UTA – Ultra Trail da Amizade 💜❤️💚💛

Começou por amizade e terminou com abraços.
E foi o que esta aventura representou para mim. A prova que nunca foi o importante.



“Alguém falou em inscrevermos-nos nos Abutres?!”

Respira comigo

Respira a pressão
Vem jogar o meu jogo, eu vou testar-te
Psicossomático, viciado, insano 


The Prodigy - 'Breathe'




Já não me lembro quem foi o primeiro a ter essa ideia. Provavelmente foi alguém depois de algum treino em Sintra na companhia de umas cervejas.

Eu cá não seria a pessoa mais indicada para falar desta prova. Pois não faço parte dos atletas são fãs dos Abutres. Por isso é que vou falar de outras coisas.


Eu fiz duas vezes a prova curta 25km e nunca me atraiu lá voltar.

Tinha gostado de alguns troços do trilho. Mas sempre achei um pouco exagerado o perigo de andar o tempo todo metido nas margens do rio. Sempre agarrado as cordas e a pensar quando é que vou cair daqui?! É certo que uma queda ali não é muito alta.Mas o problema é que as margens são só pedras bicudas a espera de um descuido para nos ferrar.

Das duas vezes que fui, terminei bem. Mas com uma sensação que seria uma prova mais para caminhada do que para corrida. Pelo menos no meu nível. E também nunca sai de lá com aquela sensação que é partilhada por muitos trailers, que os Abutres é uma prova fantástica. Hoje em dia com muito mais provas nas pernas percebo porque sinto essa falta de entusiasmo pelos Abutres.

E posso dizer agora que mesmo após esta participação em 2020 contínuo a não achar muita piada a prova.

É verdade que tem partes do percurso das mais bonitas que já trilhei... É verdade. Também noto que está associado um certo misticismo nos olhares dos participantes. Mas isso não chegava para voltar a pôr lá os pés.

Mas esta malta… esta malta… pararam o treino que estávamos a fazer na Serra de Sintra para se inscreverem no sorteio no momento da aberturas das inscrições para o sorteio. Eu cá inscrevi-me à noite ou no dia seguinte. “… espero que não me calhe o sorteio…”

Mas calhou-me!! E calhou ao Francisco Afonso, Ana Melo, Teodoro, João Sousa, Luísa Paula Henriques , Helena Soares, Manuela Machado e o Pedro Machado.


"Ok.." Tinha decidido que não ia inscrever.  Mas quando vejo que o TT já se inscreveu e está na eminência de ir sozinho fazer a ultra…mau!!

Faço a pré inscrição e fico com 72horas para decidir pagar ou não pagar.

Mais nenhum laranjinha recebeu o malfadado email com o sorteio. O “TT não pode ir sozinho...” E lembrei-me do Ribeiro sozinho no Estrelaçor… paguei a inscrição e pronto... Tá tratado e não se pensa mais nisso.

Entretanto, passados meses, o pessoal que estava na lista de espera começa a receber os emails da organização a informar que tinham sido sorteados.

Gonçalo Melo, Marina Marques, Paulo Raposo, e ainda há a possibilidade da Rute Pais ir com o dorsal da Luísa Henriques. Todos eles se inscrevem.

Mas o Pedro Ribeiro andava tristinho o carteiro não trazia noticias. O Luís Matos Ferreira já se tinha conformado em não ir. Mas o Luís Afonso anda “lixado” com a organização porque ele teria entrada na prova por ter pontos suficientes via ATRP. E a organização também não lhe respondia aos emails…

Sei que por fim lhe enviaram os códigos para se inscrever mas o Luís fez-lhes um manguito.

Entretanto, numa conversa no carro, o Pedro Ribeiro fica a saber da possibilidade de comprar bilhete para a prova, do controverso pack prova + alojamento. Cralhes lá vai ele. 

Foi o último a integrar a comitiva laranja no Ultra Trail da Amizade.

Pois bem… para forjar ainda mais esta minha o marca UTamizade, havia a hipótese do Luís Afonso ir apoiar-nos durante a prova. Ganda maluco.

Forjada ou falhada foi também a minha tentativa de cortar o o cabelo à vocalista dos "The Prodigy".

Breathe, um das musicas e video que mais gosto deles https://www.youtube.com/watch?v=rmHDhAohJlQ


Já se anunciava uma boa onda de apoio. A Sandra, a Margarida (Guida), a Cândida e a Daniela iam apoiar-nos nos abastecimentos. Que categoria quando recebi o meu maurten prontinho e xucalhado.  Com direito a beijoca e tudo. Brincas ou quê!!?


