quinta-feira, 4 de julho de 2013

A terrível Serra da Freita


A terrível Serra da Freita
 

Nunca tinha feito um trail tão difícil!! Bem sei que costumo optar pelos trajetos mais curtos, às vezes em  caminhada… mas o grau de dificuldade, embora relativo, está lá!!! E de um modo mais objetivo, qual é a prova que leva a 44% de desistências na distância maior? Qual a prova em que só  56% dos atletas que partiram, completaram no prazo de 18h (tempo limite proposto pela organização). Qual a prova em que dos 6 atletas Run 4 Fun inscritos levou a que  três decidissem interromper e deixar a desforra para o ano? Qual a prova que permite que apenas 7 mulheres terminem!!!!!!!

(Partiram 273. Chegaram 138 (50%), em menos de 18horas, dos quais só 7 mulheres. Terminaram  mais 16, total154 (56%). Interromperam a prova 44%.

Eu só fiz 17km (na companhia do Paulo Fernandes) mas os últimos 5km foram demolidores. Sem o apoio dele teria sido muito difícil terminar!   E quem fez  os 70km referiu mais duas ou três subidas e descidas de um grau de dificuldade ainda superior, só que para mim, o que foi extremamente difícil fazer durante o dia,  para eles foi pior,  fizeram-no durante a noite, iluminados apenas com um frontal e após 65km violentos!!!! Que heróis!!!

Foi um Ultra trail de 70km, mas, para quem fez estes 70km e já fez 100 ou mais noutras provas confirma o maior grau de risco e dificuldade destes!!

Nós chegamos na noite anterior ao parque de campismo do Merujal, onde pernoitamos (daí saía a prova) e logo nos encontramos com o Luís Matos Ferreira, o João Guerra e o Jorge Prazeres.

 Na madrugada do dia seguinte decidimos participar no apoio à partida dos atletas do Ultra Trail, às 5:30, ainda era noite. Então encontramos os outros atletas da família, o Nuno Dias Almeida, o Miguel Serradas Duarte e a Ana Groznick e mais dois atletas das Lebres do Sado (também só um terminou, já após o tempo máximo previsto). E lá foram cheio de ânimo!!



Nós saímos às 10:30, num dia que se adivinhava que ia ser quente! Muito quente! (mais uma grau de dificuldade extra que tornou a prova insuperável para alguns)

Paisagens muito bonitas, trilhos agradáveis de trilhar, percursos que dava para correr… sim, que no princípio havia força para isso!! Até que, chegaram os últimos 5 km, já com as pernas cansadas a ameaçar cãibras … a Frecha da Mizarela!, descida ao rio Caima e subida pela encosta pedregosa!!  As cascatas, o rio, a vegetação… sem dúvida paisagens extraordinárias… mas valeu-me a mim e mais algumas atletas que nos acompanhavam, um reforço extra com água, trazido em mão por alguns atletas da organização e que nos ofereceram a meio daquela última subida feita por volta das 14:30 daquela tarde de sol abrasador!!




           Completamos o trail em 4he20min,  eu e o Paulo, o meu companheiro, o meu incentivo ao longo de todo o percurso. Encontramos então a Helena que esperava o Luis Matos Ferreira e juntos fizemos a festa quando ele chegou ainda de dia, entre os 30 primeiros! em menos de 13horas!

À espera do Luís...


         O Nuno Dias Almeida, o João Guerra que interrompeu aos 60km e o Jorge Prazeres adiaram a superação deste desafio, talvez para o ano!

            Já de noite ao fim de 17horas e meia de corrida, a Ana Groznick surgiu sorridente como habitual, mas um bocadinho zangada com a dificuldade e o elevado risco da prova. Foi ao pódio, naturalmente!!! Ocupou o 2º lugar no escalão! (só sete mulheres fizeram o feito de terminar os 70km!!)

 O Miguel Serradas Duarte chegou exausto, mas feliz, era meia noite! 18horas e meia de prova!!! Grande atleta!! Grande resistência !! Fizemos a festa.

E agora… pensar no próximo desafio!!

Manuela Cruz ( com fotos minhas e do Paulo Fernandes)

7 comentários:

Patrícia Calado disse...

Impressionante, Manuela!!!

Isto de namorar com malucos do trail dá nestas coisas! :)

João Ralha disse...

Manuela,

Obrigado pelo teu belo relato e pela solidariedade e apoio que tu e o Paulo Fernandes sempre praticam com os nossos colegas de equipa e demais atletas de pelotão

Parabéns por teres feito prova tão difícil. Eu conheço bem as dificuldades dos últimos 5km da prova de 17 km, pois também a fiz em 2011. A parte final na Frecha da Mizarela é mesmo muito difícil.

Só prova o alto nível em que te encontras, sem esquecer o efeito do apoio do Paulo Fernandes.

Beijos e runabraços

Nuno Sentieiro Marques disse...

Belo e valente relato Manuela.
Obrigado pela partilha.

Os restantos relatos que ouvi/li, referiram igualmente a dificuldade e o....risco.

O risco tem limites e cada um sabe ou conhece os Seus.
Eu por mim ainda não me aventuro por estas loucuras...chegará o tempo :-).

Parabéns a todos os participantes, pela coragem e esforço apresentados.

Miguel Serradas Duarte disse...

Muitos parabéns, pela prova e pelo relato. Encontrá-los no fim foi um luxo muito apreciado. E estou bonito nas fotografias :).

46 disse...

Parabéns Manuela, pelo relato, pela prova e pelo habitual apoio aos colegas e amigos.

E parabéns ao Paulo também.

AC

anci disse...

Manuela,
estavas lá quando eu precisava do último abraço antes da partida, e estavas lá também para o primeiro abraço depois da meta. Tu e o Paulo. E eu mesmo precisava dos abraços naqueles momentos! Para sentir-me normal... :-) Obrigada. bjs

Teodoro Trindade disse...

Obrigado Manuela,

Muitos parabéns por mais um desafio superado, e que desafio.

Gostei muito, são todos uns heróis. Se conseguir arranjar um pouquinho da vossa coragem, talvez para o próximo ano vos faça companhia.

Parabéns a todos.