sábado, 30 de novembro de 2013


TREINO DOS ELEVADORES 2014



Boa tarde a todos,

O Paulo Curto de Sousa e eu agendámos o próximo Treino dos Elevadores 2014 para o dia 12 de Janeiro de 2014 com saída ás 08:00 da manhã do cimo do Parque Eduardo VII.
Apareçam.
RunAbraços

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Atleta em destaque

Paula Carvalho








Paula Carvalho

41 anos, Técnica/Comercial













Surpreendentemente …ou talvez não, a Paula fez a 1ª ultra de trail antes de completar a 1ª maratona de estrada. E logo numa prova em que vários participantes disseram que foi do mais duro que experimentaram. Mas com treino tudo se consegue, desde que se acrescente a necessária coragem e uma certa dose de “loucura”. A Paula nem era para participar e foi uma decisão na última semana. Lídima representante do grupo dos “locos que corren”.



Há quanto tempo corres?
Faz este mês 3 anos que comecei a correr.

Porque corres?
Corro porque gosto, porque me divirto, enfim porque me dá imenso prazer.

Quantas vezes treinas por semana?
É muito variável. Há semanas que não consigo correr, há outras que corro quatro dias seguidos.
Não é um bom sistema, mas é o possível.

Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A prova que mais gostei de fazer foram os 21 km do trail de Sicó. Talvez por ser o meu primeiro trail. Estava um tempo agradável, o percurso era muito bonito, o grupo era fantástico e os abastecimentos surpreendentes.
A prova que mais me marcou foi a última… O Grande Trail de Serra d’Arga, 42 km de pura dureza.
Tempo estava péssimo, de tal modo que nem a beleza desta serra, que me é tão familiar, era perceptível. Foi uma prova muito difícil.

Quais os teus próximos objectivos?
Apesar dos trails serem a minha preferência, o meu próximo objectivo passa pelo alcatrão. Gostava de até ao fim do ano baixar claramente das 2h na meia maratona.
Para o ano gostava de repetir a Serra d’Arga, mas desta vez melhor preparada.

Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
A maratona de estrada ainda não. Em trail completei os 42 km da Serra d’Arga.
A minha recente experiencia no terreno veio confirmar aquilo que sempre achei, uma maratona é fazível, mas para ser feita com prazer e diversão tem que ser bem preparada.

O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
Os Ru4Fun são para mim os amigos das corridas, são o não correr sozinha, são a entreajuda.
O companheirismo é notório.

Uma mensagem aos novos membros do Clube
Seja qual for o motivo que vos leva a correr tirem o melhor partido desta actividade. Corram com boa disposição, sem stresses … enfim façam-no apenas pelo prazer de correr.
Este é o Clube certo!!!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Atleta em destaque

Paulo Curto de Sousa

 

 


 

 

 

Paulo Curto de Sousa

47 anos, Bancário

Um dos  fundadores dos Run 4 Fun, que mediante um excelente plano de preparação que cumpriu com grande rigor,  e com uma sensível redução de peso, chegou em boa forma à sua 1ª maratona que concluiu, recentemente,  com um sorriso nos lábios. E agora vais ganhar o tempo perdido....fazendo mais umas quantas.....

 



   Há quanto tempo corres?
Corro desde 2007, por influência e desafio do Paulo Marcos.

   Porque corres?
Há 3 anos quando me fizeram a mesma pergunta respondi: “Sobretudo porque me sinto muito bem quando corro”. Passados estes anos continua a ser a principal razão! E sinto-me bem devido às pessoas que me acompanham e que fazem o favor de aceitar a minha companhia, dos desafios cada vez mais exigentes e pela partilha de experiências que me permite evoluir não só como atleta mas também como elemento de um grupo cuja dinâmica vai muito para além da corrida.


    Quantas vezes treinas por semana?
4 vezes, fazendo sempre o possível por diversificar os locais e tipos de treino. Vela Latina, Expo, Sintra, Marginal… Contínuos, Rampas, Intervalados.

   Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A prova que mais gosto continua a ser o GP Fim da Europa por ter um enquadramento e percurso únicos e pelo grau de dificuldade que tem. A que mais me marcou não podia deixar de ser a minha primeira Maratona. Foi no passado dia 6 de Outubro em Lisboa. Marcou-me não só pela concretização de um objetivo há muito definido, mas sobretudo pelos estímulos que recebi de todos os presentes (família e amigos), que foram determinantes para conseguir concluir a prova.

   Quais os teus próximos objectivos?
Depois de fazermos a primeira Maratona o objetivo só pode ser… a segunda. E já está no calendário: 23/02/2014 em Sevilha

   Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Sim. Trata-se de uma prova que não custa muito fazer (!), pelo menos comparado com o plano de treino que temos de cumprir. Sempre tive a ideia que o que custa numa maratona é a fase de treino. A prova em si é para desfrutar o resultado do trabalho que tivemos nos meses anteriores. E confirmo que assim é…  e claro que é difícil… mas não custa muito…

    O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
O R4F para mim continua a ser um grupo de amigos que se juntam com o mesmo propósito: correr em boa companhia! Independentemente se os conhecemos há 2 dias, 2 semanas ou 2 anos. É a característica mais forte do nosso grupo: a Amizade! A entreajuda entre os elementos do nosso grupo também é uma das nossas marcas, materializada no Grupo Network Run 4 Fun.

   Uma mensagem aos novos membros do Clube
Corram muito, superem-se, desafiem-se… mas sempre pelo prazer de correr… 4FUN!

