domingo, 29 de dezembro de 2013

S. Silvestre de Lisboa 2013


Eram tantos  Run 4 Fun pelo que houve alguns, nas pontas,  não couberam na foto. Mesmo com duas fotos, não sei se ficaram todos.

Lá estiveram os nossos amigos de Angola "capitaneados" pelo Vasco Rebelo, acompanhado pelo filho Diogo. O António Eusébio veio fazer uma das suas raras corridas, de tal modo que a sua camisola, uma das originais, ainda está muito bem conservada....ehehhehe. O João Pedro Palmela muito bem disposto. Porque seria?

O Carlos Martins, o Paulo Martins, o Nuno Dias de Almeida em grande velocidade à volta dos 40 minutos.  O Bernardo Falcão a dar, mais uma vez um "bigode" ao pai. Alguns PBT´s, o mais impressionante dos quais o do Paulo Raposo, com menos 8 minutos. O Gerardo Atienza também fez PBT. O Cláudio Monteiro, de passagem por Lisboa, a correr no fresco. O Jorge Esteves, a Patrícia e uma "Elsa" masculina....ehehehhehehehhe.

Os nossos amigos Isabel e Rui Oliveira e Amélia e Carlos Gonçalves, em boa forma. As duplas Maria e Paulo Martins e Patrícia Calado e César Moreira em treino para Sevilha, a dupla Patrícia e Paulo Curto de Sousa, em andamento mais calmo. O Jorge Duarte Pinheiro em grande estilo, com a  Helena Telino a andar muito bem. O António Pedro Mata, que esteve com uma das filhas (numa das fotos) em boa forma mas  ainda com uns "quilitos" a mais. Os treinos matinais em Azeitãol do Paulo Marcos, na companhia do António Cruz estão a dar resultado. A Joana Peralta, em grande andamento, parece que os treinos no RB Running estão a funcionar??!!. O Rui de Carvalho não esteve acompanhado da Sílvia, mas apareceu um "Sílvio Cortês"????!!!

O Bruno Silva, com o filho Manuel, já abaixo dos 60 min. Vê lá não puxes demais pelo rapaz, ó Bruno!!! 
Alguns R4F que já não apareciam há algum tempo, como o João Cais Eusébio, a Cláudia Paulino a Telma Oliveira. O Rui Faria experimentou uma das novas caisolas e  deu parecer positivo. A Luisinha chegou tarde com o Francisco Ralha que, pela primeira  vez, correu com uma camisola Run 4 Fun.

Fizemos uma nova aquisição, o Pedro Machado, "apadrinhado" pela Manuela. Houve também alguns, "lesionados" que apareceram para apoiar o pessoal, como o António Arede e o Vítor Aguilar e aqui o escriba. A Cláudia Pargana apareceu mas não correu, pois colocou um "x" nesta S. Silvestre.

E mais umas dezenas de amigos e companheiros Run 4 Fun em alegre confraternização, apesar da chuva que como é costume apareceu um pouco antes do início, durou um pouco depois do início da corrida e parou.....

Amanhã é dia de S. Silvestre dos Olivais e depois de amanhã, para encerrar o ano, a melhor de todas, a S. Silvestre da Amadora.

No início de Janeiro teremos o nosso almoço no dia 11, em Casaínhos e no dia 12 o nosso treino dos Elevadores....não faltem.

Bom ano para todos e as fotos aqui ficam.

Runabraços

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Atleta em destaque

José Magalhães

 

 

José Magalhães
46 anos, Técnico de Controlo de Qualidade

Um dos atletas dos primórdios do Run 4 Fun quando não éramos mais que uma mão cheia de "locos que corren". O Zé tinha um problema de saúde que supostamente o impediria de fazer corridas longas, como a Maratona. Facto que ele ultrapassou com grande capacidade e persistência, tendo já entrado no reduzido lote dos "ultras"



Há quanto tempo corres?
Corro, a sério, desde 2006. Corria antes, mas muito suavemente.


