quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quer melhorar a memória? Só precisa de fazer jogging

Notícia do i de hoje:

Investigadores da Universidade de Cambridge desenvolveram estudo inédito que mostra que correr melhora a memória e previne o envelhecimento do cérebro

testes foram feitos em ratinhos de laboratório e as conclusões, garantem os cientistas, não deixam margem para dúvidas: correr aumenta o desempenho do cérebro. Os benefícios do jogging para a saúde são, há muito, conhecidos. No entanto, a relação entre a corrida regular e a performance do cérebro nunca tinha sido comprovada - e compreendida - pelos cientistas. Até agora. Um grupo de neurocientistas da universidade de Cambridge acredita ter descoberto as razões por que correr estimula o cérebro. Fazer jogging diariamente, revelam, conduz ao crescimento de centenas de milhares de novas células no cérebro - o que permite aumentar a capacidade de invocar memórias sem as confundir. Um processo tido como crucial no desenvolvimento da aprendizagem e de outras tarefas cognitivas importantes. Além disso, o grupo de investigadores comprovou que o jogging desacalera o processo de envelhecimento do cérebro ao longo dos anos. A descoberta poderá contribuir para o tratamento da deterioração da habilidade mental que afecta muitos idosos."Sabíamos que o exercício faz bem à actividade cerebral, mas este estudo permitiu- nos compreender porquê", explicou ao jornal britânico "The Guardian" o neurocientista comportamental de Cambridge e coordenador do estudo, Timothy Bussey. Estudos anteriores já tinham demonstrado a importância do exercício no tratamento de depressões. E alguns medicamentos anti-depressivos actuam, aliás, no sentido de estimular o crescimento de novas células no cérebro. Agora, os cientistas acreditam que na origem dessa renovação poderá estar o aumento do fluxo sanguíneo ou os altos níveis de hormonas que são libertadas durante o exercício físico. A experiência Para comprovar esta relação, os investigadores usaram dois grupos de ratinhos. Um de controlo e outro que foi submetido a doses ininterruptas de exercício numa roda e que percorreu uma média de 24 quilómetros por dia. Ao mesmo tempo que se exercitavam, a memória dos ratos foi testada, através da exibição de dois quadrados num ecrã de computador. Se os ratos tocassem com o focinho no quadrado da esquerda, recebiam comida. Se tocassem no da direita, não tinham direito a qualquer bónus. Desde logo, os investigadores perceberam que os ratinhos que se exercitavam conseguiram duas vezes mais comida do que o grupo de controlo. No início dos testes, os quadrados estavam a 30 centímetros de distância, mas foram sendo aproximados gradualmente, até quase se tocarem. O objectivo seria testar o desempenho dos ratinhos no momento de separar duas memórias muito semelhantes e recentes - no ser humano, é essa distinção que permite, por exemplo, recordar o que é que se jantou ontem e anteontem ou, por outro lado, lembrar-se em que zonas do parque de estacionamento do centro comercial se deixou o carro nas últimas idas às compras. "E foi nesta fase da experiência, em que os ratos foram confrontados com a gestão das duas memórias muito iguais, que a renovação das células cerebrais fez toda a diferença", garante Timothy Bussey. As conclusões mostram que os ratinhos sedentários saíram pior no teste e não conseguiram distinguir os quadrados, à medida que foram sendo aproximados. E o tecido cerebral retirado dos roedores mostrou que, nos que correram, cresceu durante a experiência - uma média de 6 mil novas células por milímetro cúbico.

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