Desafio Superado.

Desafio superado.

Ontem, na maratona de Badajoz, consegui um feito pessoal que há uns anos nem nos meus melhores sonhos achava possível.
Consegui correr a maratona em 3h:29m. O melhor que tinha conseguido até ontem tinha sido 3h:46.
Para esta maratona tinha como objetivo fazer o meu PBT. E para quem não se lembra, no nosso almoço anual R4F, a direção de 2018 lançou um desafio/brincadeira

BMTR (bater o melhor tempo do Rúben (3h:45)... numa maratona). Alinhei logo neste desafio. Eu acho que este tipo brincadeira são FUN.
Para ser justo, apontei o BMTR, para o mesmo palco onde o Rúben havia feito o PBT.

Arrancamos de Lisboa para Badajoz as 5h:00 Am.
O condutor era o Rúben, que por ironia, ia dar boleia aos seus "rivais" afoitos para lhe baterem o PBT.
Ia também a Sandra Simões, o Paulo Raposo, e o Gonçalo Lopes (o Xanatas)

O Jorge Esteves, a Elsa, O Teodoro, a Guida e o Pedro Ribeiro também iam fazer a prova, mas foram dormir a Badajoz na véspera.
Vamos lá então à corrida...

Desta vez fui todo vestido de laranjinha, incluindo os calções.
O último mês a gripe e a amigdalite não têm dado tréguas, por isso não estava muito certo de como o corpo ia responder.

Mas eu estava decidido a correr e ver até onde ia aguentar sem borregar.

Na partida, eu e o Xanatas alinhamos o pensamento... Vamos seguir o balão das 3h:30. "Bora lá".
Como a maratona de Badajoz tem poucos participantes, é possível arrancar logo nas primeiras filas sem nenhum stresse.
Fez-se 1 minuto de silêncio em homenagem um menino, Gabriel, que foi encontrado sem vida uns dias atrás em Espanha... Só percebi isso.
Na partida, depois dos habituais desejos de boa prova aos companheiros, arrancamos logo atrás do tipo que levava o balão.

Lá íamos nós e mais um grupo de 15 ou 20 atletas. A conversa com o Xanatas ia rolando descontraidamente. O Gonçalo é um tipo com pinta, inteligente e sempre bem-disposto.
No retorno logo após os primeiros kms cruzamos com o resto do pessoal laranjinha que vinha do outro lado da estrada. Ainda deu tempo de fazer um desviozito para dar uma beijoca.

km 10 (acho), Passagem na ponte e lá estava a Guida de máquina em punho para a foto. Levantamos os braços, sorrimos e lá fomos nós... Obrigado Guida madrinha... És a maior.
Madrinha
km 16, o pacer tenta animar o grupo e puxa por nós a dizer que estamos a ir muito bem e arrancamos uma salva de palmas entre nós todos que ali íamos.
 km 21, sentia-me bem. Algum desgaste mais com as pernas a puxarem bem. Um sinal disso é que ainda íamos conversando.

Havia um tipo na grupeta que de vez em quando ligava um rádio e ponha música. Se no início tivemos a ouvir algumas músicas fraquinhas, nesta altura, a música que metia já era motivacional e melhorou bastante.
Acho que pelo km 25 ou 26 o Gonçalo teve que tirar a tshirt porque um dos adesivos para proteger os mamilos caiu. São coisas que acontecem.
Não costumo tomar géis, mas desta vez tomei 3 géis e comi uma tâmara que o Xanatas me deu.
km 30, Gonçalo: “Como é que estás?" eu respondo "Agora já está a mais difícil. Já começo a sentir faltar forças. Até ao km 36 vou com o balão. Depois logo vejo."

O Gonçalo "Vais conseguir. Bora lá até ao fim."
Pelo km 33, a maior parte do pessoal daquela grupeta que ia ali connosco, aumentou a passada, mas ficámos alguns com o pacer.


km 35, antes da última subida, o pacer vira-se para mim e para o Gonçalo... "Vá vocês têm uma boa almofada para seguirem e terminarem isto. Eu vou lá atrás puxar por outros que ainda têm tempo também."
A partir daí fui eu e o Xanatas até ao fim. Ainda levamos com 2 ou 3 rabanadas de vento, mas conseguimos aguentar o ritmo ali um pouco acima dos 5"/km.

Normalmente eu desligo o sistema 1 ou 2 km antes de chegar as metas. É dos momentos que me dá mais prazer. Corro solto e cheio de orgulho de mim. A maior parte das vezes arrepio-me.
Com o Xanatas ao lado não consegui desligar completamente. Ainda me fez arrancar um sprint nos últimos 100m.

Quando as provas de estrada nem são as minhas preferidas e quando a expressão com que acabo a prova é "Que grande prova que fiz caraças..." e hoje me sinto orgulhoso, é porque alguma coisa fiz certa.

Eu e o Gonçalo fomos beber uma jola e depois fomos para a tenda das massagens.

Cá entre nós... isto só foi possível por causa desta nossa malta dos RUN 4 FUN, dos companheiros de treinos e patuscadas e aventuras, da motivação pré prova no FB e afins, da atitude, dos momentos bons e partilhados que tenho tido na vida extra corrida, e de um grande companheiro de prova de xanatas nos pés.

Depois tínhamos almoço combinado em Elvas, mas antes de sair de Badajoz tivemos o nosso habitual momento recovery. Uma rodada de jolas por favor.

Obrigado malta!!

E Rúben... agora não podes deixar isto ficar assim...

Comentários

João Ralha disse…
Belo e bem humorado relato. Obrigado Rui e parabéns pelo relato e pelo PBT. Não há dúvida que a solidariedade é meio caminho andado para se conquistarem grandes feitos. Parabéns também ao Gonçalo que "rebocou" o Rui Faria. Runabraços aos dois e a todos os R4F que estiveram dentro e fora da prova.
Alfredo Falcão disse…
Emocionante, parece que fiz a corrida convosco. Esse pacer era mesmo impecável. Parabéns pelo relato e obrigado pela partilha.
Teodoro Trindade disse…
Obrigado Rui, bela crónica.

Tu és um grande atleta e um excelente companheiro, e o Gonçalo também. Dupla magnífica. No passado domingo, Badajoz foi vossa, triunfaram.

Temos de repetir mais vezes estes eventos. São sempre uma delícia.
Gonçalo disse…
Fizeste uma bela corrida! E no final acho que foste tu que puxaste por mim, que eu já estava nas últimas!
És um grande atleta e obrigado pela companhia!
Muitos parabéns pelo PBT!!
Luís Carvalho disse…
Grande Rui Faria, Uma vez mais parabéns, Cumpts (abraços) desportivos,