Do UNBOXING do maquinão Garmin Fenix 7 Pro Safira Solar à Desilusão

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Quis o destino, ou a curiosidade, que me cruzasse com um modelo de relógio GPS da Garmin que tinha as funções que eu queria ter e que nenhum modelo da Suunto tem.

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Antes de avançar, uma nota de princípios: sou fã da Suunto.

Gosto da qualidade dos modelos da Suunto pela sua construção, precisão cirúrgica do GPS, métricas da analise da forma física e a sobriedade dos menus

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Os relógios que já tive ajudam a enquadrar este meu gosto e um certo grau de exigência: do antigo GS GH-625XT ao atual Suunto 9 Peak Pro, passando pelos lendários Ambit 2 e 3 Peak. 

  • O meu primeiro relógio GPS foi o GS GH-625XT. O irmão do A-rival SpoQ SQ-100. Fui fã desta máquina. 
  • Perdi-o (ou esqueci-o) em cima do palco no início da Maratona de Lisboa. Saudade da funcionalidade de fazer zoom manual até 50 metros; simples e prático.
  • Entretanto comprei, em segunda mão, um Garmin Forerunner 310XT (o famoso laranja). Tive-o pouco tempo; a bateria vinha "manhosa" e tive de lhe fazer alguns hard resets.
  • Depois, comprei um Suunto Ambit2 Peak a um amigo. Fiquei fã: nunca falhou e adorava o traço fino das letras (ainda o tenho).
  • Mais tarde, adquiri o Suunto Ambit3 Peak Safira (em 2ª mão), em parte pela ligação ao telemovel. Numa das primeiras Ultras que fiz, levei os dois Suunto — o Ambit2 e o Ambit3. Quando a bateria de um acabou, liguei o outro e fiquei com o percurso completo de forma irrepreensível.
  • Entretanto, a Suunto migrou a estrutura do website exclusivamente para a App, com exceção da ativação de percursos. Um dia gerou uma desagradável situação. Numa prova de 100km a organização da prova mudou o percurso na véspera. Não consegui carregar o trajeto no Ambit3 porque não levei computador. Fiquei "apeado".
  • Foi um dos motivos porque comprei o Suunto 9 Peak Pro Titanium Safira (o atual). Ainda assim refilei muito com as mudanças que a Suunto itroduziu. Passou para 3 botões e num relógio de topo meteu um ecrã pequeno com letras minúsculas.



Máquinas que foram de confiança, tal como os grampões da La Sportiva são para um alpinista. Por isso irrita-me a narrativa de que a Garmin está acima de tudo. 

Já desmontei esse mito várias vezes com exemplos reais de falhas, embora reconheça que até a Suunto "inventa" por vezes (como um update recente que deixou o meu 9 Peak em reboot constante).


Mas vamos a minha "traição".
Começou com uma promoção enquanto procurava um relógio de golfe básico. Só precisava de um relógio para saber as distâncias do ponto onde estou até ao green Se tivesse isso no futuro não precisava de incomodar os parceiros de jogo. 

Como estava a ter alguma dificuldade em encontrar exemplos de utilização dos modelos Garmin de corrida com modalidade golfe, coloquei a IA a procurar informações sobre os Garmin.

Entre funções e funcionalidade a IA convenceu-me: "Com o Fenix 7 Pro, terás o melhor dos dois mundos. Corrida e golfe".   

Seduzido pela gabarolice da IA e pelo Safira Solar e pela promessa do "Santo Graal" dos GPS, comprei-

Mal sabia que estava a comprar um problema de centenas de €uros.

Depois de fazer o umboxing, configurei o básico. 

Depois de algum tempo a carregar recebi uma notificação para fazer update. Aceitei.
Como tinha configurado o Wifi - foi um dos primeiros menus que o relógio "me obrigou" a configurar.

O processo de atualização correu bem.  

CAPÍTULO 1: O Batismo de Fogo (Cheleiros) 

Levei os dois relógios: Fenix no pulso esquerdo, Suunto no direito. 

