segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mais uma UMA

A Ultra Maratona Atlântica Melides Troia é uma das minhas provas preferidas.
Acho um bom desafio de resistência física e psicológica, com uma componente estratégica.

Já me questionei porque é que gosto tanto desta prova. Não encontro propriamente um motivo racional. O percurso e a vista são monótonos, é só água, areia e arribas à nossa frente. Massacra os gémeos e a meteorologia pode-se tornar um pesadelo, temos de estar com cuidado para não gastar água em vão. A progressão é difícil, naquela areia solta num ritmo “ram-ram”, sem o pé firme, em que os passos que damos não são bem de corrida. Mas o coração tem algumas razões que a razão não percebe.

Como em todas as provas, também aqui existem variáveis que podem mudar de um dia para o outro e que definem as caraterísticas da prova. No caso da UMA deste ano, parecem-me terem sido estas as principais:
- A temperatura estava muito boa para a época. Se fosse um dia de muito calor, que é frequente nesta época, os 2l de água do camelback, podiam ser o principal motivo de preocupação.
- O vento moderado de Oeste, não dificultou tanto a progressão como com vento Norte que é mais frequente.
- A zona de rebentação esteve boa, tirando os 8 kms iniciais com a margem ondulada e com areia muito solta, o que tornou difícil o início da prova. Depois o piso foi melhorando e a 2ª metade da prova foi feita com piso cada vez mais fácil.

A minha UMA começou com o despertador às 3:30, para sem stress sair de casa às 5:00 e chegar a Setúbal às 5:40. Apanhar o Catamaran da Organização às 6:00 e o Autocarro em Troia às 6:30 que nos levou até à praia de Melides. Depois de levantar os dorsais e os abastecimentos, do briefing pré-prova, o tiro de partida foi dado pelo campeão Carlos Lopes às 9:00.
Comecei muito lento. Calhou bem devido á dificuldade inicial do piso, não cansando tanto os músculos no início.
Depois passei junto ao Miguel San-Payo e ao Gonçalo Melo. Eles deslocavam-se pela areia seca em terreno plano, enquanto eu ia junto à margem, em areia molhada e piso inclinado. O Gonçalo Melo acompanhou-me e estivemos perto um do outro até mais de metade da prova. Enquanto estivemos perto um do outro, o Gonçalo sentou-se várias vezes para tirar a areia dos pés, na minha última UMA passou-se o mesmo comigo.
Consoante a distância aumentava, o piso melhorava e eu conseguia motivação para correr cada vez com mais velocidade.
Ao km 28,5 na praia da Comporta, recebi as 2 garrafas de 1/2 litro de água, coloquei-as no camelback e continuei.
Contrariamente a 2011, este ano consegui correr praticamente todo o percurso. E fiz todo o percurso sem tirar areia dos pés. Habituei os pés a correr com areia, e as polainas este ano ajudaram-me. De vez em quando molhava os pés o que criava uma boa sensação de frescura.

Com algumas melhorias face às dificuldades que tive na única vez que terminei a UMA, consegui este ano fazer uma boa gestão do esforço.
Desta vez fiz um reverse split, ainda que mesmo nos últimos kms eu já estivesse em quebra.

Gostei muito de ver muitos companheiros R4F, o Jorge Esteves, Rosário Costa Rodrigues, Alfredo Falcão, Claudia Pargana, Rute Fernandes, Elsa Mota,Sandra Simões, bem como não R4F mas que, embora não tivessem participado na prova fizeram questão e simpatia em se deslocarem às praias do percurso e dar-nos um importante apoio que aumentou a motivação.
Um especial agradecimento a Jorge Esteves e Rosário Costa Rodrigues que me acompanharam e incentivaram nos kms finais.
Ao longo do percurso, passamos por muitos banhistas que nos apoiavam e incentivavam. No fim, a chegada em Troia, na praia do Bico das Lulas, depois daquele esforço é espetacular. Já perto da meta, vemos amigos e conhecidos das corridas cujo apoio nos dizem mais.

Muitos Parabéns ao estreante Gonçalo Fontes de Melo, bem como ao Miguel San-Payo e a todos os participantes.
Particularmente a muitos que se lançaram a 1ª vez nesta grande aventura.

Depois de cortar a meta, o descanso e um banho.
Desta vez consegui baixar das 6h.
Um belo dia de praia. Em 2014, conto estar lá outra vez!
RunAbraços.

3 comentários:

João Ralha disse...

Zé Carlos,

Parabéns pela conquista e por mais um excelente relato com muitas ideias sobre formas alternativas de fazer esta prova tão exigente.

Nas tuas palavras, até parece que não foi muito difícil, mas já sabemos que a dificuldade varia em função do "artista".

Muito bom termos tido tantos companheiros a apoiarem, os nossos corajosos atletas. Talvez seja, também, um modo de obterem inspiração para fazerem a UMA no futuro.

Runabraços e boas férias

Fernando Andrade. disse...

Grande Zé Carlos. Parabéns pela excelente prestação e pelo relato que aqui nos deixas. É sempre um prazer poder partilhar contigo estes momentos mais marcantes da "nossa carreira". Grande abraço.

Alfredo Falcão disse...

É talvez a prova mais dura que tive oportunidade de presenciar. Os atletas vinham muitos espaçados, por vezes sozinhos ou em pequenos grupos de dois ou três. Parabéns pela descrição. Talvez um dia me aventure.