Porque corres?
Comecei a correr para emagrecer, depois fui-lhe ganhando o gosto e agora quando não corro fico com aquela sensação muito bem retratada nas camisolas da corrida do Tejo de 2006 “SOFRES MAIS QUANDO CORRES OU QUANDO NÃO SAIS PARA CORRER”.

Quantas vezes treinas por semana?
Treino 2 a 3 vezes.

Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A maratona. A que mais me marcou foi a maratona de Barcelona no decorrer deste ano. Já que correu como eu pretendia e também porque tinha a família presente.

Quais os teus próximos objectivos?
Tentar, se possível, baixar novamente das 04H00 na maratona. Mas sobretudo continuar a correr e a conviver.

Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Sim. É a PROVA, é a mítica distância a ser quebrada. A preparação, o ambiente, o inicio, o percurso, a meta. Só quem a fez é que sabe a sensação de percorrer esta distância. Para mim é um misto de alegria e sofrimento, que atravessando a meta se resume a isto: Está feita.

O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
O Run 4 Fun é um clube/grupo de pessoas extremamente importante para mim. São como uma segunda família, quer seja nos treinos, nas corridas ou em convívios que se fazem, estão sempre presentes. Os benefícios são o companheirismo, a amizade e sobretudo a entreajuda.

Uma mensagem aos novos membros do Clube
Como alguém diz, não somos os mais rápidos, mas somos os mais bonitos e simpáticos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Atleta em destaque

Sandra Simões

   

 

 

 

 

 

Sandra Simões

43 anos, Advogada 



Um caso notável de grande progresso em muito pouco tempo.  Com novos desafios e objetivos a Sandra, no curto espaço de um ano, passou de uma pessoa que não corria  para uma corredora de fundo que vai, em breve,  fazer a Maratona sem grandes dificuldades. E sempre com uma boa disposição que "contagia" todos os companheiros.



Há quanto tempo corres?
Regularmente, desde 04/11/2013

Porque corres?
Porque me dá prazer, físico e mental, e alio a minha permanente necessidade de desporto com o ar livre, com o Tejo, com as serras, com Lisboa, com outros locais, porque desligo dos problemas e stress do trabalho e porque me permite manter o peso que quero e a saúde necessária para ter o máximo de qualidade de vida, no presente e no futuro.

Quantas vezes treinas por semana?
3 a 4 vezes

Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
As Fogueiras, em Peniche, por todo o ambiente e apoio popular, pela grande presença laranja, e pela recuperação que tive que fazer, desde o início da prova. A Meia Maratona da Ponte 25 de Abril, por ser a primeira.


Quais os teus próximos objectivos?
Os 10 km a 50 min. e acabar a Maratona de Sevilha.

Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Não fiz mas, depois deste fim-de-semana no Porto, estou desesperada para a fazer, por todas as reacções que li, vi e ouvi e porque é um marco físico e psicológico.

O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
É um grupo de pessoas saudáveis, de corpo, de mente e de princípios que fazem vir ao de cima bons sentimentos de apoio, entreajuda, camaradagem e alegria no acto de correr. E cada novo membro recebe tudo isto logo no primeiro dia, no primeiro treino, na primeira prova e tem a imediata necessidade de vontade de retribuir, na exacta medida. Funciona como um clã, no apoio e “protecção” dos seus membros, e no permanente incentivo a melhorar, e a aplaudir cada nova conquista individual, por mais “pequena” que seja. E são pessoas que prescindem, alegremente, dos seus tempos pessoais para apoiar qualquer um dos outros, e para sair da cama e ir tirar 5000 fotografias, passando horas a descarregá-las no facebook, e que acabam as provas, cansados, mas ficam no local a rebocar, a apoiar e a gritar pelos seguintes. E mantêm a mesma atitude em relação a todas as pessoas que conheceram neste mundo dos “loucos que correm” e que não são membros. Os benefícios retirados são bons Amigos, bons princípios e alegria e prazer, quer na corrida, quer nas festas organizadas, sob qualquer pretexto.


