Licença para correr em provas de estrada, trail e montanha!

Existem Ideias e existem “in-deias” para todos os gostos. 

Umas são boas, outras bem-intencionadas, outras com propósitos cirúrgicos para algum interesse escondido, outras para se discutir e ultrapassar problemas, elas também existem ideias radicais. E uma epifania pode ser uma ideia brilhante.

Ideias estão normalmente associadas a objetivos.

E depois há as ideias de m@. Aquelas que cheiram mal, mal são anunciadas.

Concordemos que essas são aquelas que são aventadas como sendo ideias mas na realidade são truques ou soluções para os problemas do interesse dos seus proponentes.

Os “outros”, os visados, assim de repente, não percebem qual é o valor acrescentado do que vai resultar da ideia/” taxinha” do licenciamento.

Parece que a ideia partiu da cartola das Associações Distritais de Setúbal e de Braga. 

Não deixo de achar estranho que tenham sido associações a propor cobrança de taxas. 

Havia tanto para dizer! A minha cabeça dá um nó só por tentar pensar no motivo que as associações teriam para querer cobrar taxas a pessoas queiram participar em provas, mas que não sejam federadas.

Eu sei, talvez se consiga explicar numa palavra. Mas eu tendo a tentar arranjar lógica para as coisas. Totó.

Se uma mosquinha tivesse ouvido a conversa que deu origem ao movimento tinha-se rido…. Muito provavelmente.



Acabei de ler o comunicado que está no site da FPA.

Tá bonito. Bem escrito. Com referências `Lei de Bases do Desporto e tudo.

Nem é preciso ler nas entrelinhas as preocupações justas, generosas, integras. As referências à segurança dos atletas. No ponto (3) do comunicado, a utupia que os “Organizadores de Eventos Desportivos” podiam assim baixar o preço das provas “…uma vez que o Seguro Desportivo já estará assegurado através da filiação na FPA.”.

Lê-se no ponto (5) que “O valor auferido pela Federação Portuguesa de Atletismo no âmbito deste processo, será investido no desenvolvimento nacional e regional da modalidade…”

Entre outras coisas também temos um choradinho. Já no final do documento: O Atletismo Português apresentou…” “… Saldos negativos nos últimos 4 anos, fruto do desinvestimento estatal no desporto…”


Num documento bem escrito não podia faltar a esmolinha. Tão bem que eles sabem fazer isto “…Os atletas dos escalões jovens, até sub-18, não pagam qualquer valor, …“faltou aqui o habitual MAS “…devendo apenas ter seguro válido...”

E este laivo de senhor soberano “… os atletas filiados na FPA não necessitam de qualquer outra licença.".

E o que dizer desta perola!?  A “…licença federativa só será obrigatória nas provas de atletismo pagas e com classificação, com valor de inscrição superior a 5 euros. “Parece uma benesse certo?! Vamos lá pensar bem. 

Primeiro: Quantos provas que custam 5 euritos existem em Portugal?

Segundo: O mesmo Artigo 42.º que o comunicado faz referência diz que “…um sistema de seguro obrigatório para:” ponto “2 alínea b) Provas ou manifestações desportivas”.

Sendo assim uma organização que cobra 5 euritos pela prova não beneficia do dito seguro assegurado pela FPA. Assumimos que uma prova de 5€ é para pessoas com menos posses… é isso?

E o documento finaliza com uma mensagem positiva "O Atletismo Nacional tem de voltar ao Patamar de excelência onde merece estar..." "Queremos MAIS ATLETISMO!"


Diria que parece uma mensagem tirada de uma qualquer inteligência artificial.

A ideia era polemica. E para ser ainda mais polémica, tinha que ser anunciada brutalmente e jogada ao mundo sem vaselina.  São 3 aérios. Os vassalos totós pagam.

Ora é esta forma de atuar que tem sido praticada em muitas situações em Portugal. Mas claramente tem que deixar de acontecer. Independentemente de se vir a adotar as ideias propostas ou não adotar, os senhores disto tudo têm que nos prestar contam a nós. E não é ao contrário. Nós é que pagamos e exigimos o mínimo de respeito.

O que se passa atualmente na cabeça dessa malta que  acham que podem tratar os “clientes” com este desprezo”?! 

Os associados são tratados como totós pelas Associações/Grupos/Clubes etc… 

Os fornecedores de serviços vários de telecomunicações e Média são uns artistas na forma como costumam desprezar os clientes de mil e uma formas. 

