segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Atleta em destaque

Paulo Martins





Paulo Martins

47 anos, Consultor de Engenharia















Com pouco tempo de prática da corrida, o Paulo teve uma evolução notável pois, em cerca de um ano, fez duas maratonas com tempos de alto nível. E quando deixar de fumar, é bem capaz de se aproximar das 3 horas (!!??). Sempre bem disposto, é um grande incentivador e “treinador” pois conseguiu convencer a mulher a começar a correr a qual, por mérito próprio, num período de  poucos meses conseguiu fazer duas meias maratonas e baixar dos 60 minutos nos 10 km.

 
1.       Há quanto tempo corres?
Comecei a correr em 2012.

2.       Porque corres?
Joguei Futebol durante 35 anos e depois de apanhar um grande susto, da última vez que joguei à Bola, decidi que o melhor era mudar de desporto, e assim comecei a correr.

3.       Quantas vezes treinas por semana?
3 Vezes

4.       Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
As provas que mais gostei foram: Maratona de Sevilha e a Corrida das Fogueiras. A que me marcou mais foi a Maratona de Lisboa, por ter sido a 1ª, e por a ter concluído com o tempo que eu tinha como objetivo.

5.       Quais os teus próximos objectivos?
Fazer uma Ultra Maratona, de preferência Ronda.

6.       Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Ainda só concluí duas Maratonas. Contrariamente ao que muita gente pensa, esta prova rainha do Atletismo, é um desafio difícil, mas que quase todos, desde que treinem bem conseguirão concluir. Com uma boa dose de dedicação, vontade e persistência na preparação, o corredor pode ter uma enorme alegria ao concluir a Maratona. E vai passar a ter uma perspetiva diferente da corrida e, de certa forma, sobre alguns desafios da vida.

7.       O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
Um clube de amigos que partilham o prazer de correr, que se incentivam e ajudam mutuamente nos seus objetivos. Vários desafios que eu já concluí por Ex. Maratonas só foram possíveis graças aos incentivos que fui recebendo dos Membros Run 4 Fun,

8.       Uma mensagem aos novos membros do Clube
Bem-vindo! Pertencer a este Grupo é poder partilhar a companhia na corrida e ser constantemente incentivado a melhorar, tudo custa menos…Run For Fun

III Grande Trail de Serra d'Arga


© Eduardo Correia

Não deve haver mesmo amor como o primeiro, porque é sempre um prazer enorme voltar à Serra d'Arga. Tem feito parte da minha evolução no trail, e é das poucas que me vejo a repetir porque parece ter sempre algo novo para me dar. Como diz o José Moutinho (o homem da Freita) nos trilhos a regra principal é manter um espírito aberto, e isso ficou provado logo ao km 6 com um entorse no pé esquerdo (tenho uma linda batata, que evolui muito bonita nas cores da estação, castanho escuro a virar para cinza e preto :D). Da mesma forma que não se viram as costas ao mar, também nos trilhos não se deve baixar a guarda, nem quando o terreno parece plano e pouco acidentado e apetece admirar as vistas. Se até ali me sentia muito confortável e a fazer a prova muito ao meu gosto, tive então que estabelecer objectivos diferentes. Decidi tentar chegar pelo menos a São Lourenço da Montaria e ver se tinha que me ficar pela metade da prova. Valeu-me a experiência semelhante que tive em Alvaiázere, e a seguir à dor forte e ameaços de vómitos veio primeiro muito desconforto e depois uma certa dormência no pé, que me permitia quase correr em plano e subir bem, mas que tornava as descidas e o piso mais irregular um sacrifício. Como ia conseguindo progredir com bastante margem sobre o corte da prova decidi tentar terminar, se não acontecesse mais nenhum percalço e me sentisse minimamente bem, que foi o que aconteceu. Demorei foi quase 8h a virar o frango.

O tempo esteve bera, não tão mau como na primeira edição mas mesmo assim a fazer mossa. No entanto, sinto algum prazer em superar condições destas, adversas, e que nos obrigam a um espírito de sacrifício e superação grandes. E teve pelo menos um aspecto positivo, o de não vermos a verdadeira extensão dos estragos provocados pelos fogos. Uma lástima. Pensei muitas vezes no facto de o ambiente marcar e definir as pessoas, e que ali se forjava parte do que é ser Minhoto, Transmontano ou Beirão. Gente que tem que ser rija e generosa para lidar regularmente com aquela geografia e tempo. E que devia pensar no que raio passava pela cabeça daqueles malucos, para se irem enfiar na serra naquele dia. Acho que nem os próprios saberão responder, o espírito da modalidade não é fácil de definir mas entranha-se com facilidade e reconhece-se facilmente na cara de quem corre ao nosso lado.