Uma mensagem aos novos membros do Clube
A partir do momento em que são Run 4 Fun nunca mais correm sozinhos, mesmo nas alturas em que…correm sozinhos. Terão sempre a companhia física de qualquer um dos membros, em alegres tertúlias, ou o apoio incondicional, ou a discussão de qualquer questão, relacionada com tempos, com trajectos, etc., nos dias em que optem por uma corrida isolada. Porque correr, só por si, é um prazer e faz muito bem. Mas correr com Fun Laranja e com Amigos é muito mais do que pôr um pé à frente do outro. Passa a ser uma necessidade. Por isso, sejam mais uns loucos deste pelotão.

sábado, 30 de novembro de 2013


TREINO DOS ELEVADORES 2014



Boa tarde a todos,

O Paulo Curto de Sousa e eu agendámos o próximo Treino dos Elevadores 2014 para o dia 12 de Janeiro de 2014 com saída ás 08:00 da manhã do cimo do Parque Eduardo VII.
Apareçam.
RunAbraços

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Atleta em destaque

Paula Carvalho








Paula Carvalho

41 anos, Técnica/Comercial













Surpreendentemente …ou talvez não, a Paula fez a 1ª ultra de trail antes de completar a 1ª maratona de estrada. E logo numa prova em que vários participantes disseram que foi do mais duro que experimentaram. Mas com treino tudo se consegue, desde que se acrescente a necessária coragem e uma certa dose de “loucura”. A Paula nem era para participar e foi uma decisão na última semana. Lídima representante do grupo dos “locos que corren”.



Há quanto tempo corres?
Faz este mês 3 anos que comecei a correr.

Porque corres?
Corro porque gosto, porque me divirto, enfim porque me dá imenso prazer.

Quantas vezes treinas por semana?
É muito variável. Há semanas que não consigo correr, há outras que corro quatro dias seguidos.
Não é um bom sistema, mas é o possível.

Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A prova que mais gostei de fazer foram os 21 km do trail de Sicó. Talvez por ser o meu primeiro trail. Estava um tempo agradável, o percurso era muito bonito, o grupo era fantástico e os abastecimentos surpreendentes.
A prova que mais me marcou foi a última… O Grande Trail de Serra d’Arga, 42 km de pura dureza.
Tempo estava péssimo, de tal modo que nem a beleza desta serra, que me é tão familiar, era perceptível. Foi uma prova muito difícil.

Quais os teus próximos objectivos?
Apesar dos trails serem a minha preferência, o meu próximo objectivo passa pelo alcatrão. Gostava de até ao fim do ano baixar claramente das 2h na meia maratona.
Para o ano gostava de repetir a Serra d’Arga, mas desta vez melhor preparada.

Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
A maratona de estrada ainda não. Em trail completei os 42 km da Serra d’Arga.
A minha recente experiencia no terreno veio confirmar aquilo que sempre achei, uma maratona é fazível, mas para ser feita com prazer e diversão tem que ser bem preparada.

O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
Os Ru4Fun são para mim os amigos das corridas, são o não correr sozinha, são a entreajuda.
O companheirismo é notório.

Uma mensagem aos novos membros do Clube
Seja qual for o motivo que vos leva a correr tirem o melhor partido desta actividade. Corram com boa disposição, sem stresses … enfim façam-no apenas pelo prazer de correr.
Este é o Clube certo!!!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Atleta em destaque

Paulo Curto de Sousa

 

 


 

 

 

Paulo Curto de Sousa

47 anos, Bancário

Um dos  fundadores dos Run 4 Fun, que mediante um excelente plano de preparação que cumpriu com grande rigor,  e com uma sensível redução de peso, chegou em boa forma à sua 1ª maratona que concluiu, recentemente,  com um sorriso nos lábios. E agora vais ganhar o tempo perdido....fazendo mais umas quantas.....