Com orgulho… mas soube a pouco!


Não vou fazer uma maratona de palavras, vou ser breve.
A responsabilidade com que enfrentei este desafio era grande. No passado dia 7 de julho recebi como prenda de aniversário (“envenenada”) dos meus filhos a inscrição na 10ª maratona do Porto.
Além de ter de realizar os desejos deles e chegar ao fim… e cheguei, tinha como 2ª intenção fazer tudo a correr… mas tive de andar e como 3ª intenção chegar ao fim perto das 04:20… foram 04:40…!!!
O João logo se disponibilizou para, além de organizar toda a logística, me acompanhar do princípio ao fim. Sempre a apoiar-me, a controlar-me e a incentivar-me.
E às 9:00 do dia 3 de Novembro lá partimos com toda a determinação e intenção de ser bem sucedido. E estava tudo a corre muito bem… ao km 30 com cerca de 03:00 ia adiantado em relação ao que estava à espera. A energia estava a 100% e o fôlego era muito.
Mas… há sempre um mas… ao km 34 apareceu uma dor no joelho que se foi agravando, que me fez quebrar e em que a certa altura pensei desistir… mas arrastei-me até ao fim com o João sempre ao lado (e a certa altura com a companhia do Magalhães) sem me deixar desmoralizar e a incentivar-me com as palavras que a maratona também se faz a andar. Ou seja mais ao menos desde o km 35 foi um andar, correr, andar, correr… até a 1 km da meta em que ao avistar a Susana e demais “run 4 fun’s” que torciam por nós, lá me enchi de coragem e fiz um esforço final. Aqui a Patrícia nos últimos metros foi inexcedível no apoio.
Cortar a meta (com uma lágrima no olho) e levar um abraço do João foi o meu melhor prémio. A ele devo este “feito”!!! Aos outros “Run 4 Fun” (e foram muitos) o meu obrigado pelo convívio e apoio.
Agora tenho de me preparar para cumprir os outros 2 objectivos: acabar sem andar e em menos do que 04:20. Venha a próxima!!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Talvez não a minha última maratona

Foto Corredor de Montanha (UltraMaratonista)
Não era uma ambição minha fazer uma maratona. Eu não gosto nada de sofrer :-) Estive no quilómetro 40 da Maratona de Lisboa este ano e vi mesmo muito sofrimento. No ano passado estive na meta da Maratona de Lisboa, e foi inspirador ver os maratonistas cortaram a meta com tanta alegria. Mas mesmo assim não me entusiasmei sobre a ideia de a fazer um dia – e costumava citar a entrevista com Carlos Sá que nunca fez a maratona da estrada.

Nas poucas corridas de estrada animo-me pensando que isso pode ser um bom treino para os trilhos. Prefiro os trilhos pelo contacto com natureza, o impacto de alcatrão parece-me duro e monótono, e nos trilhos facilmente se arranjam oportunidades para abrandar um pouco quando quero correr mais calma.

E foi num trilho na Arrábida feito um pouco demasiado calmo porque aparentemente estive a falar sobre “talvez fazer uma vez a maratona”, e assim fui desafiada pelos fãs de maratonas – acabei a prometer pensar a sério nisso. Mas não tive tempo para pensar, porque no dia seguinte em Almeirim apareceu um dorsal disponível para a maratona do Porto. Gosto muito do Porto. E toda a gente diz que a maratona do Porto é muito bonita e muito bem organizada.

Na última semana antes de uma maratona só resta a relaxar, dormir e comer bem – e fiz isso à risca. Comprei calções com bolsos grandes e quatro géis, e porque a costureira da minha rua não podia pôr fechos nos bolsos até ao Sábado, fui eu que os fiz à mão – não queria perder os géis durante a corrida. Na 6ª feira considerei pedir emprestado um relógio desportivo, mas já não havia tempo para estudar um aparelho, e apesar disso não sabia exatamente qual ritmo deveria seguir. Pronto, vou seguir o meu ritmo interno. Sabia que tenho de encontrar um ritmo suportável para muitas horas e muitos quilómetros.

Grande romaria dos R4F ao Porto, depois do jantar dormi bem e tive bastante apetite no pequeno-almoço. Mas depois de vestir-me para a corrida estava apreensiva dos quilómetros e quilómetros de alcatrão. Na partida vi muitas caras queridas e inspiradoras, e cada momento fiquei mais e mais emocionada.

Foi um alívio começar a correr. Cada quilómetro feito é um quilómetro menos para fazer. O tempo foi ideal, o percurso bonito e dinâmico. Gosto de ver os outros corredores correndo no sentido contrário, muitos amigos e conhecidos. A primeira metade corri com o Miguel Duarte, e apanhámos o Luís Boleto durante algum tempo, e assim a primeira metade passou rapidamente, senti-me bem. Como até ao 20 km só houve água nos abastecimentos, levei uma garrafa de Coca-Cola, para suportar-me com açúcar e cafeina, e esta garrafinha chegou além do 25 km. Não me apeteciam nada os meus géis.

Segunda metade corri sozinha, os quilómetros tornaram-se mais compridos, comecei a procurar com atenção as placas de distância e fiquei feliz por atingir cada uma. Pela primeira vez parei no abastecimento do 35 km, e demorei bastante tempo porque não conseguia abrir a embalagem da marmelada, e o voluntario com luvas plásticas tão-pouco, mas chamou alguém do lado para abri-lo para mim e valeu a pena esperar para este cubo de marmelada porque soube bem e também a paragem soube bem. Os últimos quilómetros tornaram-se curtos, parei outra vez no 40km para beber isotónico, vi a claque de apoio de R4F e tinha a companhia para o início da subida final, e os últimos 2195 metros pareciam mais fáceis.

