enquanto houver estrada p'ra andar

Quando, há coisa de oito anos, comecei a correr, mal aguentava o primeiro quilómetro. Hoje consigo fazer mais.
O exercício de correr acaba por ser entre muitas coisas, uma prova de superação, uma forma de desanuviar do stress do dia-a-dia, e uma descoberta de como podem ser elásticos os nossos limites. Competir connosco e conseguir ganhar, sem favores de ninguem e prescindindo do recurso às novas tecnologias.
Ir conquistando cada vez mais quilómetros e mais ou menos rápidos. Corro sempre a olhar em volta e sem "phones" nas orelhas, gosto da conversa fácil, de falar dos filhos, de bola, dos percursos a explorar, dos próximos objectivos e claro das próximas ementas de recovery. Por quilómetro dá para pôr muita conversa em dia.
E agora, não há conversa para ninguém, é um choque, uma tristeza e uma estupefacção enorme e pura, por esta nova realidade. Não é justo, não faz sentido...ou se calhar até faz, este abanão vai fazer mudar muita coisa e essencialmente dar valor aquilo que tinhamos e teremos pela frente !
Agora falo por mim, quando isto passar vou-me agarrar a tudo o que posso, sem qualquer hesitação e sem adiamentos. 
Como diz o poeta e cantor Jorge Palma "enquanto houver estrada p'ra andar"    

Comentários

João Ralha disse…
Belo texto. Damos mais valor às coisas que não podemos ter. Runabraços
Fernando Rosete disse…
A nossa estrada de sempre é e será cada vez mais importante, estamos a aprender a dar-lhe o verdadeiro valor. Num futuro próximo iremos usufruir dela com mais intensidade e ganhar uma mais valia de satisfação ainda maior. Abraço António.
Exatamente! Identifico-me com o teu bonito texto António. Enquanto houver estrada para andar, há que fazer o caminho.

Forte abraço