5 horas
5 horas… custou… mas esta já ninguém me tira…
Confesso-vos que nunca tinha pensado muito a sério em fazer uma maratona. Sempre pensei que seria uma meta que dificilmente conseguiria alcançar. Puro engano! Foi possível… 5 horas… onde experienciei uma mistura de emoções bastante diversa… diversão, receio, ansiedade, sofrimento, mas sempre com uma vontade enorme de terminar!
Há uns anos acompanhei o João Ralha nos últimos quilómetros da sua primeira maratona. No final disse-me “Paulo… quando fizeres a tua primeira lá estarei…”. E esteve! Esteve o João e estiveram muitos outros…
Mas recuemos ao passado mês de Fevereiro, quando ainda não me passava pela cabeça meter-me nestas aventuras. Foi nessa altura que o Paulo Marcos me lançou o desafio. Confesso que hesitei… mas rapidamente decidi… e lá fiz o meu plano ASICS.
Informei a família, cheguei a um acordo com a Patricia (determinante em todo este projeto) e assim iniciei a minha odisseia logo nos primeiros dias de Março. Nessa altura conseguia correr pouco mais do que 10K, apesar de em Janeiro ter feito os 20K de Cascais numas surpreendentes 2 horas (foi a primeira vez que me passou pela cabeça fazer a maratona… mas na altura rapidamente passou).
O plano de treino foi cumprido quase à risca. Não foi fácil, nomeadamente nos meses de verão, tendo havido alturas que a forma parecia estagnar e mesmo regredir. Para aqueles que se aventurarem na maratona não desanimem nestes momentos… é mesmo assim!
Durante este plano tive o privilégio de ter a companhia de tantos amigos que sempre me incentivaram e puxaram por mim nos momentos mais difíceis. É a GRANDE vantagem de pertencer ao R4F! Muito obrigado a TODOS!!!!
E 1200 kms depois… eis chegado o grande dia. A ansiedade foi aumentando à medida que a hora se aproximava. Nem a sempre magnifica viagem de comboio até Cascais, na companhia do António Arede, Miguel Sanpayo, Carlos Melo, entre outros, serviu de calmante. Só queria começar a correr para poder aliviar a pressão, divertir-me e desfrutar…
Às 10h05m chegou enfim o grande momento. Logo, logo a ansiedade passou… e o FUN teve início… vamos a isto!!!
Comecei a corrida integrado no grupo das 4h30, com cerca de 15/20 atletas e liderado pelo Pacemaker Carlos. Foi um grupo sempre com muita animação e com várias nacionalidades representadas. A partir do km 15 começou a perder alguns elementos e ao km 24 também fiquei para trás. O calor começava a apertar e sabia que se mantivesse o ritmo pagaria mais tarde. E assim fui… devagar e por 2 vezes já a andar até ao km 30 (Cais do Sodré), onde me esperava uma comitiva que me deu alento para os restantes 12 kms. Cristina Reis, Inês Gil Forte… e a minha fantástica mulher… foi muito bom vê-las e saber que a partir daí podia contar com o seu apoio em mais alguns pontos do percurso. E aí também entrou em ação o meu reboque… Miguel Correia.
A partir deste ponto foi sempre em sofrimento, mas sempre com a forte determinação de chegar ao fim…
O cansaço apoderou-se das pernas, a fadiga começou a aparecer, o “muro” lá estava e é aqui que a cabeça tem de começar a funcionar. Até aqui são as pernas que mandam… mas daqui em diante ou manda a cabeça ou a vontade de desistir torna-se maior do que a vontade de chegar ao fim.
Por esta altura já muitos de nós andávamos. O calor era cada vez maior e limitava o desempenho de todos os atletas, até dos mais batidos e credenciados nesta distância. Ainda há pouco me disseram… “Não havia pior maratona para te estreares…”.
A minha estratégia passou a ser correr de abastecimento em abastecimento e aí andar alguns metros e beber o máximo de líquidos que pudesse. Foi “sol de pouca dura”… rapidamente tive de andar durante mais tempo e correr quando as pernas deixassem. E não teria corrido tanto se não fosse o Miguel que sempre me foi dando apoio e incentivo. E claro… também devido à minha claque de que desde o km 30 foi estando sempre presente com o que mais precisava para acabar: a sua amizade!
Nem imaginam (os que ainda não passaram por esta experiência) o que me passou pela cabeça quando vi a placa dos 35 km… a nossa cabeça tem de transformar o “ainda faltam 7” por “já só faltam 7”… e mais 195 metros…
E assim fiz e assim foi.
Perto do final juntaram-se o Paulo Marcos e o João Ralha… afinal havia uma “promessa” a cumprir. Os últimos 3 kms foram feitos na companhia deste três BONS amigos e companheiros R4F.
Finalmente a chegada… o alívio de ter terminado mas, mais importante que tudo, o sabor da vitória alcançada e do desafio superado!
O estatuto de Maratonista já cá canta… obrigado a TODOS os que tornaram esta vitória possível!!!´ Parabéns a todos os que terminaram, nomeadamente aos outros 9 novos maratonistas!!!
5 horas… ufa… esta custou… até para o ano Lisboa… próxima paragem Sevilha! Quem me acompanha?
Runabraços!!!
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| Concentrado, quase na meta....com "guarda de honra" |
Há uns anos acompanhei o João Ralha nos últimos quilómetros da sua primeira maratona. No final disse-me “Paulo… quando fizeres a tua primeira lá estarei…”. E esteve! Esteve o João e estiveram muitos outros…
Mas recuemos ao passado mês de Fevereiro, quando ainda não me passava pela cabeça meter-me nestas aventuras. Foi nessa altura que o Paulo Marcos me lançou o desafio. Confesso que hesitei… mas rapidamente decidi… e lá fiz o meu plano ASICS.