Em coisas do Estado o contribuinte de tratado sem qualquer respeito.

É a lei do paga e não bufa.

Resumindo: Na Assembleia Geral a FPA e 90% das Associações decidiram “…iniciar o processo de reestruturação do Regulamento de Filiações, aprovando a criação de uma Licença para participantes em Provas pagas de Estrada, Trail e Montanha.”

Não sei porquê, mas para mim é estranho que tenham sido as Associações Distritais de Setúbal e de Braga que aventaram a proposta.

Por experiência, sei que somos todos um pouco, vá… um bocadinho, avessos a mudanças.

Mas esta taxinha “estranha-se”. E divulgada da forma como foi divulgada foi só aberrante.

Nestes casos, normalmente começo por fazer um exercício mental sem entrar logo a criticar e coloco a lógica das coisas ao serviço do pensamento.

Após ler o comunicado fiz teci algumas ideias do que foi anunciado e acabei por concluir que continua a faltar alguma coisa.

Só algumas ideias:

a) Segundo o comunicado o valor da taxa vai servir para garantir o seguro dos atletas através da FPA e investir “… para o desenvolvimento da modalidade.”

Pergunto-me se o atletismo em Portugal são só provas de corrida que custam mais de 5 euros e com classificação?!

b) Pergunto-me se os 3 euros dão para pagar o seguro e todos os custos inerentes ao desenvolvimento da plataforma online para cobrança e identificação dos inscritos, a manutenção, os recursos humanos, etc.. etc..


c) Quanto é que custa as organizações fazer um seguro para 1000 ou 2000 atletas? Quanto é que acaba por pagarem por atleta? 

O argumento que as organizações podem baixar o preço das provas se quiserem parece-me só um engodo.


d) Se o estado desinveste no apoio ao desporto, o estado é o “opressor” da modalidade. Não os corredores de fim de semana que têm que substituir o estado.


e) Durante a campanha para as Eleições da FPA o agora Presidente Domingos Castro foi a Gala da ARTP debater com os adversários. Foi clara a mensagem e bateu no peito e assumiu perante todos que ia trazer muito dinheiro para a FPA se fosse eleito. Foi inevitável fazer um paralelo com “…. Vão vir charters…”. 

Disse em voz alta e bom português que tinha muitos apoios e muito dinheiro. Abandoaram-no?! 

Perante o que se passou agora fica a dúvida.

f) Já após assumir a Presidência da FPA, o Domingos Castro também esteve na Gala dos 95 anos da AAL (Associação de Atletismo de Lisboa). Eu também estava lá e recordo-me que tinha chegado atrasado porque tinha estado numa reunião. Numa reunião a tratar de um contrato para renovar a frota automóvel. E no futuro as Associações também iriam ter alguma coisa.

Será que os 3 aérios vão para a compra de viaturas?

g) Ainda nessa conferência, ouvimos o Dr. Bruno Ferreira (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Sintra) numa excelente intervenção. A melhor intervenção da noite:

Falou na percentagem de jovens e não jovens que não pratica qualquer atividade desportiva em Portugal. Números assustadores.

Falou “… É evidente que nós não vamos aumentar os indicies de atividade física em Portugal… se não olharmos de uma forma holística para o ecossistema… Para o impacto da organização pública e a forma como está organizada e pode ter na organização do desporto…”

“Olhem para as pessoas ao vosso lado” dizia o Dr. Bruno apontando para a plateia. “Em algum momento ajudaram os Clubes, as Organizações…”

Falou:

- Do esforço de todos para fazer crescer o Atletismo

- Insistiu em voltar a mostrar os números das pessoas sedentárias

- Das organizações não ficarem sempre a espera dos orçamentos do estado.


Sr. Presidente da FPA Domingos Castro… não invente. A malta das corridas costuma ter um espírito bom.

A relação dos atletas de estrada e pista, a muitos anos que tem sido de costas voltadas para a FPA. O Presidente disse que “os anteriores” estavam lá a tanto tempo e não fizeram nada. 

Entretanto a FPA e a ATRP “lixaram” a confiança dos atletas do Trail com o que eu chamo da “Grande Jogada” ou simplesmente da aldrabice.

Não queira ter as pessoas que dão vida ao atletismo nas ruas e nos montes em Portugal de costas voltadas para o organismo que tutela o Atletismo.

Arranjem lá ideias boas. Ideias positivas para todos podermos fazer coisas melhores e ajudarmo-nos uns aos outros se for necessário. 

post e opinião: Rui Faria


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