Madeira Island Ultra Trail - MIUT 2015





Caros RUN 4 FUN, queria fazer uma descrição épica e emocionada da minha passagem pelo MIUT, mas não sei se algum dia conseguirei alinhar convenientemente as ideias acerca daquela prova. A paixão pelos trilhos parece-me fácil de compreender, mesmo por quem não a partilha, e na Madeira deve estar uma dos maiores desafios que podemos encontrar em Portugal. Mas desde que decidi arriscar a minha participação, nunca estive seguro do que ia acontecer. “Hope for the best, prepare for the worst” foi a minha linha orientadora, mas na práctica nunca treinamos tanto nem tão bem quanto queremos, e os relatos que ouvi das edições anteriores não me traziam esperança nenhuma. Excepto de empenar à grande e à Alberto João, claro.


Porquê ir? Acho que se resume tudo a testar os meus limites. E a fazê-lo rodeado por quem me compreende e partilha o prazer de correr na natureza. No MIUT encontrei tudo isto em doses maciças, a parte da ilha onde decorre a prova consegue ser inclemente e demolidora, e ao mesmo tempo de uma beleza de cortar a respiração. Ver o por do sol no Pico do Areeiro, acima das nuvens… alternar entre o verde luxuriante e o inóspito e quase lunar do maciço central… as levadas… os degraus… tudo sensações fortes que me vergaram mais do que uma vez, mas felizmente e com a ajuda dos loucos que correm ao meu lado, não levaram a melhor.


Tenho sempre como objectivo apenas terminar bem as provas em que participo, é um objectivo modesto mas sei o que posso ambicionar. Desta vez fiz muita coisa bem feita durante a prova, em termos de alimentação e hidratação por exemplo, ritmo e resiliência, e fiz também as normais (e outras menos normais) asneiras de maçarico amador das corridas. Tudo somado, chegar ao fim tem tanto mérito meu como de quem fez o percurso comigo. Antes e durante a prova. Mas em vez de nomear todos e transformar este texto nas páginas amarelas, destaco apenas um pelo exemplo que é para mim de Atleta e Homem, pela modéstia e bom humor, pelo empenho e prazer que transborda nos trilhos: obrigado Luis Matos Ferreira.


Abraço,
Miguel Serradas Duarte.


P. S. - a fotografia engana, o trail não faz mal.

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