sexta-feira, 31 de maio de 2013

Jornal Expresso...amanhã dia 01.06

No caderno de Economia do Jornal Expresso. "Correr com..." O Run 4 Fun volta às páginas do Expresso! 


E aqui está a entrevista ao Expresso, edição 1 de junho,  do Paulo Marcos

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Atleta em Destaque

João Veiga





João Veiga


24 anos, Estudante de Arquitectura







O nosso mais jovem maratonista. Com grande dedicação ao treino, que se coloca a si próprio objetivos ambiciosos que consegue atingir, com um nível de resiliência e persistência que não é comum, em jovens da sua idade. Tem um blogue próprio onde regista a sua evolução e relata as suas sensações nas corridas que faz. Em geral, são os pais que trazem os filhos para a corrida. Com o João foi o contrário: foi ele que convenceu o próprio pai  a fazer corrida. "Rebocou" o pai na sua primeira meia maratona e irá em breve acompanhá-lo e  incentivá-lo para concluir a sua primeira maratona.



1.       Há quanto tempo corres?
Comecei nos treinos de Ténis, mas correr mesmo só a partir de dia 28 de Junho de 2011. Está quase a fazer 2 anos.

2.       Porque corres?
Com a idade que tenho ainda não é para fugir de nada…começou para perder peso e maioritariamente é para conseguir comer o que gosto e manter um peso saudável.

3.       Quantas vezes treinas por semana?
Em média 3 vezes. Os treinos da Expo às 3ª e 5ª e depois ao fim de semana os treinos que calham ou provas.

4.       Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
As que mais gosto em termos de percurso é provavelmente a São Silvestre dos Olivais por ser em casa e a de Almourol por ser no meio daquele ar puro todo e em termos de público as São Silvestre da Amadora e a Corrida das Fogueiras.
As que mais marcaram foram sem dúvida as Maratonas, a do Porto por ser a primeira e única prova que desisti, a de Lisboa porque foi a sensação de objectivo cumprido, a de Sevilha porque custou muito e tive muito que lutar para não desistir e a de Trail de Almourol porque simplesmente nunca achei que fosse capaz.
Tirando estas há 4 que me marcam por diferentes motivos, a do 1º de Maio e a Meia da Vasco da Gama porque o Nuno Sentieiro Marques na primeira e o Orlando na segunda deixaram as suas corridas só para me ajudar, a Meia da Ponte 25 de Abril porque a fiz com o meu pai e a Scalabis Night Run porque todo o espirito de equipa esteve no seu auge.

5.       Quais os teus próximos objectivos?
Baixar as 1h45min na meia e tentar fazer a Maratona abaixo das 3h50min.
Para além disso acabar mais trails que puxem por mim.
Ultimamente objectivos só conforme me sinto no dia da corrida.

6.       Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Já fiz 3, 2 acabei e a outra desisti.
A opinião que tenho é que se faz bem e que o que custa mais é ter o mínimo de disciplina de treino para meter Kms nas pernas.
Realmente a desilusão no Porto foi muito grande pelo esforço gasto nos treinos, mas percebi que dava para mais e já fiz duas, e realmente todo o esforço gasto é compensado quando cortamos a meta e temos a sensação de Missão cumprida.
O único ponto negativo é que realmente é muito difícil prever como corre porque em 42,2 Kms muita coisa se passa.

7.       O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
O Run 4 Fun é uma das razões para continuar a correr, porque tenho companhia quase sempre, os treinos e provas são sempre motivo de festa e mesmo eu sendo um dos mais novos sempre me trataram de igual para igual, com a vantagem de algumas vezes ser alvo de mais preocupação e, que eu saiba qualquer um gosta de saber que na meta estão pessoas à nossa espera e de festejar connosco.
O maior beneficio para mim que era e sou inexperiente foi todos os conselhos e dicas que me deram, o companheirismo e sem dúvida a oportunidade de ir a locais que se calhar sem companhia (ou boleias :)) não poderia ir.