Meta. Terminei. Não foi fácil, mas não sofri. A experiência foi muito mais positiva do que estava à espera. Foi mesmo um bom treino para os trilhos :-) Geri relativamente bem o ritmo e o esforço. Se não tivesse terminado esta vez dentro de 4 horas, provavelmente queria tentar outra maratona. Mesmo assim talvez volte a fazer outra maratona. Ou talvez não. Mas se saúde e o futuro permitir, provavelmente sim. Não por causa de melhorar o tempo. Um pouco menos do que 4 horas já é bom para mim, para baixar isso precisava sorte com saúde e com o tempo no dia da maratona e a boa disposição geral, e alguns treinos específicos seguramente ajudavam e planear como alimentar-me durante a corrida também. Os calções com bolsos enormes com fechos e os 4 géis já tenho :-))

Fiz a maratona do Porto por várias coincidências, e por isso para mim a partida foi mais emocionante do que a chegada. Mas terminar uma maratona é gratificante, apesar de agora já não ter nada em comum com Carlos Sá. Como já conheço o mito sobre o ácido láctico, não fiquei com dores de músculos depois da maratona. Só fico mais rica por uma nova experiência, e agradecida às muitas pessoas que facilitaram e me incentivaram fazer a minha primeira maratona – talvez não a última.

O destino baralha as cartas, e nós jogamos

O destino baralha as cartas, e nós jogamos
Arthur Schopenhauer, Filósofo, 1788/1860

NOTA PRÉVIA: Este texto reflete a visão muito pessoal de um indivíduo que correu a maratona pela primeira vez. Qualquer semelhança com a descrição de uma corrida é mera coincidência. Apenas os nomes foram omitidos para proteger os inocentes.

Adoro não saber o que o amanhã me traz.

Adoro me perder seja na Serra de Sintra ou no centro histórico de Lisboa e encontrar novas alternativas para sair de lá.
Adoro variar os treinos, umas vezes tipo hamster na estrada sempre ao mesmo ritmo, outras vezes como predador no meio do mato atrás da sua presa.
Adoro quando o destino nos prega partidas inocentes levando-nos a desviar da linha recta que traçamos.
E adorei quando alguém colocou no facebook que a Vodafone estava a oferecer inscrições para a Rock’n’Roll Lisboa através da sua app para smartphones.
Minimaratona?! Fora de questão, os meus treinos mais pequenos são maiores que isto. Meia maratona?! Já perdi a conta a quantas fiz, mas é uma opção muito boa. Maratona?! Elá, estão a oferecer dorsais para a maratona? Não sei… talvez… tenho de pensar… E enquanto pensava já o meu dedo tinha escorregado para a inscrição e na caixa do correio tinha o email da organização a dar-me os parabéns pela inscrição na MA-RA-TO-NA!



Maratona. Maratona. Maratona...
Distância mítica para celebrar o percurso que Feidípides fez de Maratona a Atenas a anunciar a vitória dos Gregos sobre os Persas. Caso a batalha tivesse desfecho inverso as mulheres que ficaram em casa deveriam matar os filhos e suicidarem-se de seguida, o que daqui podem calcular a urgência dele em chegar a casa. Tinha originalmente cerca de 40 kms, mas foi fixada em 42.195 metros nas Olímpiadas de Londres de 1908 porque a família real queria ver a partida dos jardins do palácio de verão, e lá se teve de estender a prova mais uns metros.
Ah, um pequeno aparte, parece que antes de fazer essa distância, Feidípides percorreu 240 kms em menos de 2 dias a pedir a ajuda militar de outras cidades gregas. Mas isso é outra história, e quem tiver interesse pode pesquisar por Spartathlon.

Mas o que fui fazer? Inscrição de impulso numa prova que é o dobro da distância que corro, e de vez em quando? Ainda por cima, quando faltavam 30 dias certinhos e sem treinos para a prova? AI, AI, AI! A inscrição foi gratuita, mas no dia 6 de Outubro os kms tinha de os fazer a meu custo! Mas, também se não fosse assim, nunca daria este passo pois teria de investir muito tempo em treinos, e isso… é coisa que me falta.


Podia fazer uma narrativa descritiva dos acontecimentos: de como comecei lá atrás e fui passando por vários pacemakers e gente conhecida; de como achei ridículo ter de pagar 50 cêntimos para a viagem de comboio quando a anunciavam gratuita; de como levei ameixas secas e tâmaras para ir trincando a cada 5 kms; de como utilizava mais água para refrescar a cabeça que para beber; de como treinei em 30 dias; de como cravei vaselina para os mamilos a outro corredor; de como nunca me doeu qualquer músculo ou articulação, durante ou após a prova; de como não comi massas, arroz, batatas, cereais ou outra forma de carboidratos nos 6 meses anteriores; de como não encontrei o muro; de como a temperatura esteve altíssima do princípio ao fim; de como é uma barbaridade começarem uma maratona às 10 horas; de como, de como, de como…

Mas o que realmente quero escrever aqui é muito mais importante que a corrida, no seu sentido restrito. É algo que só se sabe quando se experimenta e muito dificilmente se passa através da escrita. É do calor humano que nos une, dos amigos e da família. Daquele pequeno pormenor que faz toda a diferença, que nos comove e aquece por dentro.


