segunda-feira, 5 de agosto de 2013

V Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos

A minha estreia em ultras maratonas, tempo de chip: 9:24:28 (mais do que um dia de trabalho, também já estou habituado). Já algum tempo tinha o bichinho de fazer uma ultra maratona em trilhos. Quase todas as provas que fiz em trilhos anteriormente tinha gostado e pensei, porque não. Porquê Óbidos se existem algumas com menos kms! Como fiz a prova de 21/22 km em 2011 e o percurso era bom, não iria haver aquele sol escaldante e então decidi fazer aqui a minha estreia. No início estava algo nervoso, não sabia que poderia acontecer e então juntei-me aos companheiros ultra trailers (Teodoro, Miguel San-Payo, Jorge Esteves, Gonçalo Melo) e com o João Veiga, o Manuel Romano (que entretanto logo desapareceu que nem um foguete) e o Ruben lá fomos andando e aparece a primeira subida e os "mestres ultra trailers" começaram a andar e a partir daqui, era assim que tinha que ser, ir com calma, andar nas subidas e tentar correr em percursos planos e descidas pouco inclinadas. Pouco tempo depois e por causa de um "congestionamento de tráfego de atletas" fiquei só eu e o Jorge Esteves. Os outros seguiram em frente. Lá fomos nós a andar e a correr até a um novo "congestionamento" agora numa descida brutal. Aqui perdemos muito tempo porque tínhamos que nos segurar aos ramos dos arbustos, porque senão era de cú. Ligeiramente antes do abastecimento dos 8 km encontramos o José Carlos Melo numa outra descida brutal. Até pensamos que ele estava com algum tipo de problema, mas não, era só o cuidado que tinha que ter nestas descidas à noite. No abastecimento dos 8 kms encontramos os companheiros que entretanto se tinham enganado. Lá seguimos novamente todos juntos até enganarmo-nos novamente (devia ser por volta dos 15 km). Depois de retomar o caminho, uma espécie de single track e com pouco campo de visão, fui ficando para trás e pouco depois o Jorge Esteves ficou também (não sei se por cansaço ou se para me ajudar). Pouco antes de novo abastecimento e seguindo os conselhos do Jorge, mando meia sandes de presunto abaixo (obrigado Nuno Tempera pela ideia). Após o abastecimento dos 21 km começaram as arribas, graças ao Jorge que trazia uma lanterna, começamos a percorrer as arribas. Quase todas as marcações tinham desaparecido e as que estavam mal se viam. Aquilo é perigoso, assustador e nesta altura começo a pensar, se continuar assim fico já no próximo abastecimento. Já na parte final das arribas enganamo-nos novamente (não vimos marcações e fomos pela "lógica"). Como o Jorge já tinha feito esta prova, embora em sentido contrário, sabia mais ou menos onde era o caminho. Pouco depois (após tiramos a areia dos ténis) chegamos ao abastecimento dos 30 km (já com 5H30 de prova). Neste abastecimento substituí o líquido que tinha no camel back (isostar), estava muito doce, por água. Depois lá seguimos naquele caminho (único) que dava para correr, até chegarmos ao km 36/37 onde estava aquela espécie de lodo/areias não movediças e sei lá o quê. O Jorge ao colocar o pé numa ficou até ao joelho e tirá-lo de lá, foi difícil. Ia lá deixando os ténis. Nesta altura já estava connosco a grande atleta Analice, que nesta zona caiu e com a nossa saiu sem nenhuma maleita mais grave e fomos atá ao abastecimento dos 40 km a ouvir as suas histórias. Após o km 40 ainda, numa primeira fase, fomos a correr, passando alguns atletas. Mas a partir do km 45 foi a desgraça total. Só me lembro de andar para a direita, depois esquerda, depois para cima, depois, para baixo. Parecia um autêntico labirinto em que não saiamos do mesmo local. Passamos por terrenos de cultivo, pomares e sei lá o quê. A partir daqui já víamos o nascer do sol e lá continuamos, esquerda, direita, para cima, para baixo, molhar os pés pela centesima vez e lá fomos indo até ao fatidico túnel. Entretanto juntaram-se a nós mais alguns atletas. E encontrar o túnel. Como já era de dia não se conseguia ver as marcações e ao fim da 15 min. lá encotramos o túnel. Será que havia necessidade deste túnel, não havia, mas não era a mesma coisa!!! Incrivel. Depois foi a subida e até aqui enganamo-nos. Valeu a pena? Não. Gostei? Não Vou fazer outra? Não sei. Vou continuar nos trilhos? Vou. Já vai longo e se calhar com algumas incorrecções, algum exagero, mas foi mais ou menos assim que eu a senti. Queria deixar aqui um agradecimento especial ao Jorge Esteves, porque sem a sua ajuda ainda andava lá. E também ao Manuel Romano (2 horas de seca) e ao João Veiga (1 hora de seca) que faziam parte da boleia que o Manuel nos deu.