E gosto das pessoas com quem me cruzo. Da partilha de boleias, das conversas, dos jantares e petiscos, das histórias. Dos Run 4 Fun sempre presentes e a apoiar, dos Esquilos sempre bem dispostos e com uma palavra amiga para toda a gente. E da Filipa. Não sei mais nada a não ser o nome próprio dela, mas ajudou-me tanto a terminar a prova como eu a ela. Fomo-nos cruzando durante a percurso, parecia muito ligeira e confortável, mas no abastecimento dos 35k (? Arga de Cima? Não tenho a certeza…) fui dar com ela a sentir fortes tonturas e fraqueza, seguida de alguma desmoralização que me impressionou um bocado. Os bombeiros (não devem ter demorado 5 minutos a aparecer, impecáveis) viram a tensão e a glicemia e não acharam nada de anormal, deram-lhe uma manta térmica para se aquecer e colocaram-lhe a hipótese de terminar ali, tal como os voluntários presentes. Não era vergonha nenhuma mas estava a custar-lhe muito não terminar a sua primeira prova de 45k, soube depois que tinha investido bastante na preparação e percebia-se que desistir não era coisa fácil para ela. Por isso sugeri fazermos o resto da prova juntos, atitude que tinha tanto de altruísta como de egoísta também. As desgraças alheias aligeiram as nossas e fomos coleccionando os kms que faltavam com cuidado e paciência, ela primeiro com algum receio e frio mas a recuperar lentamente a confiança, e a enfrentar os petiscos que faltavam com muita força. Acho que tivemos o pior do temporal nesta parte do percurso, e duas subidas que apesar de tudo fizemos muito bem, inclusivé a ultrapassar alguns atletas. A confiança acumulada foi tanta que a descida final foi feita de forma bastante rápida (tinha na memória o que sofri na edição anterior e queria vingar aquele troço), em amena cavaqueira acerca dos ténis que usámos serem da mesma marca, da dureza da prova e da beleza dos trilhos, dos filhos, de tudo e de nada, e de podermos agradecer um outro por termos a meta à vista. Assistir de perto e ao vivo ao que ela sentiu ao cruzar a meta foi a cereja no topo do bolo, só visto para se perceber. Parabéns Filipa! E parabéns a todos os que estiveram na serra, e fizeram e continuam a fazer do GTSA uma das minhas provas preferidas, a minha peregrinação anual a Meca :).

Claro que para o ano há mais ;).

Abraço do Miguel Serradas Duarte.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

IV Trail Terras do Grande Lago (noturno)

Com a aproximação da Maratona de Lisboa precisava de fazer o longão grande (mais de 30 kms). Quando trocava impressões com o Teodoro ele sugeriu que o fizesse no Trail do Terras do Grande Lago, perto de Portel. É mais fácil fazer uma distância grande integrado num evento, por isso inscrevi-me para os 35kms. É uma prova caracterizada por ser rolante e maioritariamente por estradões. Este ano o inicio da corrida estava marcado para as 19 horas. A prova passou de diurna, como foi até ao ano passado, para nocturna, o que sem dúvida foi um dos motivos que me levou a participar. No horário diurno, debaixo do sol abrasador do Alentejo, não me atreveria a ir.

Não acautelei atempadamente a viagem de carro até Portel, são quase duzentos quilómetros. Mensagem no facebook e dividi a viagem com o Zé Carlos Melo. Chegamos a Portel às 17:15, fomos levantar os dorsais e ainda esperamos uma hora pelos corredores que não tinham chegado. A nossa era a última camioneta que partia para o Alqueva. Entretanto chegaram a Filipa Cabaça e o Rui Faria e fizeram a viagem connosco. O Zé Carlos é conhecido de quase todos os que iam no autocarro, naquele e nos outros, e foi trocando conversa antes e durante a viagem.

