falar comigo sobre fazermos a prova. Decidi que se não tivesse lesão, iria corrê-la já em Dezembro. Porque não?

Restou-me alterar a inscrição de Meia para Maratona e fazer 3 mais longões. O primeiro de 30km com os Run 4 Fun, o segundo de 33km sozinha (considero essencial habituarmo-nos a correr sozinhos) e o terceiro de 35km com o Nuno Tempera.

Agora a prova em si.

Não estive nada nervosa. Estive contente, uns dias antes e hoje. Adoro correr devagar mas muito tempo. Estava em boas condições físicas, embora nestes últimos quase 2 meses tenha engordado 2,5kg por causa do tipo de treinos (longões abrem-me o apetite e requerem mais descanso do que estou habituada). Podia não fazer um tempo espectacular (as 4 horas de que toda a gente fala), mas era a minha prova. Era a minha corrida, tal como me dá gozo: a ouvir música, a cantar, a rir, a meditar. Ainda por cima acompanhada por todos, e pelo Nuno.

Na véspera dormi bem, acordei bem-disposta e estive sempre bem-disposta durante a corrida. Não gosto muito é de falar durante treinos longos (excepto de jóias, César). Gosto de ir “em transe”… a pensar, a cantar ou a ouvir o corpo para me corrigir. Falar, só nos treinos.

E pronto, foi assim que corri a minha primeira maratona. Vou correr muitas mais, haja saúde! Mas sempre como me dá prazer ou seja, descontraidamente. Claro que tenho alguns pormenores técnicos a ajustar. Mas com quilómetros nas pernas, os resultados virão.

Continuo a não me considerar uma atleta, apenas gosto de correr.

Agradeço aos Run 4 Fun por tudo. Sem vocês, por diversas razões, nunca teria conseguido este feito. E repito os agradecimentos que fiz no FB.

Joana Peralta