sábado, 27 de abril de 2013

Scalabis Night Race – a grande festa Ribatejana!

O dia 20 de Abril de 2013 era aguardado com grande expectativa! A primeira corrida organizada pelo grupo de runners da cidade onde cresci – Santarém! Com muita propaganda ribatejana para animar as hostes: teríamos pampilhos, bifanas, vinho tinto e muita, muita festa! A adesão dos Run 4 Fun a esta prova foi excelente! Tivemos 41 atletas inscritos na prova principal de 10 km e 5 inscrições para a caminhada de 5 km. No total, 46 “laranjinhas” dispostos a enfrentar o que prometia ser um GRANDE EMPENO! ;)




Os meus pais dispuseram-se gentilmente a ceder a sua casa para que o grupo se juntasse durante a tarde num convívio de comes e bebes antes da prova. O meu pai fez ainda o grande favor de tratar do levantamento de todos os dorsais na véspera. Assim, no Sábado, não tínhamos muito com que nos preocupar e rumámos a Santarém ainda ao início da tarde, com os porta-bagagens cheios de coisas boas e muita vontade de conviver! O tempo estava de feição, o sol brilhava e a temperatura era amena. Tudo perfeito para o “ataque ao terraço”!


E o que se seguiu foi um convívio memorável! Vi tanta comida e bebida dispostas pelas várias mesas que julguei que poderíamos ficar ali até ao Natal! Os quase 50 Run 4 Fun foram chegando ao longo da tarde, sempre de sorriso aberto e com mais um petisco especial para partilhar.


Logo para abrir as hostilidades, fomos brindados com umas caipirinhas de alto nível, da autoria da dupla Faria/Cabaça! Acompanhadas com bola, salgadinhos, camarão, pão com chouriço, quiches, carne assada, salada, chouriço assado, brownie, arroz-doce esloveno, salada de frutas, muitos bolos, farturas, eu sei lá! E tudo bem regado com muitas minis e tintos variados! E comeu-se e bebeu-se TUDO! Repito, TUDO! 

 










A tarde foi muito agradável, o ambiente animado, muita conversa e risota! Até se cumpriu a tradição ribatejana, quando se formaram dois grupos distintos, homens e mulheres, cada um para seu lado! 

  
O meu pai fez a distribuição dos dorsais por toda a equipa, num ritual aplaudido e celebrado a cada saquinho entregue. E no final, foi homenageado com uma t-shirt da Scalabis Night Race, pela mão do João Ralha, e acabou por se juntar ao pelotão, decidindo fazer a caminhada!






Houve ainda tempo para um pequeno espectáculo infantil e para quase se pegar fogo a uma toalha (o Gerardo bem tinha o extintor ao pé)!




E, repito, comeu-se e bebeu-se TUDO! Mais uma vez, agradeço aos meus pais terem-nos acolhido com tanto gosto!



Como resultado de tantos comes e bebes, por volta das 20h tínhamos um grupo de atletas completamente “atestados”!


 Mas, sem esmorecer, lá nos alinhámos para a foto de grupo e seguimos em direcção à partida, embora alguns se queixassem do percurso sinuoso, parece que as ruas eram todas aos “ssss”! :)




A chegada ao local da prova foi apoteótica! Sendo um evento pequeno, foi notória a chegada em massa de quase 50 laranjas cheios de entusiasmo para uma prova tão aguardada! E a recepção foi calorosa, a equipa organizadora, os Scalabis Night Runners, foram anfitriões de alto nível! O nosso obrigado!


A partida dos Run 4 Fun nesta prova foi um pouco diferente do comum! Em vez dos habituais “Força!” e “Vamos lá!”, ouviam-se no grupo comentários como “Estou muito cheio!”, “Tenho o estômago inchado!” ou ainda “Vejo tudo a girar!”. Mas lá nos lançámos aos 10 km, o melhor que pudemos! Felizmente havia abastecimento de tinto, muita animação do público e música pelo caminho! O percurso foi acessível e muito simpático, passando por locais históricos e monumentos, incluindo o famoso jardim das Portas do Sol e o interior da emblemática Escola Prática de Cavalaria, de onde saiu Salgueiro Maia na madrugada do dia 25 de Abril de 1974! Para mim foi especial pois passei pela casa onde cresci, pelas escolas onde estudei e por todos os caminhos que percorria a pé quando ali vivia. Muito bonito!