Na verdade quando chegamos a esse abastecimento estavam lá todos os que não estavam a participar na prova. Sandra, Guida, Daniela, Cândida, Francisco e o Orlando.

Maravilha!! Ao chegar ao estradão antes do abastecimento e ser recebido com palmas e gritos dos bons… é do melhor!!

Eu e o McRiver despachamos-nos e pusemos-nos a andar. Literalmente a andar e a subir as escadas não sei das quantas.

O Gonçalo ficou a espera do Teodoro. Que delicia Gonçalo. Tens um jeito estranho quando dizes que vais ficar à espera. Já não é a primeira vez que te vejo fazer isso. Dizes com convicção mas parece que o teu corpo vai para a frente e a tua cabeça fica ali. Ou então é ao contrário, já não sei.

Eu e o McRiver já íamos lá longe do abastecimento mas ainda ouvíamos a Sandra em cima do telhado aos pulos e a gritar sei lá o quê. Devia ser para nos despacharmos. "Calões..."

Depois desse abastecimento, o que eu sei é que deu tempo para relaxar. Fui ao rio e o McRiver tirou as fotos. 




Mais outra foto e outra… e chegou o Teodoro e o Gonçalo. Confiamos que seria tranquilo o Paulo e a Marina passarem a barreira horária e seguimos caminho.

Pronto… foi a altura de beca beca por ali acima.

A partir daqui, ouvi muitas vezes isto: “andaaaa rui”. Que querido o McRiver.

Até que se pegou e o TT também me disse: “vamos rui?!”

O Gonçalo claramente tomou o pulso da prova e de líder do quarteto. Fortíssimo. Anda a tomar coisas esse gajo. E anda brutinho ao estilo dele. “Já ouvi desculpas melhores” diz ele para um artista que resolveu pedir para passar numa subida em single track com a desculpa que arrefecia. Na subida seguinte o TT desabafou sobre a dificuldade que tem tido a fazer a parte das subidas. Eu não estava mais folgado que ele, mas mantive-me. Numa dupla elo menos um tem que tentar manter a coisa animada. Já fiz algumas provas ao lado do TT e nunca o tinha visto sequer parar numa subida para descansar. A subida amainava e lá ia o Teodoro a puxar a minha frente.

Quando já estávamos perto das eólicas, as nuvens tinham dado uns minutos de tréguas e o sol raiava. Já não víamos o McRiver e o Gonçalo à nossa frente desde à muitos km atrás. Sugeri ao TT que nos sentássemos um pouco. “Á sombra…” diz o Teodoro. Que maravilha de spot e de momento. Eu encostei-me as sebes molhadas do berma do corta-fogo com uma vista 180º para uma terreola lá bem em baixo. Contei a história do Nuno Dias de Almeida nos 100km de São Mamede. Como ele dizia para fazermos uma pausa técnica.

Contei ao TT a história do Nuno Dias de Almeida nos 100km de São Mamede. Como ele dizia para fazermos uma pausa técnica e dividia sempre um snack pelos dois.

O TT desentorpecia as pernas com alongamentos. Vi cansaço e ao mesmo tempo animação na cara dele. Não é fácil detectar expressões de cansaço na face deste 300k.

Comi um snack que trazia e uns frutos secos que ele me ofereceu...

Vamos lá embora... e mais beca beca. Tenho que parar com isto de me meter com as pessoas nas provas. Neste troço foi uma atleta da prova dos 30km que arrumava os bastões. O sobrenome dela era Malta.

E a Malta disse-me que do que se lembrava da prova do ano passado já não haveriam subidas complicadas. Então arrumei também os meus bastões.

1km mais a frente, para meu espanto a Malta baldou-se na bifurcação para a prova dos 30km. “Ora bolas para o negócio!!! Atão ela vai para os 30km o que quer dizer que nós ainda temos muito que palmilhar.” É que eu pensava que as provas seriam iguais dali para a frente.

Sigaaaa… mais um abastecimento... e mais outro até chegarmos ao tal do observatório.

Observatório= jola + bifana... e uma foto com o TT.

“Vamos Rui!?”. "Bora.. bora." E siga por ali abaixo.

Mas os três tem uma p@£€a de uma passada larga. Tinha ido para a frente mas depressa os deixei passar para a frente. Foi vê-los a desaparecer.

O Pedro Ribeiro têm uma passada muito maneirinha. Parece um bambi. Observem e depois digam lá que eu não tenho razão. Estive a observar-lo durante algum tempo nas partes onde o trilho era mais técnico. Os La Sportiva Akasha novos até voavam. 

O tipo é capaz de passar por cima de ovos e não partir nenhum. É tramado... e tem excelentes reflexos. Ele próprio diz que é difícil lesionar-se.

