segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Viana (e a Manuela Machado) ficam no meu coração


Este era um daqueles fins de semana em que, como diria o nosso atleta olímpico Marco Forte, "tava-se bem era na caminha". Mas há muito que tinha programado ir a Viana do Castelo correr a Meia Maratona Manuela Machado, que inseri no meu plano de treinos para a Maratona de Sevilha, e por isso não era o tempo que me ia desviar desse objetivo.
Sai com a Anabela de Lisboa no sábado em direção ao Porto, onde tinhamos planeado ir comer uma francesinha ao Capa Negra II, no Campo Alegre. Tivemos a felicidade de ir pela A8/A17, escapando assim ao corte da A1 por causa de um cabo de alta tensão que as árvores derrubadas pelo vento deitaram abaixo.
Cumprido o roteiro gastrónimico, rumamos a Viana para chegar a tempo de fazer o reconhecimento do percurso da prova e levantar o dorsal. Foi então que descobri que teria também a companhia do Miguel San-Payo, com quem me encontrei no dia seguinte, antes da partida. O Miguel veio com uns amigos da Figueira da Foz que também estão a treinar para a Maratona de Sevilha.


Embora o vento tivesse acalmado, na manhã da prova ficou claro que teriamos a companhia da chuva, o que efetivamente se verificou durante praticamente toda a prova. E o vento também reapareceu no final da corrida para criar algumas dificuldades adicionais.
A prova começou com um atraso de 15 minutos, porque a organização da Porto Run não teve a capacidade de entregar os dorsais em tempo útil. Havia realmente muita gente inscrita - 3100 na Meia Maratona e outro tanto na Mini-Maratona e Caminhada - e a maior parte levantou o dorsal no próprio dia. Entre os inscritos é de salientar o facto de 850 serem provenientes da Galiza, havendo inclusive uma clasificação especial para atletas federados galegos.
O número de inscritos também criou dificuldades na partida, um pouco confusa e - no meu caso - muito atribulada, dado que passados 500 metros o meu Garmin saltou da correia na sequência de uma ultrapassagem mal medida de um atleta apressado. Foi uma aflição que me custou quase um minuto de tempo e um bom par de palavrões dos corredores que passavam por mim enquanto procurava o relógio. Mas o Garmin reapareceu e pude seguir a prova. Acelerei um pouco para recuperar o tempo perdido. Sabia que para cumprir os meus objetivos tinha que regressar aos 5m/km ante do km 5, onde ia enfrentar a primeira subida.
O percurso é quase linear, fazendo cerca de 10km pela Estrada Nacional em direção a Ponte de Lima até Sereleis, e regressando praticamente pelo mesmo caminho a Viana. Mas não é plano, incluindo várias subidas e descidas, algumas de perfil razoavelmente inclinado, sobretudo a descida de Portuzelo para Sereleis que se faz na ida ao km 7, com a correspondente subida no regresso ao km 12.
A prova correu-me francamente bem, sobretudo até ao km 16, quando a chuva intensificou-se ainda mais e o vento fez a sua aparição. Mas nessa altura eu já sabia que se nada de muito extraordinário acontecesse eu voltaria a bater o meu melhor tempo, feito em Lisboa na Meia Maratona dos Descobrimentos no passado mês de Dezembro. E assim foi, tendo concluído a corrida em 1h47h22s, um tempo que eu não esperava fazer com estas condições atmosféricas (sobretudo tendo corrido "ensacado", como se vê na foto da minha chegada abaixo). Consegui, assim, na minha quarta meia maratona, fazer o meu quarto melhor tempo consecutivo (Setúbal 2h04m, Londres 1h52m, Lisboa 1h49m e Viana 1h47m). Estou por isso confiante para a minha ansiada estreia na Maratona, em Sevilha, mesmo sabendo que as condições da segunda metade de uma maratona são bem diferentes daquilo que conseguimos fazer na primeira.


Cumpri também o meu programa gastrómico e terminei a minha estadia em Viana com um prato de rojões com papas de sarrabulho no Camelo, em Santa Marta do Portuzelo, por onde eu já tinha passado duas vezes durante da corrida. Mas a jornada não terminou da melhor forma. Um rasgo no pneu direito traseiro na área de serviço de Leiria obrigou ao reboque do carro e seus ocupantes para Fátima, onde aguardamos por quase três horas por uma boleia para Lisboa. Quase que tinha sido mais rápido vir a correr :-).

Claudio Monteiro

5 comentários:

Miguel Serradas Duarte disse...

Uma das que tenho que fazer um dia, por causa da admiração que tenho pela madrinha da prova. Grande prova, Claudio Monteiro, transpiras confiança e isso é muito importante. Sevilha está ao teu alcance, só precisas de te sentir preparado e de meter os kms nas pernas. E gostei especialmente da vontade que tiveste de vir de Fátima a correr - onde é que eu já terei visto isso :) ?!?

João Ralha disse...

Parabéns Cláudio Monteiro,

Grande prova e belo relato. Estás mais que preparado para Sevilha.

Quanto à Manuela Machado, ela é, como a generalidade dos grandes atletas, uma pessoa de grande simpatia, que tivemos o prazer de conhecer no 1º Trail da Serra d´Arga, em 2011.

A Manuela Machado aguentou estoicamente sob um temporal terrível, toda encharcada, para entregar a medalha a todos os atletas que concluíram a prova.

E aí (eu e a Luísa) tivemos mesmo que tirar uma foto na companhia de tão extraordinária pessoa. E quem tirou a foto?

O Miguel Serradas Duarte que também tinha feito o "trail" e que não conhecíamos, tirou a foto com o seu "iphone" e teve depois a amabilidade de nos remeter a dita. Foi a partir daí, que ficou o caminho aberto para o Miguel vir a integrar a nossa equipa.

A vida tem destas coisas interessantes

Runabraços

Nuno Sentieiro Marques disse...

Parabéns Claudio.

Pela prova, pelo relato, pelo espirito e pela paciencia que seguramente tiveste que ter em Fátima :-).

Não conheço a Manuela Machado, mas a pouca experiencia nesta coisa das corridas diz-me que a humildade e simpatia destes grandes campeões é enorme.

Sevilha será seguramente uma bela experidencia.
Não te preocupes com o tempo será sempre PBT ;-).

Obrigado pela partilha e Runabraços.

Orlando Ferreira disse...

Parabéns Cláudio.
Bem me recordo de como estavas na meia de Setúbal.
Contas bem feitas, agora fazes quase 1m a menos por km.
Trabalho recompensado dá-nos motivação para novos desafios e com consciência de até onde conseguimos ir. Boa estreia.

Ribas Andrade disse...

Estimado Colega;

Pelos vistos devemos ter andado a correr muito próximo um do outro nessa MM, tendo em os tempos finais.

No meu caso, foi de 1H46m16s.

Mas curiosidade das curiosidades, esta também foi a minha 4ª Meia Maratona, sendo que a minha 1ª foi em Maio do ano passado em Cortegaça, com um tempo na ordem das 2H5m, que pelos vistos se aproxima tb da tua 1ª marca.

Quanto à prova, apesar da invernia com que nos deparamos e da desorganização em torno dos dorsais, pareceu-me bastante interessante, quer pelo percurso, quer pitoresca paisagem, bem como de toda a envolvencia social que uma prova desta natureza encerra.

Agora já só me vejo a atrevessar a Ponte 25 de Abril, na proxima MM de Lisboa.

Até lá