VII Enduro Trail CRP Ribafria



Sempre tive curiosidade sobre esta prova suscitada pelos relatos da Ana Groznik e do Rui Faria. Diziam-me que era engraçada , que tinha um percurso exigente e acidentado, muita água, lama, pedras, desnivel, …, enfim tudo condimentos interessantes. Eu gosto de experimentar conceitos diferentes e quando estes incluem as palavras: “trilho” ou “trail”, o experimentalismo torna-se irresistivel.


Mas começemos pelo princípio. Este ano, no início de abril, fiz a pré-inscrição no Enduro de Ribafria. Entretanto a minha vida profissional complicou-se e nunca cheguei a finalizar a inscrição. “Acordei” na sexta-feira passada, a menos de 48h da prova. Troco emails com a organização e de imediato fico com o nome na lista de inscritos (obrigado pela simpatia). Já não podia voltar atrás.
A decisão de participar na prova é por sí só um desafio. Significa acordar às 5h30, sair de Lisboa às 6h45 (obrigado Rui e Sandra pela boleia), percorrer quase 100 km até Ribafria (Concelho de Alcobaça), para chegar a tempo de levantar os dorsais, preparar o equipamento e …, iniciar a prova que começa às 8h00. E não é que deu tudo certo!


A prova é diferente de todas as que já participei. Trata-se de um contra-relógio. Cada atleta parte rigorosamente de minuto a minuto, com o tempo controlado a partir de um chip. Este ano houve duas classificativas, a primeira com aproximadamente 9 km e a segunda com pouco mais de 10 km, num total de 20 km com 880 m de D+. As classificativas são em single track muito acidentado com constantes obstáculos naturais, terreno dificil e desníveis curtos mas significativos. Corre-se pouco mas prometeram-me uma tareia de todo o tamanho.


Do RUN 4 FUN participamos 3 atletas, a Sandra Simões, o Rui Faria e eu (Teodoro Trindade). Esta foi também a ordem de partida nas classificativas.



Confesso que estava apreensivo, não sabia o que me esperava. Após pouco mais de 1,5 km já estava com os pés dentro da ribeira a ser ultrapassado por vários corredores que partiram depois de mim. Deixei-me de esquisitices e tal como os outros ensaiei um trotezinho por dentro de água ao longo da ribeira. Depois de algumas dezenas de metros já tinha água acima da cintura, tinha de mudar de estratégia e sair dali. Fixei um pé na margem barrenta, icei o outro, o primeiro resvala, e catrapum ganhei um mergulho integral na ribeira. Redobrei o cuidado, e os atletas sempre a passarem por mim. Onde me tinha eu metido. Pensei várias vezes que provavelmente estaria em último. Mas não estava. Neste tipo de prova, este efeito de ultrapassagens é enganador. Se na vizinhança do nosso tempo de partida estiverem atletas mais rápidos, estaremos sempre a ser ultrapassados e nunca passaremos ninguém. Esta situação não significa que estejamos a ter uma má prestação.


A prova é uma aula de CrossFit na natureza, tem escalada, rope climb, agachamentos, squat, pistol e também algo parecido com burpees. Conheço aficionados frequentadores de boxes que deveriam experimentar estes percursos.


No final da 1ª classificativa, ao fim de 1h35 de prova, com cerca de 9 km percorridos, estava estafado, esfolado e com as pernas e as mãos repletas de espinhos (devia ter levado meias altas e luvas). Apesar disto estava contente e cheio de prazer em participar nesta aventura.

Quando cheguei ao abastecimento entre as classificativas ainda lá estava o Rui a aguardar a chamada para iniciar o segundo troço. A Sandra já tinha arrancado muito tempo antes.


A segunda parte foi diferente embora com idêntica altimetria. Teve mais troços de ligação em caminhos de terreno acidentado, e os extensos percursos ao longo dos ribeiros eram uma constante. Muita pedra, menos água e lama mas mais vegetação. Apesar de tudo achei esta segunda parte mais fácil do que a primeira. Terminei a 2ª classificativa em 1h55 percorrendo 10 km (uma miséria).
No final havia sopa (que já não provei, treinasses) e porco no espeto (delicioso) regado com um copo de vinho tinto.




A grande triunfadora do Enduro foi a Sandra, com um brilhante 2º lugar no escalão. Parabéns. Mas o Rui não esteve mal, conseguiu um honrroso 49º lugar na geral e o 14º no escalão. Bravo. E aqui o escriba também não desmereceu, 64º da geral e (reparem bem) o 22º lugar no escalão “Senior M” de entre 29. A prova é para mim um “elixir de juventude”. Tenho de voltar onde sou bem tratado.


Se querem experimentar algo de diferente, no próximo ano venham a Ribafria, eu acompanho-vos.





Comentários

João Ralha disse…
Obrigado Teodoro, pela partilha. Fica na lista dos desejos para 2019. Runabraço