 



   Há quanto tempo corres?
Corro desde 2007, por influência e desafio do Paulo Marcos.

   Porque corres?
Há 3 anos quando me fizeram a mesma pergunta respondi: “Sobretudo porque me sinto muito bem quando corro”. Passados estes anos continua a ser a principal razão! E sinto-me bem devido às pessoas que me acompanham e que fazem o favor de aceitar a minha companhia, dos desafios cada vez mais exigentes e pela partilha de experiências que me permite evoluir não só como atleta mas também como elemento de um grupo cuja dinâmica vai muito para além da corrida.


    Quantas vezes treinas por semana?
4 vezes, fazendo sempre o possível por diversificar os locais e tipos de treino. Vela Latina, Expo, Sintra, Marginal… Contínuos, Rampas, Intervalados.

   Qual a prova que mais gostas? E a que te marcou mais?
A prova que mais gosto continua a ser o GP Fim da Europa por ter um enquadramento e percurso únicos e pelo grau de dificuldade que tem. A que mais me marcou não podia deixar de ser a minha primeira Maratona. Foi no passado dia 6 de Outubro em Lisboa. Marcou-me não só pela concretização de um objetivo há muito definido, mas sobretudo pelos estímulos que recebi de todos os presentes (família e amigos), que foram determinantes para conseguir concluir a prova.

   Quais os teus próximos objectivos?
Depois de fazermos a primeira Maratona o objetivo só pode ser… a segunda. E já está no calendário: 23/02/2014 em Sevilha

   Já fizeste a Maratona? A tua opinião sobre a Maratona
Sim. Trata-se de uma prova que não custa muito fazer (!), pelo menos comparado com o plano de treino que temos de cumprir. Sempre tive a ideia que o que custa numa maratona é a fase de treino. A prova em si é para desfrutar o resultado do trabalho que tivemos nos meses anteriores. E confirmo que assim é…  e claro que é difícil… mas não custa muito…

    O que é para ti o Run 4 Fun? Que benefícios retiras de pertencer ao Clube?
O R4F para mim continua a ser um grupo de amigos que se juntam com o mesmo propósito: correr em boa companhia! Independentemente se os conhecemos há 2 dias, 2 semanas ou 2 anos. É a característica mais forte do nosso grupo: a Amizade! A entreajuda entre os elementos do nosso grupo também é uma das nossas marcas, materializada no Grupo Network Run 4 Fun.

   Uma mensagem aos novos membros do Clube
Corram muito, superem-se, desafiem-se… mas sempre pelo prazer de correr… 4FUN!

Com orgulho… mas soube a pouco!


Não vou fazer uma maratona de palavras, vou ser breve.
A responsabilidade com que enfrentei este desafio era grande. No passado dia 7 de julho recebi como prenda de aniversário (“envenenada”) dos meus filhos a inscrição na 10ª maratona do Porto.
Além de ter de realizar os desejos deles e chegar ao fim… e cheguei, tinha como 2ª intenção fazer tudo a correr… mas tive de andar e como 3ª intenção chegar ao fim perto das 04:20… foram 04:40…!!!
O João logo se disponibilizou para, além de organizar toda a logística, me acompanhar do princípio ao fim. Sempre a apoiar-me, a controlar-me e a incentivar-me.
E às 9:00 do dia 3 de Novembro lá partimos com toda a determinação e intenção de ser bem sucedido. E estava tudo a corre muito bem… ao km 30 com cerca de 03:00 ia adiantado em relação ao que estava à espera. A energia estava a 100% e o fôlego era muito.
Mas… há sempre um mas… ao km 34 apareceu uma dor no joelho que se foi agravando, que me fez quebrar e em que a certa altura pensei desistir… mas arrastei-me até ao fim com o João sempre ao lado (e a certa altura com a companhia do Magalhães) sem me deixar desmoralizar e a incentivar-me com as palavras que a maratona também se faz a andar. Ou seja mais ao menos desde o km 35 foi um andar, correr, andar, correr… até a 1 km da meta em que ao avistar a Susana e demais “run 4 fun’s” que torciam por nós, lá me enchi de coragem e fiz um esforço final. Aqui a Patrícia nos últimos metros foi inexcedível no apoio.
Cortar a meta (com uma lágrima no olho) e levar um abraço do João foi o meu melhor prémio. A ele devo este “feito”!!! Aos outros “Run 4 Fun” (e foram muitos) o meu obrigado pelo convívio e apoio.
Agora tenho de me preparar para cumprir os outros 2 objectivos: acabar sem andar e em menos do que 04:20. Venha a próxima!!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Talvez não a minha última maratona