8.       Uma mensagem aos novos membros do Clube
Aqui correr é só uma desculpa para haver animação e companheirismo e portanto metem-se Kms nas pernas e batem-se PBT’s sem dar por isso e sempre com um sorriso (e muito barulho) pelo meio.





quinta-feira, 23 de maio de 2013

Escutar o corpo mas não a cabeça, ou o que aprendi na Meia Maratona do Douro Vinhateiro.


Sabia que a meia do Douro não me iria correr bem,  ou não como a minha primeira meia, em que me surpreendi chegando fresca à meta com pouco mais de 2hrs. Afinal tinha acabado de regressar de uma exigente viagem de trabalho; não tinha sido capaz de executar à letra o planos de treinos; lutava com uma ameaça de canelite que não sabia ter origem num treino demasiado encurtado ou naqueles sapatos novos que teimam em não sair do armário. Nem o descanso a que me forcei na ultima semana me tranquilizava face à dieta pré-verão e ao ciclo hormonal e o aperto no peito e o peso nas pernas pronunciavam uma má prova. Ainda assim, e após animada dicussão com treinador/fã/chofeur me predispus às 3 horaas de viagem até aquele hotel, finalmente descoberto, lá bem enfiado num ponto não identificado do mapa, mais passagem acelerada pelo Museu do Douro para a recolha do dorsal; equipamento para chuva e para sol, sapatilhas novas e velhas, ”logo me decido”; e roupa à civil porque afinal também há que aproveitar o passeio pelo Douro.
A recolha do dorsal, na Régua, foi sem avarias, mesmo que me tenham recusado a t-shirt evocativa. Quanto à cidade, que me perdoem, ficou um pouco àquem das espectativas apesar da magnifica paisagem da sua marginal; o jantar também não terá feito jus à cozinha nortenha, se bem que não tenha reparos a fazer à costoleta de vitela e muito menos  ao fabuloso vinho tinto.
Chegada a manhã da prova, vai de olhar para a janela, vai de colocar chip no sapato velho, que no novo não confio 21 kms, vai de vasculhar cada pequeno bolso na procura dos alfinetes, ou melhor, do alfinete da sorte, que sem os outros passo eu bem....a àgua da torneira da villa recém estreada pingando na minha meia de compressão, comprada para enfrentar a dita canelite e apertada como tudo (bem, suponho, ou não se chamaria de compressão). O pequeno almoço servido mais cedo, com o bolo de azeite, o queijo fresco, croisants e pão com doce, e o aviso a ressoar: “na manhã da corrida come-se o mesmo que na saída para um treino”, ou seja muitíssimo menos que este repasto...
À saída do “hotel”, e tirando vantagem de ter sido acompanhada pelo meu (nem) sempre disponível chofeur, decdimos ir directos ao local da partida, seguindo indicações da gerente. De entre locais sem indicação no mapa, transitos proibidos e “não, por aì não se pode, tem de ir à volta”, e uma agonia que se acentua no estomago, (do vinho de ontem, do pequeo almoço demasiado guloso, da ansiedade?) lá chegamos ao local de partida em cima da hora onde um sprint, mesmo a frio permitir-me-á chegar à partida à hora, ou afinal  com uma hora de anticipação (não, nao era às 11:00 CET mas GMT), o que não deixa de ser bom já que permitirá lidar com a inesperada exigencia intestinal e procurar ânimo e orientação em qualquer t-shirt laranja que certamente por lá andará.
Lá deixo o Nuno Gião, que acabou de terminar um aquecimento de 10 km e procuro a costumeira mancha laranja com diminuida esperança. O José Carlos Melo, atleta demasiado alto, no meu pedestal estará por aí, no meio da populaça, da adrenalina. Eu fico-me para trás, como sempre,
resguardando-me daqueles que sendo mais rápidos, mais audazes ou mais insensatos, saem disparados sem reserva ou respeito pelos demais.
Cala-se a musica e soa o disparo, segundos depois a massa viva avança, ainda contida. Finalmente passo a meta e primo o start do meu forrunner 210. Aí vou eu, contra tudo e contra todos, naquela que dizem (os proprios organizadores) será a mais bela meia maratona do Universo.   
“Gerir o esforço, aquecer bem, cuidado com a canelite”, repito para mim propria inúmeras vezes enquanto miro o relógio, “mais devagar, mais devagar”. E passa o km 2, “cadê o 1, que nem dei caso dele?”;  continuamos a descer e lembro-me que teremos  de subir,  que o melhor é aproveitar: “deixa-te ir, já abrandas na subida”. O corpo aquece, a adrenalina sobe, o ritmo embala; já miro a paisagem, já rio disfarçadamente com o parafrasear (pouco cavalheiresco) dos corredores nortenhos, já gracejo com os compaheiros de hotel que apanho, com mal disfarçado orgulho. E aí veem os prós, já a subir, já no seu 10º km, primeiro em cadeiras de rodas, que partiram um pouco à frente, seguidos dos magricelas, alguns em visivel esforço “tão cedo ainda”, alí vêm os outros os corredores normais, no pelotão da frente, “como eu, um dia” o José Carlos Melo (1 semana depois de Ronda).