Carreguei o percurso do treino de 17km. 

No final, o pessoal tinha 17 ou 19km. Eu tinha 22km! Jasuzzz!!

O tal chip Multibanda (L1+L5) que estava em modo automático falhou redondamente face ao algoritmo FusedSpeed do Suunto, que marcou 18km.

Em casa, mudei a opção de GPS de "Automático" para "Todos + Multibanda".



CAPÍTULO 2: O próximo treino foi o Monsanting. E que Monsanting!!

Toda a gente sabe que no Monsanting não se brinca. E se um relógio pode ser metido a prova é nesse playground.

Monsanto Chuva torrencial. Rio de água. Ao km 4, conferi com o Hugo (Fenix 7 normal): com o desconto dos km que ele tinha feito no warm up estávamos iguais. 

Pensei: "O problema era mesmo do modo automático". Só que não!Mas no fim do treino, a desilusão:
Já perto de terminarmos o treino, digo "Por mim está bom. Já temos 11 e tal". Hugo:"11km?! Não pode ser Rui eu comecei antes e tenho isso!"

Que p%&/ta de desilusão!! "Esta merda não funciona bem".

  • Fenix 8 Solar: 10,27km
  • Suunto Vertical: 10,41km
  • Fenix 7X: 10,15km
  • O meu Fenix 7 Pro: 12,97km! Um erro de quase 3km num treino de 10km. Inaceitável. 

Confirmei que o meu estava no modo Multibanda e o Adelino sugeriu-me fazer um reset do sistema.




CAPÍTULO 3: O Teste Final Ontem, dia de descanso do plano Anatoly, saí à chuva. 

Fenix na esquerda, Suunto na direita. 

Fiz o "Start" primeiro no Suunto. 

Até ao km 4, o Fenix ia com 40 metros a menos. Estava estável. A pulsação estava igual nos dois, embora o Garmin tivesse um atraso de 10 a 20 segundos nas variações de ritmo. 

De repente, o Garmin que estava a 50 metros de distância a menos, passou para 50 metros a mais. Depois 250m... depois 350m. 

Decidi fazer power walk e olhar fixamente: o Suunto marcava cada 10 metros com precisão. 

No Fenix, eu dava 3 passos e ele registava 20 metros! 

Terminei o treino:

  • Suunto com 10,02km
  • Garmin com 11,09km.



Fui direto ao El Corte Inglés (ECI).

CAPÍTULO 4: O Balcão do ECI O funcionário perguntou se fiz o reset e as atualizações. 

Quando disse que fiz via Wi-Fi, ele respondeu: "Ah pois! Os updates da Garmin são pesados, devia ter sido pela aplicação (Garmin Express no PC)". 

Disse-lhe que um relógio de 800€ deve vir pronto a funcionar. Ele abanou a cabeça como quem diz: "Na Garmin não funciona bem assim".

E é exatamente aqui que eu acho que a Garmin se posiciona.

  • Cabe lá na cabeça de alguém comprar um relógio ou outro equipamento qualquer que o PVP é de mais de 800€ e não vir a funcionar?!
  • Cabe na cabeça de alguém andar a faser reset num equipamento acabado de comprar?!
  • Cabe na cabeça de alguém aceitar que isto é "uma coisa" normal? Mesmo nos dias de hoje que muita coisa não funciona fica dificil aceitar isto num equipamento acabado de comprar.

Mas de acordo com as perguntas e as "dicas" dadas parece que é normal.
Parece que é normal dizer a alguém que tem um relógio novo a 4 dias, custo médio PVP 750 ou 800€., fazer um reset ou não dever usar a fucionalidade sugerida pelo equipamento para fazer os updates.

E como chegar a casa com o aspirador de topo novo e me dizerem que se não funcionar é melhor passar na oficina ou fazer algum voodoo.

É isto. Nunca precisei de resetar um Casio ou um Suunto após a compra para funcionarem.

Agora espero pela decisão da marca. Um relógio com 6 dias que nunca funcionou bem.






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