Eu tinha preparado o equipamento na véspera, porque queria ir à praia de manhã. Era o último dia de verão e estava um tempo magnífico. O meu equipamento consistia numa mochila grande com roupa para trocar e o material para o banho, mochila de água e acessórios (incluindo uma barra e seis gel que voltaram para Lisboa), e finalmente o relógio GPS. Não me lembrei que entre o almoço, que terminou às 14:30, e a corrida às 19:00 tinha que comer. Também não levei um creme hidratante que costumo usar em distancias grandes.

Quando chegámos a Alqueva encontramos os nossos amigos Gonçalo Melo, Teodoro Trindade, Jorge Esteves, Miguel San Payo e Zé Magalhães. Estavam sentados na esplanada do café a conversar à mais de uma hora, porque tinham ido no primeiro autocarro. Tive sorte porque foi naquele café onde pude comer uma sanduíche de presunto e beber uma coca-cola. Quem precisou ainda pode ir à casa de banho da junta de freguesia.

Depois do breifing, que não consegui ouvir, foi dada a partida. Não sei se foi exactamente às 19:00 mas foi pontual. Começamos a prova a descer com os corredores gradualmente a agruparem-se pelos seus ritmos ou amizades. O grupo onde me integrei era constituído pela maior parte dos Run 4 Fun. Apenas o Carlos Melo se destacou logo e foi mais rápido e a Filipa e o Rui vieram num ritmo mais calmo. Como não tinhamos nada para fazer, para alem de correr fomos definido objectivos motivadores. O primeiro foi quando iriamos apanhar o Carlos Melo. As sugestões variaram entre o quilómetro 27 e o 35. Eu apostei que o apanhávamos no quilómetro 35, e acertei.

Antes (esq.) e depois (dir.) de passar por água
O primeiro abastecimento era apenas água. Foi o único simples, os seguintes tinham bebidas isotónicas, coca-cola, fruta fresca (laranja, banana e maçã), sal, frutos secos, batatas fritas e bolachas, o que permitia um verdadeiro banquete. Na partida do primeiro abastecimento, o Miguel deu a indicação a uma senhora para seguir por um trilho ao lado do estradão, por onde tinham seguido os corredores anteriores. Verificamos que era um erro, sem importância porque os caminhos se juntaram cem metros à frente. O Miguel pediu desculpa à atleta assim que passou por ela. Passou a ser uma referência para nós, acabar a prova antes desta atleta, o que conseguimos. Objectivo motivador dois!

Pouco depois encontramos dois atletas que seguiam à nossa frente, mas que pareciam estar ao nosso alcance, mas com estes cruzamo-nos várias vezes. O atleta estava em pior forma que a rapariga, e esta teve que parar e esperar por ele, altura em que nós aproveitamos e ultrapassamos. Objectivo motivador três.

Nesta fase íamos a conversar, e até deu para o Miguel atender um telefonema do trabalho e fazer uma conference call enquanto corriamos. Aproveitamos todas as zonas mais baixas do percurso, onde corria uma aragem fresca muito agradável, quase que voamos nesses momentos.

Um pouco mais à frente, já de noite, encontramos a grande atleta Analice. Depois da saudação, que retribuiu com um grande sorriso, continuou com o passo certo e regular que a caracteriza em qualquer terreno. É um exemplo para todos nós.

Campeã Caludia
Para mim esta foi a fase melhor da prova. Estava fresco, e ia com os meus amigos a conversar, só diziamos parvoices e o ambiente estava animado. Os quilómetros foram-se sucedendo, e o sobe e desce aumentando. Andávamos a subir e corríamos o resto. No abastecimento do quilómetro 25 comecei a sentir o cansaço, já não estava com o mesmo ritmo. O Miguel estava a ficar impaciente e começou a fazer menos pausas, eu fui-me tentando colar ao Gonçalo e ao Teodoro, mas só ia conseguir acompanha-los até ao quilometro 28, depois fiquei por minha conta… gradualmente, que estas provas não são de velocidade.

Pouco antes de ficar sozinho apanhei um atleta que tinha o dorsal na mochila de água, era o 56. Já nos tinhamos cruzado antes. Nessa altura disse-me em tom irónico “não sei se devemos seguir estes refletores à direita” eu olhei e vi uma infinidade de “refletores”, organizados de uma forma caótica, quando observei melhor percebi que eram os olhos das cabras que atentamente nos seguiam, foi engraçado.