“Vá Claudia, não sejas maricas, vamos a elas” incentivo-me. Elas são as outras mulheres, e começo a contar as que ultrapasso, numa estratégica competitiva que resulta sempre que o ânimo é pouco; “seremos 20%, talvez, portanto cerca de 800 no total, 200 partiram depois de mim, se passar 250 ficarei acima da meia tabela”. “Vamos a elas: 1, 2, 10, 15, era a 15 ou a 14?, 27, 43...” inversão de percurso, e portanto 1/3 já marcha mas um gémeo começa a dar sinais, “aproveita a subida, que é longa, para abrandar” aproveito o pretexto e paro para beber água  aos 9km e repreendo-me “já na perguiça”; acelero com o gémeo a insinuar-se, “35, 38, de volta às 43...” Começa a insinuar-se também a ideia da claque e do carro esperando-me ao km 14 “se isto não melhorar, fico por lá”. Ao km 11 ora chove ora faz sol, visto e dispo a camisola, gerindo pretextos para abrandar “58, 63, 65, 67”, ao km 12 pergunto-me se o meu gémeo aguentará mais 9 km, tantos quantos já fiz, “ouve o teu corpo, ouve o teu corpo”, aos 13 avisto o ponto de partida e sei aproximar-me do carro “que faço se ele não lá estiver?” pergunto-me já derrotada.

É o “day after” aliás, bastou-me a hora after para me deixar abater, perguntar se aquele gémeo não aguentaria; “sim, está definitivamente massacrado mas estará lesionado?” Para que fui eu ouvir o meu corpo, ou foi a minha cabeça que ouvi, e sua insinuosa negatividade?

Na proxima não caio nessa, quando é a proxima?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ronda 101km: Puerra, que prueba!!


A ideia de ultrapassar a mítica barreira dos 100km surgiu por ter feito 50 anos e necessitar de um marco. Aproveitei a participação dos excepcionais Carlos Melo (a lebre), Teodoro Trindade (o trepador), Jorge Esteves (o comedor) e Nuno Tempera (o benfiquista) e consegui inscrição através de uma “cunha” via Figueira da Foz e Madrid.
No início da prova, estávamos todos cautelosos com o muito calor (+25ºC) e com a distância (não se consegue treinar). A minha maior distância tinha sido de 52km percorridos em 7h57mn no Trail de Sesimbra e por isso preparei a minha mente para 18h de prova.