Tantas caras conhecidas, a começar logo pelo gestor de frota que me acompanhou estoicamente do principio ao fim com paciência de Jó. Ora puxas tu, ora puxo eu, ora fazemos de emplastros à boleia doutros.
Na corrida propriamente dita só pensei nos primeiros 2 minutos entre o sítio que me encontrava até passar pela linha de partida. A partir daí foi um deslizar entre amigos. Até os pace makers conhecia! E os que iam atrás deles também! Afinal o mundo da corrida é mais pequeno do que pensamos, e quanto maior a distância, maior a partilha e menor o grupo.
Passei por ultra trailers, desde bancárias que teimam chegar atrasadas aos eventos, àqueles que até em Monsanto se perdem, por brasileiras que quase só treinam de madrugada e por novas maratonistas acabadinhas de fazer infiltrações ao joelho. De tudo um pouco, de pessoas que conheço melhor, outras nem por isso.

Vi, ainda a distâncias consideráveis da meta, colegas que esperavam pelos maratonistas e que teimavam em nos acompanhar mesmo em curtos espaços. E que bem que sabia! Houve muitos que me ajudaram: quem me levou a bater o PBT na meia maratona (e que eu estraguei o joelho ao oferecer-lhe um dorsal para a UMA); uma diretora de uma empresa de Biotecnologia; o nosso incansável organizador de boleias nos Olivais; e quem me convida sempre para ir fazer rampas a Sintra e não vou. Desculpa, mas vou tentar ir. E não pares de me convidar, por favor.


E na última parte, uma lebre de luxo, um ultra R4F com provas acima dos 150 kms a quem tive o prazer de estar sentado ao lado no último almoço, explicar a minha dieta e ver a cara dele a perguntar-se “Estás a brincar comigo, não estás?”

E à beira da estrada? Ofereceram-me marmelada e comi! Oh não, marmelada não faz parte do que como, mas com essa amabilidade como poderia recusar? Come e siga para a frente! Encontrei a gorda 1, gorda 2 e gorda 3 dos treinos Monsanto ao lado direito, bancárias e advogadas, que de gordas só alcunha, que, de resto, quase não as apanho. E ao lado delas uma física que dá aulas de gestão de operações. Senhora física, tenho uma dúvida sobre o Universo! Se a 2ª e 3ª Lei de Kepler se aplicam ao Sistema Solar e as leis físicas são válidas em todo o Universo, porque razão elas não se verificam a nível das galáxias e mais além? Será que existem universos paralelos em que a massa existe, sente-se mas não se vê? Será essa a explicação para a matéria e energia negra que teima em não aparecer? E por falar em Monsanto, até o organizador Húngaro lá estava, perto da meta, com a mais recente farmaceutica corredora. Oh senhora farmaceutica, tem de fazer mais séries e rampas que de cada vez que corro ao seu lado está sempre a arfar!


Tantos sorrisos, tantos gritos. Uma sensação indescritível. Parecia que conhecia toda a gente e que toda a gente me conhecia a mim: Uma formadora em Dreamwaever, pessoal amigo (muito amigo) dos últimos treinos com quem dei no duro. Até os meus primos lá estavam.

Mas também sofri bastante, podem crer que sofri, quando passava por caras muito bem conhecidas em esforço, em sofrimento, a deixarem-se ficar parar trás a correr ou a andar. Alguns estreantes, outros não.

Olha ali! Uma professora de matemática que me disse que Pi não é construtível e, logo, a quadratura do círculo é impossível. E que há alguns números irracionais que não o são e fiquei com a sensação de todos os racionais o serem. Mas, sendo assim,⅓ é construtível e a trissecção do ângulo também é possível, o que sabemos ser falso. Há algo de errado neste raciocínio, e não sei qual é Srª. Profª. Aguardo a próxima aula para esclarecer isto, assim como discutirmos uma demonstração elegante para o UTF e se P = NP. Se conseguirmos isto, temos prémio Nóbel à vista. Nobel não! Que o amor da vida Nobel preferiu um matemático a ele, e assim a matemática foi excluída da lista. Mas sempre temos a medalha Fields.

E a cada quilometro mais próximo da meta maior o envolvimento, maior a emoção. Uma sensação de crescendo, de explosão controlada, de aceleração a cada face, a cada árvore, a cada pedra que se encontra pelo caminho. A mente, curiosa, fervilha de pensamentos, conjeturas, teses e ensaios, só faltando ver os elefantes cor de rosa. Até pensei num modelo rápido para avaliar as obrigações cotadas em bolsa, recorrendo a comparações de YTM entre corporativas e governamentais. Tudo isto enquanto uma perna se vai colocando à frente da outra num ritmo cada vez mais frenético.
Tantas caras conhecidas a apoiar-me. Sim a apoiar-me! Gritavam o meu nome! O meu?!?! Estariam doidos? Estaria eu doido?
Meu Deus, onde me fui meter? Loucos que correm, loucos que nos amam, loucos que nos querem bem.


E de repente, assim como começou… terminou. Cheguei à meta com enorme alegria. Também! Com isto tudo, como poderia ter sido de outra forma?
Hão de haver mais, mas a primeira, é sempre a primeira.

ADOREI

Muito obrigado a todos os que me ajudaram e gritaram esganiçadamente por mim. E muito obrigado a ti que leste isto tudo até aqui. Deve ter dado uma canseira!

E assim se passaram 42.195 metros.
Resultado final, só para registo: tempo de chip 3:53:05; 584º em 1836 que terminaram.