No último abastecimento, no quilómetro 30, andava uma ambulância à procura de um atleta e estavam a ver se percebiam onde é que estava, sabiam que estava acompanhado, mas eu não sabia nem vi nada e por isso também não disse nada. Vinhamos de uma descida comprida num estradão cheio de pó. Era tão fofo que era dificil correr por cima. Enquanto bebia chegou o Jorge Esteves e o “56”. Já tinha sentido a sua aproximação quando me aproximava deste último abastecimento.Também já tinha visto as luzes atrás. Não sabia quem era, mas a aproximação foi uma motivação para andar mais depressa. Ainda arranquei do abastecimento antes deles, mas já foi num ritmo lento, alternando a corrida com a marcha. Rapidamente me apanharam. Ainda fomos algum tempo juntos, talvez até ao quilómetro 32. Já não falávamos muito, mas ainda trocamos umas palavras sobre as cabras que tínhamos visto atrás.

O lugar à muito merecido pelo Carlos Melo, o pódio.
Os últimos 2 km de estradão foram piores que os anteriores. Novamente sozinho e com o casario a começar a ganhar densidade na beira da estrada. Quando cheguei ao alcatrão, já dentro de Portel, a opção de andar deixou de estar disponível, mas logo por azar era a subir. Passo a passo lá fui, primeiro por ruas desertas mas com a aproximação do centro ganhavam pessoas, não muitas, mas que tiveram sempre uma palavra simpática de incentivo. Quando me aproximei da igreja sabia que estava a menos de 100 metros da meta. Nessa altura procurei “vestir” um ar forte e animado, tentando disfarçar o esforço que vinha a fazer. Na meta estava o Carlos Melo com a máquina fotográfica e os restantes Run 4 Fun que já tinham chegado aguardavam os colegas de equipa.

O fim parece ser sempre o grande objectivo e um momento de satisfação das provas, mas desta vez fiquei com tantas dores nas pernas que nem tinha posição para comer a sopa que nos ofereceram no final. Era uma bela sopa. Com esforço lá consegui comer a sopa, estava óptima, mas o desgaste e as pernas perturbava-me tanto que resolvi ir fazer uma massagem.

O meu vizinho estava desesperado, e é por isso que estou a rir, é da desgraça alheia.
As massagens eram dadas no interior do pavilhão. Quando lá cheguei estava um conjunto de pessoas à espera. Felizmente só quatro estavam à espera na minha frente. Como havia dois massagistas, pensei que valia a pena esperar e deitei-me ao lado do atleta que me antecedia e que depois fiquei a saber se chama Jorge Gois. Fomos trocando conversa parva de corredores enquanto avaliavamos os massagistas e os atletas nas massagens. Um dos atletas gritava com um ar aflito, mas não consegui perceber se era verdade ou se era “fita”. Quando chegou a minha vez lá me deitei na marquesa. O Jorge já estava na marquesa ao lado, e não estava com um ar nada feliz. Fui avisando a massagista que não era amigo do atleta anterior, como quem pede clemência antes da execução do castigo. A massagem foi dura, mas não tenho nada de que me queixar, ainda me ri das caras do Jorge enquanto lhe torciam e apertavam as pernas. Foi doloroso mas foi mesmo divertido. A verdade é que quando saí de lá já não tinha as dores insuportáveis com que lá entrei. Recebi uma massagem de luxo, porque além da boa qualidade e simpatia dos massagistas assisti durante a minha massagem à entrega dos prémios. O Carlos Melo recebeu o prémio de 2º lugar feminino no Trail de 25km, ganho pela Cláudia Pragana (que já tinha seguido viagem) e o seu prémio de 3º lugar no escalão M50.

Fiquei muito satisfeito com os prémios que recebemos, no Trail Terras do Grande Lago (Alqueva):
- 2º lugar Feminino prova 25 kms (Claudia Pargana); - 3º lugar Escalão M50 prova 35 kms (JC Melo); - 3º lugar coletivo Equipas Masculinas (pontuação de: JC Melo, Miguel San-Payo, Gonçalo Fontes de Melo, Teodoro Trindade).


No final ainda participei no picnic preparado pelos outros atletas Run 4 Fun. Depois de um simpático café, saímos de Portel rumo a casa pela uma hora da manhã. Para minha surpresa o Carlos Melo no dia seguinte às 9 tinha que estar na Ericeira a correr outra prova de 30 quilómetros, a mostrar a fibra do grande atleta que é.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Maratona - O desafio!