Foto Corredor de Montanha (UltraMaratonista)
Não era uma ambição minha fazer uma maratona. Eu não gosto nada de sofrer :-) Estive no quilómetro 40 da Maratona de Lisboa este ano e vi mesmo muito sofrimento. No ano passado estive na meta da Maratona de Lisboa, e foi inspirador ver os maratonistas cortaram a meta com tanta alegria. Mas mesmo assim não me entusiasmei sobre a ideia de a fazer um dia – e costumava citar a entrevista com Carlos Sá que nunca fez a maratona da estrada.

Nas poucas corridas de estrada animo-me pensando que isso pode ser um bom treino para os trilhos. Prefiro os trilhos pelo contacto com natureza, o impacto de alcatrão parece-me duro e monótono, e nos trilhos facilmente se arranjam oportunidades para abrandar um pouco quando quero correr mais calma.

E foi num trilho na Arrábida feito um pouco demasiado calmo porque aparentemente estive a falar sobre “talvez fazer uma vez a maratona”, e assim fui desafiada pelos fãs de maratonas – acabei a prometer pensar a sério nisso. Mas não tive tempo para pensar, porque no dia seguinte em Almeirim apareceu um dorsal disponível para a maratona do Porto. Gosto muito do Porto. E toda a gente diz que a maratona do Porto é muito bonita e muito bem organizada.

Na última semana antes de uma maratona só resta a relaxar, dormir e comer bem – e fiz isso à risca. Comprei calções com bolsos grandes e quatro géis, e porque a costureira da minha rua não podia pôr fechos nos bolsos até ao Sábado, fui eu que os fiz à mão – não queria perder os géis durante a corrida. Na 6ª feira considerei pedir emprestado um relógio desportivo, mas já não havia tempo para estudar um aparelho, e apesar disso não sabia exatamente qual ritmo deveria seguir. Pronto, vou seguir o meu ritmo interno. Sabia que tenho de encontrar um ritmo suportável para muitas horas e muitos quilómetros.

Grande romaria dos R4F ao Porto, depois do jantar dormi bem e tive bastante apetite no pequeno-almoço. Mas depois de vestir-me para a corrida estava apreensiva dos quilómetros e quilómetros de alcatrão. Na partida vi muitas caras queridas e inspiradoras, e cada momento fiquei mais e mais emocionada.

Foi um alívio começar a correr. Cada quilómetro feito é um quilómetro menos para fazer. O tempo foi ideal, o percurso bonito e dinâmico. Gosto de ver os outros corredores correndo no sentido contrário, muitos amigos e conhecidos. A primeira metade corri com o Miguel Duarte, e apanhámos o Luís Boleto durante algum tempo, e assim a primeira metade passou rapidamente, senti-me bem. Como até ao 20 km só houve água nos abastecimentos, levei uma garrafa de Coca-Cola, para suportar-me com açúcar e cafeina, e esta garrafinha chegou além do 25 km. Não me apeteciam nada os meus géis.

