segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A minha primeira maratona

Não sou um atleta, mas há cerca de dois anos comecei um plano de treinos variado, tendo desembocado naturalmente na corrida de fundo.

Como já praticava várias outras atividades físicas como a equitação e o boxe tailandês, a corrida parecia-me natural para melhorar a minha resistência e endurance. Fiz a minha primeira prova no dia 30 de setembro de 2012, com uma meia maratona e consciencializei-me que com um pouco mais de treino chegaria à prova mãe que é a maratona com os seus míticos 42,195 km.
No dia 12 de junho iniciei com regularidade os treinos contínuos e intervalados, sem esquecer as vantagens dos treinos fartlek. Acompanhava os treinos com leituras logo após, para perceber um pouco as experiências dos outros.
Quando os treinos longos surgiram, ao mesmo tempo que fazia as provas da corrida do tejo e do destak, pude acompanhar de perto os treinos dos meus colegas de equipa António Arede e Paulo Curto de Sousa. Ao mesmo tempo que treinava para a maratona optei por continuar o boxe tailandês. Por isso mesmo, na semana imediatamente à maratona receei que poderia não concretizar o objetivo proposto, porque num treino de contato/combate de muay thai sofri algumas lesões e tive de parar o treino durante uns dias. Sem que desse conta estava já perto da dia da maratona - a 1.ª Maratona Rock'n'Roll de Lisboa - e fiquei cheio de dúvidas se chegaria ao fim.




No dia 6 de outubro de 2013, um domingo cheio de sol (!), acordei bem disposto depois de uma noite de sono de nove horas. Tomei um bom pequeno almoço e juntei marmelada, de acordo com o que os mais experientes me ensinaram, e desloquei-me para o Cais do Sodré, onde me encontraria com o vários companheiros Run 4 Fun e partiria de comboio para Cascais, onde se desenrolaria a largada dos atletas.
À medida que me aproximava da Praça do Município de Cascais mais se formava na minha consciência que a prova final estava a aproximar-se.
"Os inícios das provas são todos iguais", lembrei-me eu quando já estava prestes a iniciar a minha primeira maratona. E são mesmo - a boa disposição e as expetativas são elevadas! Olhei uma última vez para o meu garmin que registava uma pulsação de descanso de 58 bpm e pensei que iria correr bem se fosse calmo.
"Ouve o teu corpo sempre e não transformes a primeira maratona num trauma", diziam-me os meus colegas dos Run 4 Fun durante os primeiros quilómetros. Na verdade, a primeira metade era já conhecida para mim e correr as meias maratonas abaixo das duas horas para mim nunca levantou grandes dificuldades.
E os quilómetros foram passando. É curioso como a consciencialização da distância de 42,195 torna os primeiros quilómetros irrelevantes. Assim foi: cheguei ao quilómetro 22 sem que nada de físico ou psicológico acusasse. Sem que tivesse tempo para que ficasse dominado pelo cansaço ou pelo pessimismo, surgiu-me do nada um ex-aluno, Luís Almeida, que assumiu o encargo de me rebocar até à chegada. De acordo com as suas palavras e alento levar-me-ia até à meta, custe o custasse.

Na segunda metade da prova reduzi a velocidade e fui muito cauteloso no ritmo. Conheço-me bem e tinha tido o revés no combate de muay thai na semana anterior. O meu aluno foi inexcedível até ao fim, não sem antes ter quebrado fisicamente ao quilómetro 31, altura em que o tive de apoiar durante uns longos 18 minutos, contando com a ajuda da R4F Cláudia Pargana, com quem tenho passado outras aventuras, nomeadamente no célebre trail (dificilimo) de São Pedro de Moel (sunset, diziam eles!)
Os quilómetros iam passando e os abastecimentos eram excecionais. Esta prova de facto estava muito bem organizada. Percebi que o "muro" tem duas componentes: uma física (relacionada com o esgotamento dos recursos físicos) e psicológica (porque parece que a prova nunca mais acaba até ao km 34-35).
Chegado ao km 35 também percebi que iria completar a prova e assumiria o estatuto de maratonista, sem que verdadeiramente estivesse mentalizado e com um tempo ultra-cauteloso de 5 horas. E na chegada que fiz, empunhando a bandeira de Portugal, lá estavam os meus colegas dos R4F, chefiados pelo João Ralha e pelo Paulo Marcos.

Sou maratonista sem ser atleta. E agora percebo a frase de Zatopek: "If you want to run, run a mile. If you want to experience a different life, run a marathon".




Tempo Final5:20:09
Tempo Chip5:19:02
Tempo K100:56:26
Tempo K212:04:08
Tempo K303:18:56
Tempo K323:44:44
Tempo K334:01:50
Tempo K364:24:35
Tempo K405:07:22
Classificação por Divisão:303 (Escalão 35 Masculino)
Classificação por Sexo:1558 (M)
Classificação Geral:1747


4 comentários:

João Ralha disse...

Guilherme,

Belo relato dos antecedentes e de uma prova que até parece, pelo que contas, que não foi difícil.

Quando se treina bem e se escolhe na prova um ritmo descontraído, sem pressões de tempo, até pode parecer que fazer uma primeira maratona não é especial.

Mas na verdade é um grande feito concluir uma primeira maratona e dou-te os meus parabéns por o teres conseguido, ainda por cima de uma forma muito tranquila.

E venha a próxima

Runabraço

Paulo Curto de Sousa disse...

Parabéns Campeão! Sevilha aguarda-nos. Grande abraço!

Miguel San-Payo disse...

Muitos parabéns. Agora só falta terminar a 2ªMaratona para te tornares MARATONISTA.aftergy35

Miguel San-Payo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.