Desde o início do nosso clube que colocámos a maratona como um dos desafios a atingir pelos companheiros que, em tal se sentissem interessados. Não existe nem nunca existirá qualquer tipo de obrigação a esse respeito.

Temos a convicção de que qualquer pessoa pode fazer uma maratona, desde que: 1. Coloque tal como objetivo; 2. Defina um plano de treino adequado; 3. Cumpra aproximadamente o plano; 4. Faça a maratona sem grandes preocupações, pois qualquer que seja o tempo, será sempre o melhor.

Ao longo dos cinco anos do nosso clube já foram dezenas os nossos companheiros que se iniciaram na Maratona. Neste momento temos, salvo erro, exatamente 70 atletas, 63 homens e 7 mulheres que já completaram a Maratona. E temos 138 atletas que já fizeram a meia-maratona, 109 homens e 29 mulheres. Neste caso o desequilíbrio é bem menor!!!

Isto a propósito do fato de mais 12 companheiros se estarem a treinar para, salvo qualquer imprevisto, se iniciarem nesta prova tão dura, quanto desafiante. Será nas próximas maratonas de Lisboa e do Porto, o que revela a prudência destes nossos companheiros por a primeira ser feita "em casa".

Aqui está a lista destes nossos bravos e bravas atletas



Que tudo lhes corra pelo melhor e que consigam atingir o objetivo a que se propuseram. Será também uma oportunidade para os nossos atletas mais experientes poderem dar uma "ajuda" aos nossos "caloiros", como é nosso costume. Algumas "parcerias" já estão definidas a começar no João Veiga que vai "rebocar" o pai, José Manuel Veiga, na sua 1ª maratona, no Porto.

Runabraços

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Atleta em destaque

Teodoro Trindade


Red Cross Trail (RXT 2012)




Teodoro Trindade

52 anos, professor no ISEL
















 Pessoa de alto nível, muito simpático, bem humorado, um dos nossos “cientouneros” um atleta excecional que consegue resistir a quase tudo, por mais difícil que seja a  prova. Com o Jorge Esteves faz uma dupla notável que conseguiu incentivar no nosso clube o gosto pela corrida em trilhos, a partir de uma  célebre apresentação que fizeram num dos nossos jantares anuais. Não é possível prever quais serão os seus limites que, consecutivamente, tem desafiado.


Há quanto tempo corres?
No dia 24 de Maio de 2009 tomei alternativa na Corrida do Fitness, com aproximadamente 5 km. Foi uma prova durissima, terminei esgotado como não tenho outra memória, mas a sensação de superação foi tão intensa que nunca mais parei. Portanto celebrei à pouco o meu 4º aniversário de aficionado. Mas os culpados de tudo isto foram o Jorge Esteves e a Elsa Mota que num jantar na Praça de Touros do Campo Pequeno, na companhia de um grelhado de alcatra, me descreveram e cativaram com os detalhes da faena.

Porque corres?
Tenho dificuldade em responder objectivamente a essa pergunta. Começei a correr tendo por principal motivação a melhoria da forma física, mas também para perder peso pois tinha deixado de fumar uns tempos antes e os efeitos já se notavam no guarda roupa. Depois veio a motivação das conquistas (marcas, distâncias), a seguir veio a busca do exótico e actualmente passa muito pelo convívio com amigos mas também um pouco de tudo o resto.

Quantas vezes treinas por semana?
Quase sempre duas vezes e por vezes três. Treino sempre ao fim de semana, sábado e domingo. Procuro diversificar os percursos, vou até ao Jamor, à zona norte do Parque das Nações, a Belém, a Sintra (a minha preferida), ao Estádio Universitário, a Monsanto, a Oeiras, etc. Também procuro arranjar disponibilidade para uma ligeira sessão extra a meio da semana, geralmente à quarta ou quinta-feira à noite.

Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
As provas de trilhos são as minhas preferidas. Gosto particularmente das que possuem percursos não excessivamente técnicos, com desníveis moderados, pouca lama mas que abusem dos single tracks acidentados. Por tudo isto, a Geira Romana é a minha preferida. É uma prova que apresenta alguns desafios pela distância mas é muito acessível  possui um enquadramento paisagístico magnifico pois grande parte do percurso é efectuado ao longo da via romana nº XVIII na serra do Gerês.
É difícil seleccionar inequivocamente a prova que mais me marcou. Arrisco a Corrida das Fogueiras (2010). Nunca tinha visto nada assim, o fascínio de uma prova nocturna, o exuberante público, as fogueiras no percurso ao longo das falésias, um encanto. Mas também a Meia Maratona de Portugal de 2010, a minha primeira, a qual foi percorrida em condições particularmente difíceis  Nesse dia, após a prova, tive a sensação que superado este desafio estavam ao meu alcance outras distâncias, bastava possuir uma dose mínima de treino e a suficiente determinação. E seria injusto não mencionar Ronda 2013; que prova extraordinária, que companhia magnifica, que fim de semana maravilhoso. Tenho de lá voltar (e vocês também).

Quais os teus próximos objectivos?
A curto prazo não tenho nenhum objectivo delineado. Mas tenho alguns sonhos por realizar, por exemplo gostava de participar em pelo menos uma das World Marathon Majors (Toquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova Iorque, tanto faz), e mais qualquer coisa nos Alpes, Pirineus, etc. Talvez em 2015.

Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Curiosamente participei numa ultra (em trilhos) antes de correr uma maratona (em estrada). A estreia foi na 8ª Maratona do Porto em 2011, uma manhã magnifica onde quase tudo correu bem. Talvez por essa razão me tenha ficado um sentimento especial por esta prova que é sem dúvida a melhor maratona que se realiza em Portugal.A mística da maratona não se deve exclusivamente à sua origem lendária mas porque apela a toda a resistência física e emocional. É portanto uma prova de grande exigência onde na gestão mental da disponibilidade física está quase sempre a chave do sucesso. Penso que é a prova ideal para nos conhecermos. Mas preferencialmente sem pressa de alcançar esse objectivo pois grande parte da satisfação final resulta de um consistente percurso de preparação.

O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
É um grupo de amigos que gostam tanto de correr como de conviver e raramente perdem uma oportunidade de aliar ambos. Partilhar um treino constitui um estímulo extra o qual torna mais agradavel o esforço físico e nos faz ir sempre um pouco mais além. O clube é a todos os níveis um grupo inclusivo no qual todos têm lugar, independentemente das suas actuais aptidões físicas.

Uma mensagem aos novos membros do Clube
Atrevam-se, arrisquem e sejam bem-vindos.

domingo, 8 de setembro de 2013

Regresso.........às corridas, a meia de S. João das Lampas

Após as férias, cá estamos de volta, em força, às corridas. Alguns em dose dupla e mesmo tripla, este fim de semana, como o José Carlos Melo, o Jorge Duarte Pinheiro, o João Veiga.

Foi a minha primeira participação na, dizem, 2º meia maratona mais antiga de Portugal, a meia de S. João das Lampas, mais conhecida pela meia das "Rampas". Costumamos ter férias na 1ª quinzena de Setembro, mas este ano tivemos que alterar e  inscrevi-me de imediato. A Luísa tem treinado pouco, porque tem trabalhado muito e não quis participar.

Antes da prova , falando com alguns companheiros já experientes nesta prova, fiquei algo apreensivo pois me diziam que as "rampas" eram grandes e algumas muito inclinadas. A apreensão desapareceu quando o Miguel San-Payo, que já fez S. João das Lampas, me esclareceu que rampas inclinadas e grandes são as que apanhamos em alguns trilhos, as de S. João das "Rampas" não são comparáveis.

E lá fui, tranquilo, ao encontro deste novo desafio. Foi uma grande participação Run 4 Fun, desta vez até tivemos mais atletas participantes do que os nossos amigos da Açoreana/Banif. Foi um prazer rever tantos companheiros e amigos após algum tempo. O Gonçalo Melo dizia que era muito bom voltarmos a nos encontrar, com um grupo tão grande. Oportunidade para rever alguns companheiros que já não via há algum tempo, como o Luís Correia que fez a sua 1ª prova quase um ano após a maratona do Porto. Não contente, já hoje fez a corrida do Jumbo. E o João Fialho em grande forma, com os treinos em Sintra. E o Paulo Raposo, muito mais elegante, fruto da dieta "paleo" E o Gonçalo Lopes, o nosso "barefoot" runner", que foi o nosso mais rápido. A Ana Grosnik, com muitas saudades das corridas também participou nesta prova de estrada, uma exceção na sua preferência pelos trilhos.