Paulo Raposo

A minha primeira maratona. Jantar de patetas


Nos próximos tempos se me convidarem para um jantar ... já sei: querem fazer um jantar de patetas. Sim, uma maratona era o passo que faltava para atingir o topo desta carreira. Sou um pateta. Não faço monumentos com paus de fósforo mas consegui correr, durante mais de quatro horas, quarenta e tantos quilómetros de uma só vez. Para quê? Que patetice.







8:45. GPS não apanha satélite. Mau, querem ver que o feito não fica convenientemente registado.
8:55 O quê? Fazer de biombo numa casa de banho de senhoras improvisada a um canto? Bem ... Ok. Foram habilidosas. Os sapatos ficaram limpos.
Km 5: 120m de avanço. Calma, calma. Controlo, controlo. Ainda estamos nos preliminares.
Km 10. Abastecimento. O melhor é meter já isotónico. Em copo?!?!. Bolas, acabo de perder 100m. Rever a estratégia de paragem no próximo.
Km 14. Vou-me agarrar-me a este casal. Ritmo ideal. 70m de avanço. Ops, manter alguma distância, parece que não estão muito agradados com o emplastro.

Já estou a imaginar. Jantar. Sentamos. Ainda o pão está intacto e já estou a dar todos detalhes bem explicadinhos e bem repetidinhos do grande feito. Vai ser uma grande noite!!! Todo o mundo a gozar. Discretamente pfv.

Km 20. Abastecimento de sólidos: bananas. Não há bananas. COMO?!?!? NÃO HÁ BANANAS? NÃO HÁ BANANAS? "Já se acabaram". E agora? Confusão. Isotónico. Dois quartos de laranja. Confusão. Perdi o casal. Lá estão eles 50 metros à frente. Se pelo menos conseguir manter a distância ...
Km 22. Feira na Ribeira. "Ruben, Ruben" gritam. "Ruben, és famoso", diz o Paulo. Claro. Somos famosos. Vantagens do nome no dorsal.
Km 25. Abastecimento de sólidos. Há bananas. Há bananas. Levo duas. Como a primeira. Guardo a segunda no elástico dos calções.
Km 26. Hum ...a banana não se vai aguentar no elástico. Se calhar ainda vai escorregar para as cuecas. Epá, não é nada digno correr com uma banana nas cuecas. O melhor é come-la já. Nhanha de banana. Farto de bananas.
Km 27. Ui. Pontada, a dor na perna errada. Bolas, bolas, bolas. E agora? Abrando. Vamos ver se passa.
Km 29. Passam a Patricia e o Rui em sentido contrário. "Força Patricia, força Rui". Não se chama Patrícia. "Força Fili.. e R ..". Oxigénio parece rarear.
Km 28. Jorge a passo. "Então?". Joelho. Não estou só neste mundo


As diferenças entre o senhor Brochant e o senhor Pignon são notórias: figura, pose, traje, modo, etc, É claro quem é o pateta, salta à vista. Contudo, ainda quando treinava, a visão do pateta começa a mudar. Uma pessoa que se dedica a queimar fósforos e, com precisão cirúrgica, os vai agrupando até conseguir uma réplica da torre Eiffel não pode ser tão pateta como parece. Dedica-se, estuda, passa horas a fio a escolher, pasme-se, um pau de fósforo, aquele, o ideal para rematar o telhado ou para fazer de viga. Tem valor, parece um pateta mas o senhor Pignon tem muito valor. Contudo, não espera ser recompensado, talvez apenas um pouco de atenção, nada mais. Sente-se bem junto a outros agrupadores de fósforos. É feliz, desde que sejam discretos no gozo. Fiz muito menos, não tenho o direito de ombrear com o senhor Pignon. Vou ser um pateta de segunda, no máximo.

Km 30. Ui, segunda pontada. Mesmo sítio. Mais forte. Abastecimentos. Há tudo. Penso em Sevilha. Vou desistir. Passa a Andreia. "Vou desistir". "Nem pensar. Despacha-te. És a minha boleia. Quero chegar cedo a casa". Não resisto à boa argumentação.
Km 33. Sofrimento. Retorno. Ah ... o prazer do retorno. Vamos ver quem vem atrás. Jorge, Monica, João. Bem, ainda resta alguma dignidade.
Km 34. Dor e sofrimento. Passa o Jorge. "Cola". Nem pensar.
Km 35. Dor, muita dor e ... abastecimentos. Paro. Como. Aproveito ... verter águas. Porta da casinha fechada. Bolas. Músculos da bexiga já distensos. Alternativa, rápido. Canto. Chega a Mónica e o José. Fujo a correr. Espero que demorem a comer.
Km 36. Passa a Mónica e o José. "Cola". Nem pensar. Dignidade: zero.
Km 37. Run 4 quê?
Km 38. Passa o João, fresco.  Dignidade: zero absoluto.

O poder das coisas inúteis. O filme não pretende ser moralista, é apenas uma comédia de enganos, mas, mesmo assim, depois de uma maratona, faz-nos olhar para os patetas com outros olhos. Eu fiquei a admirá-los. Têm o poder dado pelas coisas inúteis. Uma maratona é uma coisa inútil. Gosto de coisas inúteis. Descobrem-se coisas novas nas coisas inúteis. Coisas novas: pessoas e sensações.