Logo após o arranque, o Carlos Melo (a lebre) desapareceu e ficámos os restantes 4 RUN 4 FUN. No entanto, a alegria constante habitual do Nuno Tempera (o benfiquista) não estava presente. Quem já correu provas com ele, está habituado a ouvir hinos ao SLB e “bocas” permanentes. Mas neste dia estava algo apagado e foi a primeiro a sentir a dureza da prova. Ao km 25 (3h20mn) já tinha uma bolha no pé (apesar das sapatilhas serem as habituais) e de vez em quando atrasava-se para depois voltar a recuperar. Entretanto corria connosco um atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto.
A estratégia para esta prova foi simples: caminhar em todas as subidas e parar em todos os postos de abastecimento. Estes são bastante frequentes e dispõem sempre de água, isotónica e fruta. Eu levei um Camel-Bag e enchi-o várias vezes durante a prova para nunca me sentir desidratado. Nesta altura e a conselho do Jorge Esteves (o comedor), comi uma sandes de presunto “Pata Negra” que tinha sido preparada no Hotel. E como sempre, estava presente  o atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto.

A prova foi decorrendo normalmente até que pouco antes do primeiro grande reabastecimento, o Nuno Tempera (o benfiquista) percebeu porque é que é mesmo do SLB: urinou vermelho. Nesta altura convenceu-se que algo não estava bem e aproveitou um ponto de abastecimento para se dirigir ao posto médico que o aconselhou a desistir. Tenho a certeza que em 2014, o Nuno e a Joana Peralta estarão a correr esta prova. Neste mesmo ponto o Jorge Esteves (o comedor) aproveitou a urbanidade do local e fez aquilo por que ansiava há muito: dar uma cagada e beber uma imperial. Entretanto continuava connosco um atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto.
 
A seguir começaram as subidas e eis que o Teodoro Trindade (o trepador) saca de uns bastões ultra-modernos em carbono, ar-condicionado e ABS e com os 4 membros (2 pernas e 2 bastões) deixa o resto do grupo para trás e passa a ganhar o prémio de montanha.

Chegados finalmente a Setenil (km 56 e 8h31mn), fomos recebidos pelos nossos acompanhantes e casal Ralha (inexcedíveis no apoio). Aqui mudam-se as meias, massajam-se os pés com creme, coloca-se o frontal, come-se e descansa-se. No entanto existem muitas filas e estamos neste abastecimento durante 45 minutos. O Carlos Melo (a lebre), só demorou 10 min. Mais uma vez ouvimos o atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto.
O próximo objectivo era chegar ao Quartel (km 77) onde haveria comida quente. Até lá ainda vimos dois elementos de uma equipa a fumarem uma ganza enquanto corriam (provavelmente para acalmar os “nierbos”). O que também víamos constantemente era atletas com cãibras e pés cheios de bolhas. Ao Jorge Esteves (o comedor) só lhe doía o peito do pé desde o km 10 mas que não lhe tirava o apetite.

Chegados ao Quartel (km 77 e 12h27mn) quem é que nós encontrámos: o atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto. Aqui levantámos a última mochila que incluía umas sapatilhas, t-shirt, meias, calções, lycra manga comprida, corta-vento, luvas e pilhas. Só mudei as meias e vesti a lycra por baixo da t-shirt Run 4 Fun. Acrescentei também uns pensos ao que já tinha no pé esquerdo desde o km 67 e preparei-me para uma dor permanente até ao fim. Nesta zona de descanso estivemos 1h15mn pois o Jorge Esteves (o comedor) comeu tudo o que havia e ainda ficou a olhar para o meu prato a ver se podia picar. O Teodoro Trindade (o trepador) comeu tão depressa que teve uma quebra de tensão temporária. Mas rapidamente recuperou e comeu o iogurte que me pertencia (estes 2 colegas são danados para comer).
A partir daqui sabíamos que só faltava uma Meia-maratona. E acreditem que tínhamos de ultrapassar uma subida com mais de 2 km e 13% de declive que nos ajudava a aquecer a seguir ao repouso. A partir daqui, onde muita gente desiste, o objectivo estava praticamente alcançado. Só que devagarinho se faz o caminho. E lá fomos correndo (pouco) e andando (muito). E aqui tenho de fazer uma confissão: um dos nossos atletas foi controlado em permanência pela mulher que telefonava hora-a-hora com a seguinte pergunta: onde estás e a que horas chegas? E ele lá fazia uma previsão da hora de chegada. Os espanhóis que nos acompanhavam só diziam “ Puerra, que control dos cónhos, puta madre”. Ao mesmo tempo este controlo era confortável pois sabíamos que estariam à nossa espera na chegada.