Agradecimentos à Joana Peralta e ao Nuno Tempera por terem levantado e gerido a entrega dos dorsais. E também à Inês Gil Forte, que "muito grávida", nos apoiou em diferentes pontos da prova.

Foto Margarida Marques

Tiradas as fotos do costume na qual estão alguns amigos como o Nuno Marques e a Cristina Caldeira agora de outra equipa e o Rui Ralha, individual, bem como um novo companheiro Run 4 Fun, "apadrinhado" pelo Fernando Rosete e pelo João Góis Gomes, o Pedro Vicente, o rapaz com a camisola azul na foto acima, lá nos preparamos para o início da corrida.

Fiquei com o Jorge Esteves e fomos conversando nos primeiros quilómetros, de "sobe e desce" com magníficas paisagens  e com um público entusiasta que, com um pequeno incentivo nosso, se "desfazia" em palmas e incentivos. A ideia das mangueiras com os chuveiros acoplados é muito boa pois refrescava-nos, apesar de o calor não ser muito intenso. Passados alguns quilómetros comecei a "ceder" mas o Jorge decidiu que me havia de "rebocar" e assim seguimos, com ele a esperar por mim nas subidas, nota-se que está em grande forma. Fizemos durante vários quilómetros uma "competição" com duas simpáticas corredoras dos Portugal Running que passávamos nas subidas  mas que nos passavam nas descidas. Numa das subidas lá nos diziam elas: "agora podem passar"!!!....ehheheh. Também aproveitámos para incentivar uma  rapariga chamada Catarina que passava por algumas dificuldades nas subidas.

Aos 13 km na passagem perto da meta, ouvimos a chegada dos primeiros classificados e dizia-me o Jorge para me incentivar, "agora" já não há mais subidas........mas havia.....não eram era tão grandes como as anteriores. E assim continuamos, passando por locais que me são familiares como a subida do Sacário, pois durante alguns anos passámos férias no Magoito e costumávamos andar de carro e de  btt por aquelas estradas.

Nos últimos km fui ficando um pouco para trás mas com o Jorge sempre à vista, pois ele de vez em quando diminuía o ritmo para eu me aproximar. O José Veiga em preparação para a sua 1ª maratona passou-me nos últimos km. Comecei entretanto a ver, a pouca distância, a grande atleta Analice Silva e lá fui fazendo um esforço para me aproximar dela, tendo conseguido "apanhá-la" já dentro de S. João das Lampas onde também passei  pelos nossos amigos Nuno Marques e Cristina Caldeira, como de costume, fazendo a  sua corrida, juntos.

Acabei a prova num vigoroso "sprint", abaixo das 2 horas com 5:33/km de média. Muito bom, para a minha atual forma. Os meus agradecimentos ao amigo Jorge Esteves sem o qual o meu tempo seria bem mais demorado.

Após a meta dei os parabéns ao Fernando Andrade pela excelente organização, que ainda nos preparou uma surpresa: uns bolos secos deliciosos, batatas fritas, gelado semi-.frio e o melhor de tudo, saborosas fatias de melancia que souberam muito bem. E depois as "histórias" dos atletas: PBT´s, muitos, com destaque para o Paulo Curto de Sousa, em grande forma e com uns quantos quilos a menos, em preparação para a sua 1ª maratona que pelos vistos até conseguiu chegar antes do seu grande amigo, o Francisco Sanches Osório, que também anda em preparação para a próxima maratona. O Paulo Marcos está a recuperar bem e já consegue estar à vontade na meia maratona.

Ficámos num muito bom 12º lugar da geral entre 60 equipas, os nossos primeiros classificados foram o Gonçalo Lopes, o António Arede (a preparar-se para "se bater" com as 3 horas na sua 1ª maratona) e o Paulo Martins. O Paulo Martins ainda voltou para trás para "rebocar" a sua Maria Martins, a qual terminou a sua 3ª meia maratona, em cerca de 1 ano de corridas. Será uma das nossas futuras maratonistas, é uma mulher cheia de garra.


Mais umas fotos de grupo e o regresso a Lisboa após mais uma tarde muito bem passada, em excelente companhia.
Após a prova - foto Maria Antunes


Apenas uma sugestão para a organização. Seria bom haver, por volta dos 15/16 km, um abastecimento com sólidos, banana ou barras, ou outro...

Runabraços