O Teodoro também é ligeiro, mas tem um pisar mais fundo. Primeiro assenta o pé e só depois arrefinfa-lhe com o outro pé. Mas quando são single tracks parece um javalizinho que vai no ripanço o tempo todo.... e não toca em nada a volta do trilho. Sacana páh!!

O Gonçalo... jazuzzzzzz!!! Está potentíssimo. Desde o ano passado no Estrelaçor que tem vindo sempre a melhorar o ritmo. Deve ser das bombadas. O homem vai sempre erecto. Os joelhos quase que nem dobram. Não se percebe como se faz aquilo.

E no último abastecimento quando eu estava a aparvalhar a dizer que eles podiam bazar... que eu ia desligar as baterias quando faltassem +-3km... e que eles gostam de ripar no fim das provas e eu gosto de abrandar.. e blá blá... O Gonçalo meteu-me na linha. Só sei que me calei e fui disfarçar no beca beta com os bombeiros. Isto não é para todos.

Ainda dá para falar do penúltimo abastecimento. Em que voltamos a ser recebidos pelas singulares RUN 4 FUN ROCKS!!

Quando chegamos perto… o abastecimento deixou logo de ser monótono. Foram gritos que ecoaram por toda a mata num raio de 1 km. "Quem são estes malucos" Era o que as outras pessoas deviam estavam a pensar.

Desta vez a princesa tinha trazido a caixa do meu abastecimento. Ainda trocava de luvas e já estava a ouvir… “andaaaa rui”. Foi tudo muito rápido. Ou pareceu rápido. Siga!!!

A parte do percurso depois de Gondramaz é a tal parte que eu não gosto muito. Estava a ficar escuro e fiquei para trás. A certa altura estava a descer em modo de salto e dei com o tornozelo numa pedra. Um atleta que vinha atrás ajudou. Estava tudo ok. Fui lento aqui e fiquei uns minutos para trás. Chegados ao último abastecimento... A partir daqui foi só lama... lama... lama.. até chegar a estrada... um trilho da treta que arranjaram para ali.

E foi num trotezinho ligeiro que fui com estes 3 malandros até a meta.

Às portas da meta está a Carmen Ferreira literalmente a gritar connosco para corrermos. Já não dava mais Carmen. E estar a correr já era muito bom. A malta que estava ali ria-se. Hahahaha.  Não existes Carmen.

Eu nem sei bem como consegui ainda terminar a prova a trote. Três semanas antes estava a ver a coisa negra.


Foi muito bom companheiros!

E como diz o Gonçalo “Vou com vocês para qualquer desafio”

Antes da meta lá estava um sorriso lindo a minha espera.

E na meta, fartos de esperar por estas aventesmas,  a claque mai linda estava lá.

Obrigado Guida e Cândida que mimos bons.

Mas isto não fica completo sem a minha beijoca na meta. Isto assim é bom e acho que era capaz de me habituar.

Umas jola e outra jola e recebemos informação do Luís Afonso a dizer que a hora prevista de chegada da Marina e do Sherpa era as 19h:40. Chegaram às 19:39 sorridentes e a ripar. E RUN ... é FUN... Tarefa cumprida.

A prova também correu bem para a Ana Melo e a para a Helena Soares. A prova delas acabou muito antes da nossa e já tinham ido tomar o merecido banho.


Fique registado que a Helena é uma boa companhia. E tem mostrado que é uma pessoa que alinha nestas aventuras sem muita conversa. Se é para ir vai é para ir... inscreve-se, é despachada, boa companhia, faladora, vai para a prova e termina.... Excelente!!

No dia seguinte era a prova do Francisco. Mas parece que o nosso Xicão não estava virado para fazer a prova nesse dia. Tu não inventes companheiro! Não terminar as provas porque não nos apetece ou por outra razão é uma decisão individual.. cada um é que sabe de si. E sótens que pensar que aqueles malucos estão contigo em qualquer situação.

Agora já chega… Fiquei a gostar um pouco mais desta prova… Mas não é para voltar… tão cedo.

Sobre o spot que reservei para o jantar não vou dizer nada. não vou dizer nada.... não vou dizer nada...




Runabraços e agora só me falta o video da Freita e o de fim de ano.


Comentários

João Ralha disse…
Não é fácil escrever um texto com esta profundidade, mas conseguiste um belo e emocionante texto sobre a amizade e como esta se sobrepõe a tudo.

É o que nos faz felizes. O convívio com os amigos e amigas e a partilha, mais reforçada nos momentos difíceis, pelos verdadeiros amigos.

Grande runabraço