Por fim, lá avistámos Ronda e a sua última subida com 1,5km. No fim desta e antes da meta, lá estavam as nossas companheiras de viagem cheias de alegria assim com o casal Ralha prontos para correrem connosco o quilómetro final na principal rua de Ronda. E acreditem que é lindo correr àquela hora da madrugada sabendo que o objectivo a que nos tínhamos proposta estava alcançado: passar a mítica barreira dos 3 dígitos. E quem cortou também a meta? O atleta que sempre que bebia líquidos, dava um arroto.
 

domingo, 19 de maio de 2013

Ultra-Trail da Serra de São Mamede - Portalegre

A organização tinha um menu composto de três provas:

O UTSM (Ultra-Trail da Serra de São Mamede): cerca de 100 Km com um desnível total com cerca de 6 000  m, com partida e chegada a Portalegre após passagem por Reguengo, Alegrete, alto de São Mamede, Apartadura, Porto da espada, Portagem, Marvão, Castelo de Vide, Carreiras, Ribeira de Nisa e Serra da Penha, em semiautonomia e 24 h de tempo limite.
O TLSM (Trail Longo da Serra de São Mamede): cerca de 42 Km com um desnível total com cerca de 2500 m, com partida de Marvão  e chegada a Portalegre, após passagem por Castelo de Vide, Carreiras, Ribeira de Nisa e Serra da Penha, em regime de semiautonomia e 10 h de tempo limite.
O TCSM (Trail Curto da Serra de São Mamede): cerca de 21 Km com um desnível total com cerca de 1300 m, com partida em Castelo de Vide e chegada a Portalegre, após passagem por Carreiras, Ribeira de Nisa e Serra da Penha em regime de autonomia e 6 h de tempo limite.

De notar que o percurso era comum às três provas, pois o percurso das menores estava incluído no das maiores, pelo que em determinada altura haveriam atletas das três provas a correr par a par.

O Luís Matos Ferreira foi ao UTSM e demorou pouco mais de 13 horas, eu a a Luísa fomos ao  TLSM e demorámos 6:50 horas.

Fomos para Portalegre na 6ª feira à tarde e ficámos no Convento da Provença um agradável local a 5 km da cidade, onde seria o penúltimo ponto de abastecimento de todas as corridas a  cerca de 10 km da meta. Ainda tivemos tempo para dar uma volta em Portalegre, seguida de jantar com o  José Conchinha, do clube do Stress e a mulher a Maria da Luz. Na nossa mesa, estiveram alguns elementos do "Mundo da Corrida"  entre os quais a Analice Silva que daí a poucas horas iria iniciar a UTSM depois de, uma semana antes, ter feito os 101 km da La Légion, em Ronda. Outros andamentos........

A partida para a nossa prova era às 9:00 horas em Marvão e a organização disponibilizou transporte, a partir de Portalegre, às 7:00 horas. Maluquice a nossa de termos que nos levantar às 5:45, num sábado. Fomos para Marvão, em três autocarros, um dos quais exclusivo para senhoras, uma originalidade neste tipo de provas. Lá chegados, antes das 8:00 horas, estava frio, pelo que nos abrigámos numa paragem perto da porta de entrada do castelo. Fomos seguidamente para o abastecimento dos "ultras" relativo aos 60 km, onde tivemos a oportunidade de ver chegar vários atletas, entre os quais o Renato Velez. Aí encontrámos a Manuela Cruz que vinha  acompanhar o Paulo Fernandes, o nosso atleta "honorário", que faz estas provas a um ritmo calmo. A Manuela disse-nos que o Luís Matos Ferreira tinha passado lá por volta das 8 horas.