Km 40. Patrícia. "Força, as raparigas estão lá a frente na curva". Mesmo sem dignidade é  possível manter a postura. Contrair a lombar e  correr com estilo. Guardar algumas Kcal para o final porque não vão ter pernas para me rebocar.
Km 41. "Força Ruben, vá lá, força". Sandra e Rute ao lado a puxar. Manter o estilo. Não dar parte fraca. Ui. Dar parte fraca. "Rute ... mais devagar pfv".
Meta. Rute. Mãos dadas. Levantar os braços. Onde está o fotografo? Ali. Obrigado Rute, obrigado. Obrigado a todos. Alongar. Alonquê? Nem pensar. Dói tudo

Feita. Foi exactamente isto que me passou pela cabeça durante as quatro horas, vinte e um minutos e alguns segundos. Passei a maratona a construir este texto. Foi a observar e a conversar com senhor Pignon que me entretive. Quando estive para desistir, ao Km 30, para além do tom ameaçador da Andreia, foi também o texto alinhavado que me fez continuar. Deitar 30 Km fora e um texto alinhavado era um grande desperdício. DESPERDÍCIO? Realmente, saí-me cá um pateta. De segunda



terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Minha Primeira Maratona - Filipa Ferro

A minha primeira maratona. Ainda não estou em mim. Eu fiz mesmo uma maratona? O meu novo look diz tudo! Há quem mude de penteados, mas eu cá sou mais original e mudo de andar… E ao que parece ganhei-o depois da maratona. É uma espécie de brinde que o corpo me dá por correr tanto quilómetro… Tenho um corpo mesmo muito generoso, podia ser pior! Isto de começar a escrever sobre a minha primeira maratona faz-me relembrar porque é que comecei a correr. Ora, eu odiava correr. Achava a coisa mais disparatada que alguém podia fazer… Até que uma amiga minha insistiu vezes sem conta para eu experimentar. “Oh Flávia, como é que achas que vou correr, eu que fumo que nem uma chaminé?”- perguntava-lhe completamente incrédula nas minhas capacidades de corredora. Até que um dia fui correr com ela e aprendi a respirar, a correr com calma… E dou por mim a ir sozinha. Inclusive em Águeda, quando corria, até já me achava uma grande atleta por correr 2 km seguidos em descidas. 
Entretanto, comecei a ver que não estava propriamente elegante, o meu corpo, todo ele era um escândalo, qual watergate qual carapuça, eu era mais gordura gate! Um saco de batatas andante. Resolvi inscrever-me num ginásio. Depois, lá descobri um livro muito interessante e fiz uma dieta espectacular na qual perdi mais de 10 kg… Nessa mesma altura, já tinha as próprias instrutoras do ginásio a dizerem-me que aquilo não era para mim, que necessitava de algo mais intenso. E foi assim que descobri o TFM (treinos físicos militares). Mal eu sabia onde isso me ia levar. Começa aqui a minha odisseia na corrida. No TFM, os instrutores, para além de nos darem umas aulas puxadotas, também nos incentivavam a participar em corridas. Dei por mim a inscrever-me na mini-maratona da ponte 25 de abril. Lembro-me de na altura ter pensado que o que gostava mesmo era de fazer a meia-maratona, isso é que seria de nível! Claro que com os treinos TFM, um pouco de corrida aqui e ali… Dei por mim inscrita numa meia-maratona, a da ponte Vasco da Gama. Confesso que não tinha ponta de treinos de corrida. No TFM treina-se corrida, mas pouco, comparativamente ao necessário para provas. Apenas aos fins-de-semana é que corria um pouco mais, para além de naquela altura ainda fumar. Adorei a prova da meia-maratona e fiquei com o bichinho de querer fazer mais. Para além disso foi uma prova fulcral porque me fez pensar que tinha mesmo deixar de fumar. Não fazia sentido nenhum estar na fila para os autocarros e fumar um cigarro antes de ir para uma prova de grande exigência física… Com o estímulo da prova e mais uns comprimidos champix à mistura lá consegui deixar de fumar… O mítico 9 de Outubro! O tempo foi passando, os treinos TFM intercalados com corrida, até que conheço o José Carlos Melo. Outro mundo novo da corrida. Foi com ele que conheci os Run4Fun, e foi ele que transformou o “monstro”! No fundo o José Carlos Melo é o meu “padrinho” das corridas. Sempre a desafiar para novas corridas, para provas diferentes, até que, e aqui é que começa a verdadeira odisseia da maratona, num dos (tantos) dias de greve do Metro, resolvemos ir do Rato até ao Lumiar a pé. Conversa puxa conversa e inevitavelmente falamos de corrida. Ora, eu já estou inscrita para a maratona de Sevilha há imenso tempo (que ocorrerá em 23 de Fevereiro), e estivemos a falar de que necessitava de vários treinos longos para ver se aproveitava a prova como deve ser, ao que perguntei “mas tipo o quê?”. Ao investigar as datas de provas ainda me tinha lembrado de uns “trailzinhos” de 40/50 km, ao que o Zé Carlos abanava a cabeça, e até que me disse, “É um pouco arriscado, mas posso sugerir-te a maratona do Porto!”. Na altura fiquei completamente apreensiva, “não estou preparada, nunca corri mais do que os 21 km de meias maratonas, quanto mais agora uma maratona completa”. Dei o assunto como arrumado e não pensei mais nisso… No dia seguinte fazia exatamente um ano em que o tabaco tinha deixado de fazer parte do meu dia a dia, o mítico 9 de Outubro! Pensei numa prenda que pudesse dar a mim própria pelo meu feito. E vai daí que magiquei, “Giro, mas mesmo giro, era festejares isto com uma coisita pomposa”. Pensei, repensei, e veio-me a história da maratona à cabeça, “É mesmo isso!”. Tratei de me inscrever, da logística, e fiquei toda contente. Mas entretanto, o meu corpo pregou-me uma partida… Não basta ter o Morton meio adormecido, que o estupor passado uns dias (devia ser da emoção) deu-me uma magnífica dor atrás do joelho, que se alojou dias e dias, e semanas… Mas confesso que após a inscrição isso nem me incomodou muito, porque a verdade seja dita, não são só os velhinhos têm a idade condor, os desportistas em vez de terem a idade é o estado. É raro o dia que não se tenha uma ligeira impressão aqui, outra ali (é o “condor” aqui, “condor” ali)… Felizmente no fim-de-semana após a inscrição o Ruben Costa sugeriu-me um treino longo de 32 km. E lá fizemos! Foi magnífico sentir que conseguia correr 32 km, e isso deu-me força para a maratona. “Eu vou conseguir!”. O meu único problema era a estupida da dor atrás do joelho que não passava nem com nada. Era transact, ficava um bocado melhor e desesperava-me porque todos os dias à noite, optimista, pensava que no dia seguinte estaria pronta para outra mas não, a sacana da dor queria mesmo ser de estimação! No fim-de-semana da véspera fui a Almeirim e o estupor não se manifestou muito, por isso pensei que se ia aguentar à bronca dos 42 km, e aguentou! Vamos rumar ao Porto! Vamos desfrutar de uma prova magnífica! 
     Confesso que não fazia ideia de como funcionava. Nem sequer tinha a noção de que os autocarros em que ia eram da organização. Logo de manhã no sábado de véspera estava com aquele nó no estômago, do como será. Deixem-me esfregar os olhos e acordar e ver mesmo que eu vou fazer uma maratona. Era interessante ver a quantidade de pessoas que se encontravam para esta aventura. Era giro observar as conversas, a troca de ideias sobre provas, quais as que devem ser feitas, os conselhos… Mal chegamos ao Porto fomos directos à Alfandega levantar os dorsais e aproveitar o almoço fornecido pela organização. Parecia o caos! Paralelamente à maratona estava também presente uma conferência sobre tuberculose, e nesse sentido era um amontoado de pessoas que às tantas já nem se sabia quem era de o quê. Fiquei a admirar a Aurora Cunha por vê-la ali a apoiar todos. Para mim passou a ser uma referência nacional. 
 (Foto roubada indecentemente ao José Carlos Melo)

