quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Batimento cardiaco

Recentemente, ao falar com um amigo aproximadamente da minha idade (39 anos), este disse-me que quando corre, tanto em treino como em corrida, o seu ritmo cardiaco mantem-se sempre entre os 120 e os 130 batimentos por minuto.
Isto deixou-me bastante preocupado visto que nos meus treinos, mesmo com uma passada calma, estou sempre entre os 160 e os 170 (normalmente mais próximo do valor superior do que do inferior).
Que valores é que são considerados normais? Na minha idade ainda há alguma esperança de o vir a baixar? O que é que diz a experiência dos nossos corredores mais veteranos?

8 comentários:

46 disse...

Marco,

a informação que deixas não é suficiente para tirar qualquer conclusão.

De qualquer forma, o valor absoluto do batimento cardiaco não tem grande significado. O dado mais correcto será sempre a percentagem do teu batimento máximo.

Dois atletas que treinem a 130 bpm, podem ter niveis de esforço totalmente diferentes: se um deles tiver como Max bpm de 190 e outro de 175, um está a treinar a 68% e outro a 75%. E este dado é que interessa.

Depois temos sempre de questionar como vocês os dois mediram os batimentos (manulamente, com pulsometreo, etc)

Uma coisa te posso dizer: se o teu colega tem o mesmo batimento nos treinos e nas corridas, então ou ele treina mal ou faz as provas mal.


Abraço,

AC

Miguel disse...

Eu também tenho 39 anos e desde há dois anos que controlo as pulsações com um GPS com frequencímetro cardíaco.
Em treino ando sempre à volta dos 165-170 e nas corridas 185-190.
Acho que é um bocado alto, mas sempre assim foi.
Não sei exactamente qual será o meu máximo (já marcou uma vez 209 num sprint final) pois existem diversas teorias sobre isso, mas usando a fórmula 220-idade = 220-39 = 181. Logo segundo esta fórmula corro uma meia maratona a mais de 100% do meu ritmo cardíaco máximo... Apesar de me sentir quase sempre no limite, não me sinto especialmente mal e consigo manter o ritmo durante muito tempo.
Algo aqui não bate certo.
Alguma ideia?

Abraços
Miguel Dias

Marco Gouveia disse...

Não sei como é que o meu amigo controla o seu ritmo cardiaco mas para o meu utilizo os sensores da máquina no ginásio.
O que me preocupa principalmente é o facto de ter de indicar a minha idade como sendo 20 anos para que o alerta de FC máxima não estar permamentemente ligado.

João Ralha disse...

Procurei na Net "frequência cardíaca máxima" e como esperava existem diversas opiniões, do Brasil.

1. Com referências bibliográficas: http://www.cdof.com.br/fisio1.htm
2. Sem referências
http://www.copacabanarunners.net/perg0310.html

No que me diz respeito, utilizei durante algum tempo um Polar com fita para leitura da FC, mas como tenho muito pêlo, aquilo dava-me muitas vezes valores impossíveis, tipo 220 e eu "nas calmas".

Uma vez até rapei os pelos do peito na zona de leitura da fita e deixei de ter dados "impossíveis". Depois, a fita saia do sítio e não dava boas leituras.

Até que me fartei e deixei de usar a fita. Entretanto, antes da fazer a minha 1ª Maratona, fiz uma prova de esforço, num Hospital, e os resultados foram bons. Essa é capaz de ser a melhor medida profilática.

Eu sei que não é muito científico mas actualmente baseio-me no que sinto, quando corro. Sei claramente que se tiver mais treino, corro à mesma velocidade com menor esforço, do que numa velocidade idêntica, mas com menos treino. O senhor de La Palisse não diria melhor.

Julgo que temos que ter algumas precauções e devemos consultar especialistas, periodicamente. No Centro de Medicina Desportiva de Lisboa eles têm um serviço para analisar a capacidade física.

A escolher um cardiologista eu tentaria encontrar um que corra. Assim saberá melhor do que está a falar. Para quem é bancário ou pode ir ao Hospital dos SAMS, em Lisboa, sugiro o Dr. Paulo Pedro.

Outro especialista que não é médico, mas é um estudioso destas questões, é o António Cruz, que aqui já deixou o seu comentário.

Runabraços

Jorge Simões disse...

É verdade que a fórmula já mencionada, determina um valor eventualmente máximo que um individuo de determinada idade não devia ultrapassar, no entanto anos mais tarde esta fórmula deixou de fazer sentido para um treino mais efectivo, daí Mr. Karvonen ter criado a sua própria formula que é sem dúvida nenhuma, a melhor forma de calcularmos o nosso ritmo cardíaco - podes utiliza-la.
No entanto aquilo que eu fiz em termos práticos foi, com um GPS e monitor de frequência cardíaca (e depois de um aquecimento de 10 min) acelerar numa subida longa aumentando sempre a velocidade à medida que vou subindo até chegar ao sprint final e não aguentar mais. No momento em que a velocidade começa a reduzir é o momento em que atinjo a maior frequência cardíaca e esse valor deve ser considerado com o meu 100% (não os 220-a minha idade), a partir daí é só fazer o cálculo para o treino à percentagem de BPM que queremos e deverá ser sempre dentro desta escala de valores (individuais) que cada um deve treinar se quiser ter o seu melhor rendimento do seu organismo. Somos todos diferentes e a melhor forma que tenho para ilustrar isto é com o binário de um carro, por vezes continuar a pisar o acelerador ou manter a RPM no determinado valor não é sinónimo de maior velocidade. E é por isso que o binário é sempre diferente de modelo para modelo e é por isso que há motores que se partem...

Miguel Dias disse...

Obrigado João e Jorge. Assim que puder voltar a treinar vou experimentar isso.
Terminei hoje umas sessões de fisioterapia para o meu joelho, e mais uma semana ou duas e já devo poder voltar a correr (mas ainda devagarinho).

Abraços
Miguel

Paulo Gonçalves Marcos disse...

Com a riqueza de contributos que aqui são deixados já resta pouco para dizer. Contudo...

Eu também tenho uma frequência cardíaca em treino muito mais elevada que o João Ralha ou o Eduardo Correia, para citar apenas os dois atletas que me são mais familiares. E atribuo isso ao facto de eles serem corredores com mais experiência e endurance que eu.
Ou seja, num treinito nas calmas eu tenho mais 10 a 15 bpm que qualquer um deles, correndo lado a lado...

Fiz a prova de esforço no âmbito da medicina do trabalho e aquilo acabou antes de eu ter atingido o máximo...Bom sinal...

Mas apesar da metodologia que o Jorge indicou ser a mais correcta do ponto de vista empírico (o João Ralha deu-nos uma abordagem mais formal e tecnicamente correcta) eu uso a estafada fórmula dos 220-43=177 e tento não ultrapassar isto nas corridas de 10 km...(nas outras ando sempre abaixo, bem abaixo, disso).

Marco Gouveia disse...

Obrigado pelos preciosos contributos de todos e que ajudaram a lançar alguma luz sobre este tema.
Abraço,
Marco