9 comentários:

Patrícia Calado disse...

Foi um miminho!

Entre S. Pedro de Moel e Óbidos, a costa Oeste tem-te dado momentos inesquecíveis este verão! :)

Parabéns pelo desafio superado, agora podes ir para a praia descansar, também é bom! :)

Jorge Duarte Pinheiro disse...

Ui. Os jovens de hoje têm diversões nocturnas bem diferentes! Estou a brincar... Parabéns!! Runabraço

Alfredo Falcão disse...

Bom relato, deu para reviver alguns dos kms que eram comuns entre a Ultra e o Trail de 25km. Pena que não tenhas gostado. Eu não gostei das valas mas faço um balanço positivo da prova e tenciono voltar. Abraço

Manuel Romano disse...

Grande Zé esta ninguém te tira. Se custou? Sim, custou! E o prazer de hoje, não conta? Conta e muito! Foi mais uma grande prova superada e com muitas histórias para contar, parabéns1

José Carlos Melo disse...

Parabéns José Magalhães! Um duro desafio superado. É assim que se começa. O próximo será seguramente mais fácil.

Teodoro Trindade disse...

Muito obrigado pelo relato e parabéns por mais uma prova superada.

Repara que nem todos têm a ousadia de participar e ainda menos poderão afirmar que a terminaram. E esta satisfação não tem lama, nem areia, nem pedras, nem frontal, ... é toda orgulho.

Um abraço Zé, boas férias.

nemagiev disse...

A primeira Ultra só podia ser por razões obvias na mesma onde tivesse o nucleo Expo...ainda bem que levantaste a ideia...custou sim...mas agora só temos é de estar orgulhosos do que fizemos...
Parabens...

Jorge Esteves disse...

Parabéns Zé! És um UltraMaratonista! E tudo o resto é secundário e com o passar do tempo vamos esquecendo as dificuldades das provas e o que fica é a agradável recordação do desafio superado.
Em relação a esta prova e a muitas outras o que tenho verificado é o aumento da dificuldade com o passar dos anos e ainda por cima sem que os participantes estejam informados disso. Este ano foi muito mais difícil do que em 2012. Em relação a 2014 ainda é cedo para falarmos... No calor da corrida jé me aconteceu dizer que não voltava e depois acabei por voltar!
Ainda em relação a esta prova e genericamente aos trail, a entreajuda e a camaradagem esteve presente e todos nos ajudámos! Viste a alegria da Analice?
Um grande abraço Zé!

João Ralha disse...

Grande Zé Magalhães,

Belo relato de uma prova que deve ter sido muito complicada e difícil, ainda por cima, para dificultar, noturna e pior ainda, já diurna sem marcações visíveis.

Sorte teres tido um "mestre" como o Jorge Esteves para te ajudar mas acima de tudo a tua resistência, força de vontade e perseverança é que te levaram a concluir tão atrrojado desafio.

Daqui a algum tempo já só te lembrarás dos momentos bons.

Runabraços