Corremos em grande grupo e uns 500 metros antes da meta parámos para reagrupar. Desta forma, fizemos uma chegada fantástica, em que cerca de 15 Run 4 Fun cortaram a meta praticamente em simultâneo! Muito bom!




Após a corrida tivemos os momentos altos da noite! Em primeiro lugar, a nossa super-atleta Luísa Ralha subiu mais uma vez ao pódio com um brilhante lugar no seu escalão! 




 Mas o melhor de tudo, o momento mais aguardado, foi a entrega do prémio para a equipa com maior número de atletas inscritos na prova à equipa Run 4 Fun! Ui, que excitação! Invadimos o pódio com gosto e recebemos o prémio em júbilo: uma garrafa de vinho para cada um de nós! Não há palavras que expliquem a nossa alegria! 

Ficam as fotos para retratar! 








Em resumo, foi um dia muito bem passado, um convívio inesquecível, uma corrida cheia de vinho (antes, durante e depois!) e mais um regresso a casa cheio de boas recordações e histórias para contar! E temos presença confirmada na próxima edição da Scalabis Night Race!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"Não é preciso correr sozinho"

Para quem não leu o artigo publicado no "Correio da Manhã" de 14 de abril, aqui está ele:



Caso não consigam ler, tentem aqui

Runabraços

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A mítica Cascais a Lisboa...74ª edição...prova recomendável

Ontem fiz a minha estreia na corrida Cascais a Lisboa. Na 74ª edição.

Lembro-me, em miúdo, de ficar a ver passar, da janela da casa de minha família, acompanhado de meu pai, os grandes craques da época: Carlos Lopes, Aniceto Simões, Fernando Mamede, Rita Borralho....

Agora foi a minha vez de percorrer, correndo, esta mítica prova. Que eu na minha ingenuidade de menino achava só destinada aos quase imortais atletas...

Num percurso que conheço bem, onde fiz a minha maratona de 2009.

Agora apenas os 20.000 metros desta clássica corrida, a mais antiga de Portugal. Bonita paisagem, turistas que aplaudiram (só os estrangeiros, porque os portugueses só vibram com futebol...), o mar e as praias mesmo ao lado...

Este ano reboquei o Rui Marques de Carvalho, na sua preparação (e minha) rumo à Maratona de Lisboa em Outubro!

Soube bem fazer esta clássica prova. Recomendo a todos!
Mais a mais na companhia dos Run 4 Fun! No final, por insistência dos Run 4 Fun, uma breve entrevista para o Canal 2 da RTP.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Atleta em destaque

José Domingos Bagina

20 km de Cascais







José Domingos Bagina

42 anos, Consultor de Sistemas de Informação












O nosso grande organizador dos "Treinos Temáticos", sempre à procura de novas ideias para treinos interessantes. Já maratonista e a fazer PBT´s sucessivos em distâncias mais curtas. E agora, com treinos de séries, não sabemos onde irá ele parar.!!!


1.   Há quanto tempo corres?
Desde Outubro de 2011

2.   Porque corres?
Quando deixei de dar aulas de fitness passaram 18 meses e 24kg sem treinar. A corrida surgiu como uma brincadeira (ir à Corre Jamor) que não parou à medida que as distancias – e os desafios - foram aumentando (10km, 15km, 20km, Meia Maratona, Maratona)... e os kg foram desaparecendo, 13kg nos primeiros 5 meses

3.   Quantas vezes treinas por semana?
Entre 3 e 5 vezes.

4.   Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
Pelo público, Fogueiras. Pela beleza do percurso e por ser “em casa”, Fim da Europa. Por ser a estreia nos 10km, quantidade de participantes e época do ano, S. Silvestre de Lisboa. E depois, tem-me dado um gozo brutal os Treinos Temáticos J