Informei a família, cheguei a um acordo com a Patricia (determinante em todo este projeto) e assim iniciei a minha odisseia logo nos primeiros dias de Março. Nessa altura conseguia correr pouco mais do que 10K, apesar de em Janeiro ter feito os 20K de Cascais numas surpreendentes 2 horas (foi a primeira vez que me passou pela cabeça fazer a maratona… mas na altura rapidamente passou).
O plano de treino foi cumprido quase à risca. Não foi fácil, nomeadamente nos meses de verão, tendo havido alturas que a forma parecia estagnar e mesmo regredir. Para aqueles que se aventurarem na maratona não desanimem nestes momentos… é mesmo assim!
Durante este plano tive o privilégio de ter a companhia de tantos amigos que sempre me incentivaram e puxaram por mim nos momentos mais difíceis. É a GRANDE vantagem de pertencer ao R4F! Muito obrigado a TODOS!!!!
E 1200 kms depois… eis chegado o grande dia. A ansiedade foi aumentando à medida que a hora se aproximava. Nem a sempre magnifica viagem de comboio até Cascais, na companhia do António Arede, Miguel Sanpayo, Carlos Melo, entre outros, serviu de calmante. Só queria começar a correr para poder aliviar a pressão, divertir-me e desfrutar…
Às 10h05m chegou enfim o grande momento. Logo, logo a ansiedade passou… e o FUN teve início… vamos a isto!!!
Comecei a corrida integrado no grupo das 4h30, com cerca de 15/20 atletas e liderado pelo Pacemaker Carlos. Foi um grupo sempre com muita animação e com várias nacionalidades representadas. A partir do km 15 começou a perder alguns elementos e ao km 24 também fiquei para trás. O calor começava a apertar e sabia que se mantivesse o ritmo pagaria mais tarde. E assim fui… devagar e por 2 vezes já a andar até ao km 30 (Cais do Sodré), onde me esperava uma comitiva que me deu alento para os restantes 12 kms. Cristina Reis, Inês Gil Forte… e a minha fantástica mulher… foi muito bom vê-las e saber que a partir daí podia contar com o seu apoio em mais alguns pontos do percurso. E aí também entrou em ação o meu reboque… Miguel Correia.
A partir deste ponto foi sempre em sofrimento, mas sempre com a forte determinação de chegar ao fim…
O cansaço apoderou-se das pernas, a fadiga começou a aparecer, o “muro” lá estava e é aqui que a cabeça tem de começar a funcionar. Até aqui são as pernas que mandam… mas daqui em diante ou manda a cabeça ou a vontade de desistir torna-se maior do que a vontade de chegar ao fim.
Por esta altura já muitos de nós andávamos. O calor era cada vez maior e limitava o desempenho de todos os atletas, até dos mais batidos e credenciados nesta distância. Ainda há pouco me disseram… “Não havia pior maratona para te estreares…”.
A minha estratégia passou a ser correr de abastecimento em abastecimento e aí andar alguns metros e beber o máximo de líquidos que pudesse. Foi “sol de pouca dura”… rapidamente tive de andar durante mais tempo e correr quando as pernas deixassem. E não teria corrido tanto se não fosse o Miguel que sempre me foi dando apoio e incentivo. E claro… também devido à minha claque de que desde o km 30 foi estando sempre presente com o que mais precisava para acabar: a sua amizade!
Nem imaginam (os que ainda não passaram por esta experiência) o que me passou pela cabeça quando vi a placa dos 35 km… a nossa cabeça tem de transformar o “ainda faltam 7” por “já só faltam 7”… e mais 195 metros…
E assim fiz e assim foi.
Perto do final juntaram-se o Paulo Marcos e o João Ralha… afinal havia uma “promessa” a cumprir. Os últimos 3 kms foram feitos na companhia deste três BONS amigos e companheiros R4F.
Finalmente a chegada… o alívio de ter terminado mas, mais importante que tudo, o sabor da vitória alcançada e do desafio superado!
O estatuto de Maratonista já cá canta… obrigado a TODOS os que tornaram esta vitória possível!!!´ Parabéns a todos os que terminaram, nomeadamente aos outros 9 novos maratonistas!!!
5 horas… ufa… esta custou… até para o ano Lisboa… próxima paragem Sevilha! Quem me acompanha?
Runabraços!!!

Comentários
Gostei de ler o teu relato, foi fácil acompanhar-te ao longo do teu percurso de 42km de ansiedade, alegria, diversão, emoções e sacrifícios.
Beijinhos
Bonito relato de uma maratona anunciada.
Depois da maratona ficamos diferentes....quanto mais não seja as meias maratonas passam a ser pequenas e os 10 km passam a ser um "tirinho".
Mas o melhor de tudo é a satisfação pessoal, o ser capaz de ascender a um nível onde não há muitos, mas onde haverão cada vez mais.
Tiveste a retribuição da tua generosidade de há quatro anos e meio, e multiplicada.
Parabéns e que venha a próxima.
PS
Tomei a liberdade de incluir uma foto tua, que obviamente mudarás conforme queiras.
João... a fotografia não podia ser mais adequada... obrigado! E a próxima será já em Fevereiro... grande abraço!
Uma evolução fantástica a correr e uma postura perante a vida exemplar.
Tem sido um prazer partilhar algum alcatrão contigo.
Obrigado pela partilha deste belo relato.
Runabraço e até...um destes dias,com Sevilha à espreita :-)
Grande abraço,
Franco Wudich.
Conseguiste terminar uma prova que era ingrata para principiantes, por isso quem faz esta, está preparado para qualquer outra.
Abraço