Às 9:00 horas foi dada a partida a um grupo de algumas dezenas de atletas. Logo de início uma "voltinha" com algumas subidas e descidas junto às muralhas, para "aquecer" os atletas, pois o frio era intenso. Voltámos a entrar nas muralhas e seguiu-se uma descida pela estrada medieval em pedra que é um pouco "irregular", para ser simpático. Aí começamos a ser"passados" por atletas da "Ultra" como o Luís Sousa Pires, dos Porto Runners.

Num determinado ponto íamos 5 corredores juntos, eu e a Luísa e mais uma casal, todos dos 42 km e um atleta da "ultra" numa subida empinada pelo que íamos todos calados, "concentrados". No final da subida, o "Ultra" agradeceu-nos a companhia, pelo que desatámos todos a rir. Mas deu para entender que o facto de ir junto com algumas pessoas fazia para ele toda a diferença, depois de muitos km em solitário.

E lá fomos pelas serras, com uma subida acentuada perto dos 10 km e a chegada, perto dos 20km à Capela de Nossa Senhora da Penha, com uma vista fantástica sobre Castelo de Vide. Na descida "radical" da Capela para o abastecimento, sobre as rochas, existia uma corda para ajudar os atletas, dada a dificuldade do ponto.

E seguiram-se várias subidas e descidas, algumas mais difíceis, outras nem tanto, até chegarmos à Ermida da Penha, com vista para Portalegre, após uma descida bastante inclinada. Junto à Ermida estava o último ponto de abastecimento a 5 km da meta, o que era uma perspetiva agradável. Não tão agradável era o conjunto de muitos lanços de escada que tivemos que descer logo  a seguir e que se revelou um verdadeiro "tormento" para alguns companheiros da "Ultra", já bastante desgastados.

No final da escadaria eram caminhos acessíveis por estrada e por estradões em direção à meta, pontuados por alguns pontos mais radicais como passar por cima de  alguns gradeamentos ou por um muro junto a uma ribeira, onde era necessário fazer algum "equilibrismo". A 3 km do final apanhámos um forte aguaceiro, ao qual se seguiu o Sol de novo a brilhar. E assim chegámos ao Estádio dos Assentos, com uma agradável pista de "tartan" onde estava o ponto mais desejado destas "aventuras", a  linha de meta, que passámos juntos, depois de quase 7 horas, a  correr e a andar.

A seguir, o banho retemperador e um agradável almoço numa zona interior do estádio,
com sopa de tomate e migas com carne,  dois pratos tipicamente alentejanos, muito saborosos.

Em resumo, uma prova com excelente nível de organização, bem marcada, com fitas, com papéis reflectores (para os que chegassem de noite), com setas pintadas no chão e nas paredes, pelo que  não nos perdemos uma única vez. Com bons abastecimentos, muito diversificados e pessoas da organização a indicar o caminho  nos locais onde tínhamos que passar por cruzamentos em estradas.

E com uma originalidade muito ambiental. No "kit" fornecido pela organização estava incluída uma caneca em plástico que todos os atletas tinham que levar durante toda a prova, para ajudar a beber os líquidos (água, coca-cola e bebida isotónica) nos abastecimentos. E assim não existiam copos ou garrafas descartáveis. Uma bela ideia, a ser seguida por outras organizações do género.

No final, outra originalidade: uma "medalha" em cortiça, que nos dá a garantia de não enferrujar com o tempo.

Caneca para líquidos e medalha de cortiça
 Em resumo uma excelente prova, muito bem organizada, com passagem por paisagens e locais de enorme beleza, com dificuldades diversas, a qual sugiro coloquem na vossa agenda de "Trilhos" a fazer.

Runabraços

PS

O Luís Matos Ferreira terminou num impressionante 21º lugar da classificação geral e ficou em 3º lugar no seu escalão. A Luísa Ralha ficou em 3º lugar no escalão. Parabéns a ambos


terça-feira, 14 de maio de 2013

Ronda. Ou o efeito Bola de Neve!