5.   Quais os teus próximos objectivos?
A Maratona de Lisboa (Outubro)... para PBT, claro ;-) e gostava de estrear 3 novos Treinos Temáticos até ao fim do ano – Lisboa Devota (Maio), Monsanto e Campos de Lisboa

6.   Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Sim, estreei-me em Outubro 2012 no Porto, 364 dias depois de começar a correr. É “A” prova. Nada nos prepara para isto antes da estreia. Reconheci a frase “um aquecimento de 30km e uma corrida de 12km”. Para mim foi um aquecimento de 35km e uma caminhada  geriatrica de 7km J e a certeza que outras virão a seguir...

7.   O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
Começou por ser companhia para não correr sempre sozinho, passou por ser uma escola onde aprendia tudo sobre corrida (calçado, planos treino, motivação, provas, superação) e hoje é um espaço de bem estar, cheio de pessoas positivas, espirituosas, divertidas em que na maior parte das vezes saímos de casa para treinos ou provas, mais do que para correr, para partilhar momentos únicos de camaradagem e confraternização.

8.   Uma mensagem aos novos membros do Clube
Aqui corre-se, mas quando se dá por isso os laranjas “entram na nossa vida” e depois já não se passa sem esta festa, sem este incentivo, motivação e adrenalina. “I Love this team”

terça-feira, 16 de abril de 2013

Trail de Abril nos Montes Saloios

No dia 21 de Abril de 2013 vai ter início pelas 9:00 um trail, e uma caminhada, na zona saloia com a chancela dos Run4Fun, Montes Saloios e SRDAruilense.

Tanto o trail como a caminhada têm características de treino, não sendo competitivos. Ou seja, não prémios, não há classificações, não há tempos. Há apenas boa vontade de participar num percurso com a calma necessária para usufruir da paisagem, de trilhos e vistas únicas em muito boa companhia.


O trail terá a extensão de 21,6 Kms e um desvio positivo de 577 metros. Vai ter 5 abastecimentos, 2 deles com sólidos.

Quanto à caminhada, esta terá a extensão de 14,1 Kms e um desvio positivo de 312 metros. Vai ter 4 abastecimentos, 2 deles com sólidos.


O percurso vai estar marcado, mas tão fracamente marcado que quem o fez dificilmente reconhece as marcas. É melhor que os atletas se fiquem pelo aconchego dos líderes e não embarquem em fugas.


Na chegada existem balneários disponíveis para tomar banho e quem o desejar pode ficar para um almoço convívio. Embora o trail e a caminhada sejam gratuitos, o almoço tem o custo de € 5,00 e inclui grelhada mista, pão, salada, bebidas, fruta, doce - tudo à discrição - mas para isso têm de se inscrever aqui até à sexta-feira anterior ao evento.
Quem quiser pode levar qualquer coisa simples para compor a mesa, como um bolo ou um queijo. Eu vou levar uma garrafa de whisky.


O melhor lugar para estacionar será no largo em frente à "Liga dos Amigos das Covas de Ferro", onde será a chegada. Pode consultar aqui o link para o Google Maps. O local de encontro para a partida estará a 50 metros de distância em frente à cervejaria "A Cabine".

Vejam aqui os eventos no facebook a que dizem respeito:
https://www.facebook.com/events/463927747007644
https://www.facebook.com/events/546492472057835
https://www.facebook.com/events/506353162736013

Até lá
Runabraços
Paulo Raposo

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fim de semana ocupado

Este fim de semana estivemos presentes em várias provas e treinos:


No sábado:

Treino Felicitas Julia, em Lisboa, com liderança do Guilherme Oliveira Martins e apoio do Miguel Rebelo de Sousa.