A fila para o almoço parecia uma cantina universitária em hora de ponta. Estivemos não sei quanto tempo à espera para ir para a “pasta party”. Pelo menos foi interessante saber que na Alfandega havia uma parte de baixo onde deu para montarem uma cantina gigante na qual serviam massa com carne (vulgo “Bolonhesa”), pão, bebida, gelatina e fruta. Não sei se foi da fome, do convívio ou do quê, mas soube tudo bem! Após o almoço rumámos ao hotel, escusado será dizer que os autocarros se tinham atrasado e chovia imenso. Na Boavista, refugiamo-nos na casa da Musica. Ficamos imenso tempo à espera que o céu fosse mais simpático e não enviasse tanta água. Mas não ouviu as nossas preces e tivemos de chegar ao hotel completamente encharcados. O objetivo era organizar tudo e prontificarmo-nos para ir jantar cedo. Ainda demos umas voltas pelo centro comercial do lado e fomos jantar a um restaurante supostamente italiano.   Uma diferença entre o norte e o sul encontra-se no atendimento em restaurantes. Acredito que até pode ter sido um caso pontual, mas senti que era geral. Dizem o que têm a dizer. Parece que não há aquela espécie de código de conduta do tipo “o cliente tem sempre razão”. Neste restaurante específico deu ideia que não estavam habituados a tantas pessoas e ainda por cima ao mesmo tempo. Já nos ríamos com o que a senhora dizia. “Oh menino, eu tenho de trabalhar!”. A pior parte é que se esqueceram do meu jantar! A minha sorte foram as queridas Mónica e Marta que me deixaram deliciar com parte da pizza de cada uma! Quando estou em vésperas de provas tenho sempre pesadelos com as mesmas, e são quase sempre os mesmos. Sonho que nunca vou chegar a horas às provas e que a malta que está ao meu lado está mais do que tranquila em chegar mais de meia hora atrasado. Mas não cheguei atrasada. De manhã, tudo preparado a tomar o pequeno almoço. O nervosismo para a prova pairava no ar. Havia quem fosse fazer apenas os 16 km e dar apoio aos maratonistas e futuros maratonistas, o que tornava tudo ainda mais especial. Foi a minha estreia em prova como Run4Fun. Levei uma t’shirt carinhosamente emprestada pela Sandra Simões. Sentia uma responsabilidade em mim. “Vais acabar isto, mas acima de tudo, divertir-te”. 
(Foto roubada indecentemente ao José Carlos Melo)