Segunda metade corri sozinha, os quilómetros tornaram-se mais compridos, comecei a procurar com atenção as placas de distância e fiquei feliz por atingir cada uma. Pela primeira vez parei no abastecimento do 35 km, e demorei bastante tempo porque não conseguia abrir a embalagem da marmelada, e o voluntario com luvas plásticas tão-pouco, mas chamou alguém do lado para abri-lo para mim e valeu a pena esperar para este cubo de marmelada porque soube bem e também a paragem soube bem. Os últimos quilómetros tornaram-se curtos, parei outra vez no 40km para beber isotónico, vi a claque de apoio de R4F e tinha a companhia para o início da subida final, e os últimos 2195 metros pareciam mais fáceis.

Meta. Terminei. Não foi fácil, mas não sofri. A experiência foi muito mais positiva do que estava à espera. Foi mesmo um bom treino para os trilhos :-) Geri relativamente bem o ritmo e o esforço. Se não tivesse terminado esta vez dentro de 4 horas, provavelmente queria tentar outra maratona. Mesmo assim talvez volte a fazer outra maratona. Ou talvez não. Mas se saúde e o futuro permitir, provavelmente sim. Não por causa de melhorar o tempo. Um pouco menos do que 4 horas já é bom para mim, para baixar isso precisava sorte com saúde e com o tempo no dia da maratona e a boa disposição geral, e alguns treinos específicos seguramente ajudavam e planear como alimentar-me durante a corrida também. Os calções com bolsos enormes com fechos e os 4 géis já tenho :-))

Fiz a maratona do Porto por várias coincidências, e por isso para mim a partida foi mais emocionante do que a chegada. Mas terminar uma maratona é gratificante, apesar de agora já não ter nada em comum com Carlos Sá. Como já conheço o mito sobre o ácido láctico, não fiquei com dores de músculos depois da maratona. Só fico mais rica por uma nova experiência, e agradecida às muitas pessoas que facilitaram e me incentivaram fazer a minha primeira maratona – talvez não a última.

O destino baralha as cartas, e nós jogamos

O destino baralha as cartas, e nós jogamos
Arthur Schopenhauer, Filósofo, 1788/1860

NOTA PRÉVIA: Este texto reflete a visão muito pessoal de um indivíduo que correu a maratona pela primeira vez. Qualquer semelhança com a descrição de uma corrida é mera coincidência. Apenas os nomes foram omitidos para proteger os inocentes.

Adoro não saber o que o amanhã me traz.

Adoro me perder seja na Serra de Sintra ou no centro histórico de Lisboa e encontrar novas alternativas para sair de lá.
Adoro variar os treinos, umas vezes tipo hamster na estrada sempre ao mesmo ritmo, outras vezes como predador no meio do mato atrás da sua presa.
Adoro quando o destino nos prega partidas inocentes levando-nos a desviar da linha recta que traçamos.
E adorei quando alguém colocou no facebook que a Vodafone estava a oferecer inscrições para a Rock’n’Roll Lisboa através da sua app para smartphones.
Minimaratona?! Fora de questão, os meus treinos mais pequenos são maiores que isto. Meia maratona?! Já perdi a conta a quantas fiz, mas é uma opção muito boa. Maratona?! Elá, estão a oferecer dorsais para a maratona? Não sei… talvez… tenho de pensar… E enquanto pensava já o meu dedo tinha escorregado para a inscrição e na caixa do correio tinha o email da organização a dar-me os parabéns pela inscrição na MA-RA-TO-NA!