No domingo:


  • Trilho dos Gatos, em Gatões, Montemor-o-Velho com a presença do João Guerra;
João Guerra na passagem da ribeira

  • Trilhos de Sesimbra com presenças no Trail e na Ultra, em mais um treino para Ronda e o Luís Matos Ferreira em preparação para o Grand Raid dos Pirinéus;
Gonçalo Fontes de Melo e a isotónica "preta"
José Carlos Melo a subir o declive

Luís Matos Ferreira a concluir mais uma Ultra










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  • Corrida do SLB

Antes da prova do SLB
Depois da prova do SLB


























  • 1ª corrida do Bes Challenge
E ainda faltam alguns
  •   Maratona de Viena 
Três magníficos, com grande destaque para a Cristina Caldeira, na sua 1ª Maratona



E assim se passou mais um agradável fim de semana, com corridas para todos os gostos.

E o próximo fim de semana promete....com início na Scalabis Night Race, com ...touros(???)

Runabraços




domingo, 14 de abril de 2013

Treino Felicitas Julia - 1.ª Edição

Numa manhã de nevoeiro, um grupo de bravos Run 4 Fun juntou-se no Terreiro do Paço e fizeram uma viagem no tempo, em modo de treino, à Lisboa Romana - Felicitas Julia/Olissipo.



A prova durou cerca de duas horas e foi muito animada. Basicamente consistia numa viagem virtual à Lisboa ocupada pelo Império Romano de acordo com as minhas explicações e as do nosso amigo Miguel Rebelo de Sousa. No final do percurso, contámos com um bolo ótimo da Inês Gil Forte e um moscatel da Fernanda Costa. 

Foi um encontro memorável e a repetir. Já estou a preparar uma segunda edição, com novos percursos e novas curiosidades. Lisboa é uma cidade plurifacetada e reclama visitas deste género, com uma nova classe de turisto-runners.






Aqui seguem algumas curiosidades históricas:

1) LÁPIDES DAS PEDRAS NEGRAS (disponível aqui):
Aquando da construção de um prédio pombalino na Travessa do Almada, conhecido justamente como "prédio do Almada", foram descobertas quatro lápides contendo inscrições latinas, duas das quais dedicadas aos deuses romanos Mercúrio e Cíbele. As lápides foram mantidas no local, integradas na fachada lateral do edifício, onde se encontram actualmente. A designação comum das lápides provém da rua com a qual o prédio faz gaveto, a Rua das Pedras Negras. O edifício, apalaçado, foi mandado construir em 1749 por D. João de Almada de Melo, senhor de Souto d' El-Rei, e as inscrições foram descobertas durante a escavação das fundações, a par do que seriam vestígios de um templo Romano dedicado à deusa Cibele. Fazem parte de um grande conjunto de achados arqueológicos da época romana na zona, que incluem as galerias romanas ou criptopórtico da Rua da Prata, e o vizinho Teatro Romano de Lisboa. 
A primeira lápide encontra-se incompleta, lendo-se apenas MERCVR.../ CAESA.../ AVGVST.../ C. IVLIVS F. IU.../ PERMISS V. DEC.../ DEDIT. F... , permitindo apenas compreender o nome de Caio Júlio, dedicante, e as invocações do deus Mercúrio e do imperador César Augusto. 
A inscrição seguinte é composta pela lápide e por um troço de coluna e pequeno pedestal, e nela se lê DEVM MATR / T. LICINIVS / AMARANTIVS / V. S. L. M, ou Tito Licínio Amarantio por voto dedicou à mãe dos deuses. 
A lápide maior, com mais de 2 metros de altura, possui a inscrição L. CAECILIO. L. F. CELERI. RECTO. / QVAEST. PROVINC. BAET. / TRIB. PLEB. PRAETORI. FEL. IVL. / OLISIPO, traduzível como Felicitas Julia Olisipo dedica a Lúcio Cecílio filho de Lúcio Celeri recto questor da província da Bética tribuno do povo e pretor. A inscrição de homenagem do povo de Lisboa ao pretor Lúcio Cecílio, da província da actual Andaluzia, é sobretudo importante por testemunhar que o título de Felicitas Iulia, concedido a Lisboa por César Augusto, se conservou durante as centúrias seguintes. 
A última lápide é rematada por um pequeno frontão, e exibe a legenda MATRI DE / VM MAG. IDAE / A FRHYG. T. L. / LYCH CERNO / P. H. R. PERN. IIVI / CASS. ET CASS. STA. / M. AT. ET AP. COSS. GAI, dedicatória de Caio Licínio Cerno, da Lycaonia, na Ásia Menor, à deusa Ida da Frígia, mãe dos deuses, na época dos cônsules Marco Atílio e Afrosiano, e do governador Gaio. 