Começo pelo início. Há uns anos, após muito sedentarismo, excesso de peso, gorduras. Decidi mudar de vida e reverter a situação: Fazer caminhadas. Depois começar a correr. Fazer uma Mini Maratona. A seguir, "inventar" tempo, reorganizar o dia a dia, buscar incentivos para continuar a correr. Correr 10 kms. E 15 kms. Treinar para a Meia Maratona. Variar os pisos: começar a correr trails. Depois treinar para a Maratona. Correr em areia, trails de pisos mais suaves, em pisos mais duros...
Descobrir que me sinto bem em atividade: treinos e treinos. lesões e recuperações. Provas e mais provas. Maratonas e mais Maratonas. Querer mais e mais. Treinar para aumentar as distâncias. Correr ultra trails. E um dia perguntaram-me: 101 kms de Ronda? Respondi: Why not?
Foi assim que cheguei a Ronda. Este hobby tem um efeito bola de neve. Não sei até onde levará, nem quais as consequências. Questiono-me se será melhor ficar-me por aqui.

O nosso 101 kms de Ronda, foi um Fim de semana extraordinário por Ronda e nos arredores, com uma excelente companhia. Pequena cidade espanhola na Andaluzia, antiga, com belíssimas paisagens, miradouros e monumentos.
Fomos levantar os dorsais e deu para perceber a enorme logística desta prova. Organizada pelos militares de "La Legión".
Entre várias importantes ações que os militares fazem de apoio à sociedade, esta é uma boa ideia que transmite uma imagem moderna das Forças Armadas. Parece-me que teve algumas falhas, entre as quais a entrega das mochilas em Setenil, e os problemas com o controlo de tempos, mas o saldo parece-me muito positivo.
Na manhã de sábado lá fomos para o estádio, e encontramos muitos companheiros que também iam participar nesta prova. Primeiro partiram as bicicletas e às 11h depois do discurso do General e dos gritos de viva a Espanha, ao Rei e à Legião, partiram os cerca de 3000 marchadores.


A minha prova correu-me bem. Talvez pudesse ter sido um pouco melhor. Otimismo a mais até cerca do km 30, que era mais fácil. Paguei bem no final em que já estava cansado e fartei-me de caminhar.
A 2ª parte do percurso, passa pelo abastecimento de Setenil com apoio de mochila (km 60), e vai até ao Quartel da Legião (km 80), tinha grandes declives mas um piso fácil. Bela paisagem pela Serrania de Ronda.
Passei em Setenil com 7h de prova, o que estava a achar muitíssimo bom, mas que vim a pagar mais á frente.
Nesta parte, deu para caminhar a recuperar nas subidas, e para correr suavemente na horizontal e aproveitar as descidas, entre as quais uma descida longa e acentuada e em cimento, que fazia já alguma mossa nos joelhos.
Entrei no Quartel da Legião (km 80), com 10h de prova, fiquei no Quartel 30 minutos. No Quartel, entrei ainda de dia, e saí já de noite, jantei, troquei de meias e coloquei o frontal.
Quanto à mochilas, usei os 2 apoios de mochila (em Setenil e no Quartel), mas fui carregado cheio de coisas que não usei (apenas usei a minha garrafa com sumo de limão e sal, troquei de meias para umas secas e coloquei o frontal). A logística e o perfil da prova, não justificavam que eu levasse tantas coisas. Se voltar a fazer esta, levo menos coisas.
E lá continuei. Este descanso no quartel deu-me um novo alento. Mas os 20 kms finais pareceu-me a parte do percurso mais difícil, o piso já não era liso, e eu já não dava mais. Uma dor no pé também não ajudou nada.
Uma grande subida, a que chamam o "Purgatório", que na sua parte final tem um single track fácil, e depois uma descida acentuada, passa pela Ermita de Montejaque, e continua em desces e sobes, passando por um caminho ligeiramente técnico. Fiz como ainda pude, sem nenhum alento. Estilo "Maria vai com as outras". Para mim, já tinha ultrapassado o meu maior tempo e distância, a única coisa que queria era chegar ao fim bem.
Os últimos 2,5 kms foram uma subida acentuada para Ronda. Quem nos acompanhou sabe bem o que estou a dizer. Quando entrei em Ronda, faltava cerca de 1 km, fiquei cheio de vontade de correr. A Joana e a Luisa, ainda me acompanharam, a Elsa, a Guida, o João e o Nuno a apoiarem.
Nesse momento, ao ver o Nuno Tempera estava convencido que a prova lhe tinha corrido bem, mas infelizmente aconteceu-lhe um azar e tomou a decisão sábia de parar no momento certo.
Deu para terminar com grande ânimo em Ronda na Alameda del Tajo, quase 15h depois, e soube muito bem.
Só falta aparecer na classificação... não sou o único, a Maria João e o Teodoro Trindade também não aparecem lá e também terminaram esta grande aventura. O Teodoro junto com o Jorge Esteves e o Miguel San-Payo.
Apesar de tudo, embora sem percursos técnicos e difíceis, não foi tão difícil quanto eu esperava. Agora relax!
A 1ª com 3 dígitos, vai ficar para sempre na minha memória.
101 kms de ótimas recordações e muito mais estórias de um excelente fim de semana. Agradecimentos para os acompanhantes que vieram connosco, particularmente os Ralhas, e que foram um apoio muito importante para quem participou nesta aventura. Agradecimento para os companheiros Carla André, Rui Pedro Julião, Heitor Gomes e Pedro Quina, que estavam alojados em Montejaque e após o fim da prova, me disponibilizaram um local sossegado para repousar umas horas.
Gostámos tanto que nem queríamos regressar de lá... Deu direito a um regresso muito animado. Um fim de semana imperdível. Já estou com saudades.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Atleta em destaque