Maratona. Maratona. Maratona...
Distância mítica para celebrar o percurso que Feidípides fez de Maratona a Atenas a anunciar a vitória dos Gregos sobre os Persas. Caso a batalha tivesse desfecho inverso as mulheres que ficaram em casa deveriam matar os filhos e suicidarem-se de seguida, o que daqui podem calcular a urgência dele em chegar a casa. Tinha originalmente cerca de 40 kms, mas foi fixada em 42.195 metros nas Olímpiadas de Londres de 1908 porque a família real queria ver a partida dos jardins do palácio de verão, e lá se teve de estender a prova mais uns metros.
Ah, um pequeno aparte, parece que antes de fazer essa distância, Feidípides percorreu 240 kms em menos de 2 dias a pedir a ajuda militar de outras cidades gregas. Mas isso é outra história, e quem tiver interesse pode pesquisar por Spartathlon.

Mas o que fui fazer? Inscrição de impulso numa prova que é o dobro da distância que corro, e de vez em quando? Ainda por cima, quando faltavam 30 dias certinhos e sem treinos para a prova? AI, AI, AI! A inscrição foi gratuita, mas no dia 6 de Outubro os kms tinha de os fazer a meu custo! Mas, também se não fosse assim, nunca daria este passo pois teria de investir muito tempo em treinos, e isso… é coisa que me falta.


Podia fazer uma narrativa descritiva dos acontecimentos: de como comecei lá atrás e fui passando por vários pacemakers e gente conhecida; de como achei ridículo ter de pagar 50 cêntimos para a viagem de comboio quando a anunciavam gratuita; de como levei ameixas secas e tâmaras para ir trincando a cada 5 kms; de como utilizava mais água para refrescar a cabeça que para beber; de como treinei em 30 dias; de como cravei vaselina para os mamilos a outro corredor; de como nunca me doeu qualquer músculo ou articulação, durante ou após a prova; de como não comi massas, arroz, batatas, cereais ou outra forma de carboidratos nos 6 meses anteriores; de como não encontrei o muro; de como a temperatura esteve altíssima do princípio ao fim; de como é uma barbaridade começarem uma maratona às 10 horas; de como, de como, de como…

Mas o que realmente quero escrever aqui é muito mais importante que a corrida, no seu sentido restrito. É algo que só se sabe quando se experimenta e muito dificilmente se passa através da escrita. É do calor humano que nos une, dos amigos e da família. Daquele pequeno pormenor que faz toda a diferença, que nos comove e aquece por dentro.


Tantas caras conhecidas, a começar logo pelo gestor de frota que me acompanhou estoicamente do principio ao fim com paciência de Jó. Ora puxas tu, ora puxo eu, ora fazemos de emplastros à boleia doutros.
Na corrida propriamente dita só pensei nos primeiros 2 minutos entre o sítio que me encontrava até passar pela linha de partida. A partir daí foi um deslizar entre amigos. Até os pace makers conhecia! E os que iam atrás deles também! Afinal o mundo da corrida é mais pequeno do que pensamos, e quanto maior a distância, maior a partilha e menor o grupo.
Passei por ultra trailers, desde bancárias que teimam chegar atrasadas aos eventos, àqueles que até em Monsanto se perdem, por brasileiras que quase só treinam de madrugada e por novas maratonistas acabadinhas de fazer infiltrações ao joelho. De tudo um pouco, de pessoas que conheço melhor, outras nem por isso.

Vi, ainda a distâncias consideráveis da meta, colegas que esperavam pelos maratonistas e que teimavam em nos acompanhar mesmo em curtos espaços. E que bem que sabia! Houve muitos que me ajudaram: quem me levou a bater o PBT na meia maratona (e que eu estraguei o joelho ao oferecer-lhe um dorsal para a UMA); uma diretora de uma empresa de Biotecnologia; o nosso incansável organizador de boleias nos Olivais; e quem me convida sempre para ir fazer rampas a Sintra e não vou. Desculpa, mas vou tentar ir. E não pares de me convidar, por favor.


E na última parte, uma lebre de luxo, um ultra R4F com provas acima dos 150 kms a quem tive o prazer de estar sentado ao lado no último almoço, explicar a minha dieta e ver a cara dele a perguntar-se “Estás a brincar comigo, não estás?”