2) TERMAS DOS CÁSSIOS
Conhecidas durante muito tempo por uma informação documental do séc. XVIII, somente entre 1991 e 1994 foi possível colocar a descoberto esta estrutura termal datada do séc I a.C., conhecida como Termas dos Cássios. De acordo com o texto de uma inscrição epigráfica, este edifício sofreu obras de remodelação ainda no séc. IV, comprovando o seu longo período de utilização.
Estes importantes vestígios de época romana, aguardam ainda um processo de musealização que permitam compreender melhor a sua funcionalidade integra-los na malha urbana, a meio caminho entre a área portuária/industrial e a área civil que se erguia ao longo da colina.


3) TEATRO ROMANO (disponível aqui)
Corria o ano de 1798, quando na sequência dos trabalhos de reconstrução que se seguiram ao grande terramoto, foram identificadas algumas ruínas na Rua de S. Mamede que posteriormente se verificou fazerem parte do teatro de Olisipo. Por este achado se interessaram alguns viajantes estrangeiros que então visitaram a cidade, bem como um dos arquitectos responsáveis pelo traço do Palácio Real da Ajuda, o italiano Francisco Fabri, que nos deixou um esboço aguarelado das ruínas. O mesmo Fabri tentou ainda, de forma activa, manter as ruínas a descoberto, mas a dinâmica reconstrutiva que Lisboa então vivia, não lho permitiu.
As ruínas permaneceriam assim adormecidas até 1964, data em que trabalhos realizados nas caves de habitações localizadas na área do teatro permitiram iniciar o seu estudo de forma sistemática em campanhas que se prolongariam até 1967. Seria preciso esperar até 2001 para que finalmente fosse possível avançar com um projecto de recuperação, requalificação e valorização do sítio que se traduziria na criação do Museu do Teatro Romano. O estudo do local continua a realizar-se em campanhas arqueológicas sucessivas, estando hoje a descoberto, cerca de um terço da área primitiva do teatro.
 Dos elementos entretanto recolhidos sabe-se que o edifício foi construído na 1ª metade do século I e concebido para acolher entre 3 e 5 mil espectadores. Foi sujeito a significativa remodelação decorativa no ano 57, no decurso da qual se procedeu à reconstrução do muro do proscaenium e à renovação da orchestra, trabalhos custeados por um bem sucedido sacerdote (e ex-liberto) de nome Caius Heius Primus, cujo nome ficou perpetuado nos mármores do edifício.