Helena Bárrios



Mini Maratona Vasco da Gama







Helena Bárrios

43 anos, Médica







A  Helena é a mulher do nosso extraordinário atleta Luís Matos Ferreira. Sem dúvida que são a família mais desportiva do Run 4 Fun, pela presença frequente e sempre simpática nas diversas provas que fazem, a Helena, o Rui e a Rita a caminhar, enquanto o Luís participa na versão corrida


1.       Há quanto tempo corres?
Não faço propriamente corridas. Incentivada pelo Luís, e para envolver a família nos eventos desportivos, comecei a fazer caminhadas. A primeira foi a mini maratona da ponte Vasco da Gama em 2009, acompanhada pelos meus filhos (a Rita tinha na altura 6 anos).

2.       Porque corres?
Em 2010 começámos a fazer as caminhadas das provas de trilhos. Gosto particularmente deste tipo de caminhadas, pela envolvente natural, por descobrir zonas de Portugal que não conhecia, pela oportunidade de aproveitar o fim-de-semana em família para passear e (depois) descansar.

3.       Quantas vezes treinas por semana?
Não treino regularmente.

4.       Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A caminhada que mais gostámos foi a do 2º trilho dos abutres em 2012. Porque o percurso apresentava uma série de desafios, em que nos divertimos muito. Também gostei de todas as caminhadas do AX trail, pelo profissionalismo dos guias, que nos deram a conhecer factos interessantes sobre a natureza e costumes das regiões por onde passámos. De referir ainda a prova 11K do Swissalpine, uma prova em que também participámos em família, mas que por ser uma prova competitiva, foi um desafio diferente.

5.       Quais os teus próximos objectivos?
Continuar a participar neste tipo de actividades, e divertir-me com isso.

6.       Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Não. Admiro muito quem tem a capacidade e coragem de completar um desafio desse tipo.

7.       O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
Um clube de gente divertida, saudável, e inspiradora. Outros membros do clube também participam nas caminhadas e são um grande incentivo e uma óptima companhia. Para além disso o clube organiza eventos interessantes e divertidos, como por exemplo a Páscoa em Constância, os jantares, e muitos outros.

8.       Uma mensagem aos novos membros do Clube
Vão concerteza sentir-se bem acolhidos por todos os membros do clube, tal como eu me senti, apesar de ser apenas uma “caminheira”.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Aniversariantes de Maio

No mês de Maio temos os seguintes aniversariantes.


Desejamos a todos um feliz dia!!!