E à beira da estrada? Ofereceram-me marmelada e comi! Oh não, marmelada não faz parte do que como, mas com essa amabilidade como poderia recusar? Come e siga para a frente! Encontrei a gorda 1, gorda 2 e gorda 3 dos treinos Monsanto ao lado direito, bancárias e advogadas, que de gordas só alcunha, que, de resto, quase não as apanho. E ao lado delas uma física que dá aulas de gestão de operações. Senhora física, tenho uma dúvida sobre o Universo! Se a 2ª e 3ª Lei de Kepler se aplicam ao Sistema Solar e as leis físicas são válidas em todo o Universo, porque razão elas não se verificam a nível das galáxias e mais além? Será que existem universos paralelos em que a massa existe, sente-se mas não se vê? Será essa a explicação para a matéria e energia negra que teima em não aparecer? E por falar em Monsanto, até o organizador Húngaro lá estava, perto da meta, com a mais recente farmaceutica corredora. Oh senhora farmaceutica, tem de fazer mais séries e rampas que de cada vez que corro ao seu lado está sempre a arfar!


Tantos sorrisos, tantos gritos. Uma sensação indescritível. Parecia que conhecia toda a gente e que toda a gente me conhecia a mim: Uma formadora em Dreamwaever, pessoal amigo (muito amigo) dos últimos treinos com quem dei no duro. Até os meus primos lá estavam.

Mas também sofri bastante, podem crer que sofri, quando passava por caras muito bem conhecidas em esforço, em sofrimento, a deixarem-se ficar parar trás a correr ou a andar. Alguns estreantes, outros não.

Olha ali! Uma professora de matemática que me disse que Pi não é construtível e, logo, a quadratura do círculo é impossível. E que há alguns números irracionais que não o são e fiquei com a sensação de todos os racionais o serem. Mas, sendo assim,⅓ é construtível e a trissecção do ângulo também é possível, o que sabemos ser falso. Há algo de errado neste raciocínio, e não sei qual é Srª. Profª. Aguardo a próxima aula para esclarecer isto, assim como discutirmos uma demonstração elegante para o UTF e se P = NP. Se conseguirmos isto, temos prémio Nóbel à vista. Nobel não! Que o amor da vida Nobel preferiu um matemático a ele, e assim a matemática foi excluída da lista. Mas sempre temos a medalha Fields.

E a cada quilometro mais próximo da meta maior o envolvimento, maior a emoção. Uma sensação de crescendo, de explosão controlada, de aceleração a cada face, a cada árvore, a cada pedra que se encontra pelo caminho. A mente, curiosa, fervilha de pensamentos, conjeturas, teses e ensaios, só faltando ver os elefantes cor de rosa. Até pensei num modelo rápido para avaliar as obrigações cotadas em bolsa, recorrendo a comparações de YTM entre corporativas e governamentais. Tudo isto enquanto uma perna se vai colocando à frente da outra num ritmo cada vez mais frenético.
Tantas caras conhecidas a apoiar-me. Sim a apoiar-me! Gritavam o meu nome! O meu?!?! Estariam doidos? Estaria eu doido?
Meu Deus, onde me fui meter? Loucos que correm, loucos que nos amam, loucos que nos querem bem.


E de repente, assim como começou… terminou. Cheguei à meta com enorme alegria. Também! Com isto tudo, como poderia ter sido de outra forma?
Hão de haver mais, mas a primeira, é sempre a primeira.

ADOREI

Muito obrigado a todos os que me ajudaram e gritaram esganiçadamente por mim. E muito obrigado a ti que leste isto tudo até aqui. Deve ter dado uma canseira!

E assim se passaram 42.195 metros.
Resultado final, só para registo: tempo de chip 3:53:05; 584º em 1836 que terminaram.

Paulo Raposo