4) GALERIAS ROMANAS (disponível aqui)
Foi no decurso do processo de reconstrução de Lisboa, após o grande terramoto de 1755, que surgem pela primeira vez referências de um vasto conjunto de Galerias Romanas no subsolo da baixa lisboeta. A incipiente noção de património levou a que apenas uma lápide fosse salvaguardada, vindo a estrutura a ser utilizada como suporte para os edifícios pombalinos. 
A arquitectura e as técnicas de construção destas galerias sugerem ser um monumento da época do Imperador Augusto (finais do séc. I a.C. - início do século I), contemporâneo de outros edifícios da cidade romana de Olisipo.
Desde a sua descoberta as Galerias foram alvo de diversas interpretações quanto à sua função original. Se, numa primeira fase, os estudiosos pensavam tratar-se dos restos de um conjunto termal, as teses mais recentes são unânimes em identificá-las como sendo um criptopórtico.
Os criptopórticos constituíram uma solução arquitectónica adoptada com alguma frequência pelos romanos, especialmente em terrenos de topografia irregular, permitindo deste modo, a criação de uma plataforma artificial que servia de apoio à construção de grandes edifícios, normalmente públicos.
Desconhece-se ainda, qual a construção que estaria edificada sobre este criptopórtico, mas hipóteses recentes sugerem poder tratar-se de uma estrutura ligada à zona portuária.
Actualmente e devido à construção de colectores de esgoto, apenas é possível aceder a 1/4 da área do monumento, sendo a área visitável, constituída por uma rede de galerias ortogonais de diferentes alturas. 
Destacam-se os arcos em pedra com aparelho almofadado, típico da época imperial romana. Das abóbadas podem-se também observar algumas aberturas circulares que serviram de bocas de poço, pois a partir de data que se desconhece, a água invadiu o recinto que passou a ser utilizado como cisterna, até meados do século XIX.
Permanentemente inundadas, as Galerias abrem às vistas do público uma única vez por ano, no decurso das Jornadas Europeias do Património, durante o mês de Setembro, e atraem extensas filas de pessoas que esperam longamente pela possibilidade de visitar este interessante local. 




5) CIRCO ROMANO (disponível aqui)
A importância da cidade aliada à conhecida reputação dos rápidos cavalos da Lusitânia e à popularidade das corridas de carros puxados por cavalos, desde há muito fazia suspeitar que também Olisipo teria tido o seu circo, hà semelhança de outras cidades da província, como Balsa ouMiróbriga. Quando se olha para a topografia da cidade de então, uma localização plausível para uma estrutura deste tipo seria a dos terrenos da actual praça do Rossio, pois corresponde a uma área extensa, quase plana, com fáceis acessos e localizada não muito longe da cidade Todavia e embora presença intuída, só durante trabalhos realizados entre 1994 e 1997, pelo Metropolitano de Lisboa, na Praça do Rossio, foi possível trazer à luz do dia as evidências desse monumento, quando a cerca de 6 metros de profundidade, foram identificados os restos da barreira e dos tanques de água (euripus) que a rodeavam . 
Diversos indicadores permitem concluir com grande probabilidade que este edifício não seria uma construção alto-imperial, o grande período de edificação na cidade, mas antes uma realização posterior ao século II d.C., isto se se tiver em conta que só se conhecem circos com euripus a partir das alterações de Trajano efectuadas no Circus Maximus, em Roma. Assim, e em face dos elementos identificados tudo indica que o circo terá sido construído a partir da segunda metade do século III d.C., ou talvez mesmo nos inícios do IV, que embora se trate de um período pouco propício às grandes obras públicas, foi apesar de tudo o mesmo em que o circo de Mérida foi completamente restaurado, quando lhe foi construído entre os anos de 337 e 340, o euripus. Acresce ainda que foi igualmente nesta época que a criação de cavalos para espectáculos de circo, terá atingido o seu apogeu na Lusitânia, o que por si só ajuda a justificar a construção de estrutura deste tipo.
Também o facto de o monumento se encontrar implantado em terrenos ocupados ou adjacentes à necrópole da Praça da Figueira que terá funcionado entre o século I d.C. e o III, não constitui situação inédita sendo que a desactivação da necrópole terá permitido uma nova ocupação do espaço para uma finalidade completamente distinta. Aliás esta vizinhança de circos e necrópoles, encontra-se documentada em outras pontos do Império como sejam os casos de Arles e de Sousse.
Excluida parece estar a possibilidade de a este monumento estar associado um palácio, como sucede no século IV d.C. em diversos circos um pouco por todo o Império, atendendo ao facto deOlisipo não ter sido uma cidade imperial.
Embora não existam provas concretas acerca da data de abandono da utilização do circo é de admitir que ela tenha coincidido com a fase de agonia do Império Romano do Ocidente, período em que se regista um progressivo decréscimo da popularidade das corridas de carros puxados por cavalos.