 Procurei andar sempre a par com a Mónica, com a Marta e com o Tiago. A prova começou com uma enorme subida até à Boavista, e depois entramos pela Avenida da Boavista. Confesso que há anos que não ia ao Porto. Lembrava-me de algumas coisas, e o interessante aqui é a diferença entre grande e pequeno que ganha relevância após imensos anos. Lembro-me em pequena de achar o início da Avenida da Boavista gigante e passei por lá e vi que é como qualquer avenida normalíssima. A nostalgia enquanto a correr apodera-se de mim. Fico maravilhada a olhar para todos os lados. O mar ao fim da avenida e eu a alcançar. O Castelo do Queijo mesmo ali à frente. Rumar até ao Porto de Leixões. Zonas características e outras mais modernas. O cheiro a maresia a ser confundido com o próprio cheiro da transpiração. Do nosso lado direito sentimos os barcos a tentarem-nos desejar boa sorte com pequenos ressoares. Voltamos ao Castelo do Queijo. As ondas pareciam comunicar connosco. O mar aparentemente bravo quase nos tenta tocar com os seus salpicos. Entramos na zona da Foz. Não me lembrava que fosse tão extenso. Porto de um lado e Gaia do outro. Ali a correr no meio a par com o rio Douro sinto-me como se estivesse a ser abraçada pela cidade. Olhava vezes sem conta para cima, sentir o Porto a acolher-me na sua majestosidade. Passamos pela zona da Ribeira e somos confrontados com uma feirinha, de um lado os cafés e do outro umas bancadas com bugigangas. A simpatia emanada pelas pessoas ainda nos torna mais fortes. Era giro ver os Espanhóis e Franceses a apoiarem os atletas com as bandeiras e todos pintados. Magnífico. Adorei passar na ponte D. Luís. Sentir o barulho de cima e a agitação da zona. O comercio que por ali estava e as pessoas que iam falando connosco. Haviam atletas que já tinham dado a volta e era ouvir malta a chamar pelo nome de cada um. Sim, outra coisa espectacular que a organização fez foi colocar o primeiro nome de cada atleta no dorsal. Aparentemente parece funcionar o facto de chamarem pelo nosso nome. Sentimo-nos mais fortes. Atravessando Gaia e dando a volta… Começo a sentir o efeito do muro. Senti que aí há uma grande luta interior. 
Ouço a minha vozinha interior a dizer que está quase. A voz mauzona começa a dizer que não vou aguentar. A vozinha pequena levanta-se e diz à grande que se vá catar. A mauzona tenta a todo o custo levantar-se e impor-se. “Já só faltam 7”. Começo a ver os senhores da cruz vermelha de um lado para o outro. A voz mauzona pergunta porque é que não aproveito a boleia. A voz pequenina riposta com “Daqui a meia dúzia de minutos és uma maratonista, e também, faz de conta que são os últimos 5 da meia que nesses também abrandas”. Aos 40 km vejo o Zé Carlos, que vem ter comigo e acompanha-me carinhosamente até ao final. Lembro-me perfeitamente de falar comigo e eu sentir-me quase em modo piloto automático. Quase só a saber responder sim e não, como se estivesse no estado em que “o tico foi de férias e o teco está em coma”. Vejo as meninas do Run4Fun a dar força, mas eu sinto-me sem esta. Só quero chegar à meta. São só meia dúzia de metros. Vejo a Marta que me tenta também animar. “A Mónica e o Tiago também já cá estão! Ora vamos lá!” Tentei acelerar um pouco. Confesso que a ver o relógio com o tempo me deu quase vontade de chorar. Consegui. Consegui correr 42 km! Ainda meia atarantada! Fotos e flashes e alegria por todos os cantos! Por instantes passa o filme todo do maravilhoso fim-de-semana. Sinto uma enorme vontade de agradecer a todos. Sentir quase todas as pessoas com quem lido. Amigos, conhecidos, malta da corrida, malta sem ser de corrida, que directa ou indirectamente, me ajudaram. Sinto que estavam ali comigo a ajudar-me incondicionalmente. Um beijinho para todos!
 (Já não é uma foto roubada indecentemente ao José Carlos Melo)

Maratona do Porto e Family Race

Mais uma grande participação Run 4 Fun com 28 maratonistas e 6 "family racers", todas mulheres, que no futuro próximo também irão fazer a "big one".!!??

Acima de tudo muito "Fun" antes, durante e depois da prova, como se pode constatar na foto.


Temos 6 novos maratonistas com o Fábio Varanda a demonstrar enorme determinação em concluir , apesar  das dificuldades físicas, desde a fase inicial da prova, com destaque para o César Moreira que o acompanhou praticamente toda a prova. 

Mais duas novas maratonistas, a Ana Grosnik e a Filipa Ferro e três outros novos maratonistas, o Bruno Lencastre, perto das 3:30, o Ruben António Costa e  o José Manuel Veiga, sempre "rebocado" pelo filho e maratonista precoce, o João Veiga.


Esperamos que os novos maratonistas aqui nos contem as suas "histórias".

Obrigado à nossa "animadora-mor" a Patrícia Calado pela organização dos convívios à refeição  e pela alegria, sempre presente.

Runabraços

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

"Cabeças" de cartaz

Deve ser coincidência, mas num curto espaço de tempo aparecemos a "promover" duas provas, de grande prestígio: a Corrida do Monge e a S. Silvestre de Lisboa.

No 1º caso, a nossa excelente e ultra premiada "trailista", Ana Grosnik, com o seu ar descontraído numa prova, próprio de quem corre trilhos com a maior das facilidades.


Ana Grosnik...na maior das calmas

No outro caso, após a conclusão da prova de 2012(?) o, o Raul Matos, o Cláudio  Monteiro, o Guilherme Oliveira Martins (parece que fez grande esforço....ehehehheh) e o Nuno Tempera (que parece que nem correu....), juntos com o nosso amigo e recente ultra do Mont Blanc, o Paulo Pires.



Paulo Pires, Raul Matos, Cláudio Monteiro, Guilherme Oliveira Martins e Nuno Tempera

Runabraços