sábado, 27 de outubro de 2012

2012: The Conquest Of Paradise

Para os conhecedores de música, como eu, devem estar a estranhar o título deste relato. Sim, esta correcto, não se trata de 1492-The Conquest Of Paradise, de Vangelis, uma obra fantástica. Mas, porque 2012? Porque a referência a esta música?

Dia 21.10.2012, um dia só com 0, 1 e 2 , o dia da minha primeira maratona, eram já passadas 9:30 quando no Estádio Olímpico de Amsterdam, começa a tocar esta música , a Conquista do Paraíso , a conquista da maratona. Eram mais de 15.000 atletas, quase que a marchar, ao som espetacular da música de Vangelis, em direção a partida. Para quem ainda não se arrepiou, eu naquela hora estava completamente neste estado, uma emoção muito grande ao ouvir esta música que além de estar marcando esta minha nova conquista, também foi a música em que a minha turma de formandos em Informática, no Brasil, entrou no auditório da Universidade , para celebrarmos a nossa conquista, a conquista de um título acadêmico.

São estes momentos marcantes em nossas vidas em que nos sentimos orgulhosos, orgulhosos de ter atingido um objectivo muito difícil, em que poucos conseguem. Foi uma decisão em cima da hora, graças a desistência de um amigo de uma amiga do João Fialho, que me proporcionou esta oportunidade, pois até então eu já estava decidido em correr a Meia-Maratona, com o objectivo de passar a meta a 1h45min , objectivo este prometido no ano passado, quando terminei a mesma Meia-Maratona, juntamente com o meu sobrinho holandês Lars Wudich. Naquela altura, prometi a ele que voltaria em 2012 para conquistar este tempo.

Após a desistência dele, por uma lesão no joelho, o Nuno Marques, o Nuno Tempera, o João Ralha, o Nuno Dias Almeida, a Joana Peralta e a Ana Hebe , insistiram que eu estava preparado para a maratona, e que deveria pensar muito, pois estaria na terra do meu pai, da minha família e seria um bom motivo para também estar acompanhado dos companheiros de "luta" que iriam correr a maratona.

Confesso que até tentei fazer a transferência, mas quando pensei, já não haviam mais inscrições. Mas, como nada acontece por acaso, eis que no dia do aniversário da minha filha Camila, o meu grande amigo João Fialho me faz esta oferta!

E lá fui eu, uma semana antes do grupo, aproveitei a calma do interior da Holanda, para fazer ainda dois treinos, no meio de um Parque Natural, cercado de árvores já com as suas folhas a caírem do outono a chegar.

No dia 21.10.2012 tive como companhia outra pessoa muito querida de todos e também meu grande amigo e irmão Nuno Marques.




Fomos até o km 40 juntos, quando não consegui mais resistir as pernas, que me chamavam para correr, para esticar, sem cansaço, sem paredões, e fui sozinho, até a meta, a 4:44 no último Km, passando por corredores quase a caminhar, outros parados com cãibras, alguns me olhavam e não acreditavam, quem era aquele louco a correr? Entro no Estádio Olímpico a "sprintar" , com raiva, com força e vontade de terminar aquele tão esperado objectivo.


Alguns minutos, já com a medalha na mão, o saco térmico no corpo para me aquecer, olho para o céu, para o público e não resisto: choro, choro como há muitos anos não chorava, pois sou uma pessoa muito contida em sentimentos, mas senti uma explosão, um emoção muito grande, uma conquista, a Conquista deste Paraíso, que é onde estão poucos: nós os maratonistas.

Obrigado ao meu pai, que por tanto passou durante as duas grandes guerras e me ensinou que não devemos nunca desistir de nossos objectivos e lutar com todas as forças para conquista-los.

Obrigado a minha querida mãe, Celeste.

Obrigado a minha família na Holanda que me incentivou, Lars, Anke, Stan, Sven, Kyra, Richard, Lars, Marre, Trijnee e meu irmão Ole.

Obrigado a minha companheira que esta tão longe, Vera Lúcia.

Obrigado a minhas filhas, Mariela e Camila.

Obrigado a minhas irmãs e seus filhos no Brasil, Cristina e Daniela.

Obrigado aos meus amigos(as) que me acompanharam na Holanda: Albísio Magalhães, Ana Hebe, Carmen Greff, Cristina Marques Caldeira, Joana Peralta, Nuno Dias Almeida, Nuno Marques, Nuno Tempera, Paulo Ribeiro, e também a Claire Monroy e o seu boyfriend e a Susana Brás Santos.

Obrigado a todos amigos do Run 4 Fun que me suportaram até hoje.

"Corra uma maratona sem pensar em tempo, escolha uma pessoa importante para você que possa te acompanhar durante todo o percurso, divirta-se, cumprimente as pessoas nas ruas, dance onde há música, o tempo vai passar e quando se der por si, os 42 Km passaram"

Run 4 Fun.

Abraços a todos.

Franco Wudich.

10 comentários:

Nuno Sentieiro Marques disse...

Parabéns meu Amigo...grande conquista.
Com amor, paixão, diversão e mais uma data de coisas que pudemos sentir e partilhar durante o que foi uma maravilhosa viagem.

Obrigado Mano Franco.
Obrigado pela partilha deste emocionante relato.
Obrigado rela referencia.
Obrigado pela companhia, pelo prazer e pela honra de te ter como companheiro na conquista da Tua primeira maratona.

Foi uma decisão de coragem, por ser à última hora, mas na realidade nunca tive dúvidas que estavas mais que preparado.

Foi só pena que a minha condição física, não tenha permitido outro tipo de performance.

De qualquer modo muitas mais virão e seguramente que irão proporcionar grandes marcas para as quais estás mais que destinado a conquistar.

Agora...agora venha a próxima.
Isto das maratonas quando se entranha...é saudavelmente perigoso :-) .

Runabraço

Ndda disse...

Fantástico Post Maratonista.

Emocionante o teu relato acompanhado por esta musica que já não ouvia desde aquela partida fantástica, em que se cheirava adrenalina no ar... e que ainda me emociona.

Que mais te posso dizer… Eu que te massacrei para dares este passo tantas vezes… sempre que te encontrava?
Que estavas preparadíssimo!

E se treinares para a próxima com o mesmo afinco, até podes nem ter musica ou um estádio a gritar por Ti, mas a sensação irá ser seguramente a mesma.

Também chorei na minha 1ª e todas as restantes, porque as encaro como sendo novamente primeiras e as mais importantes.

Agora é olhar para a frente e programar a próxima com o desejo de fazer melhor, sem que seja apenas por um segundo.
Nunca mais serás o mesmo.

Até á próxima,

RunAbraço,
NDA

46 disse...

Caro Franco,

uma grande abraço e muitos parabéns pela tua grande conquista.

A tua foto a terminar a maratona, com toda a tua determinação no rosto, é simplesmente fantástica.

Parabéns.

AC

Jorge Esteves disse...

Franco,

Existem textos que nos enriquecem quando os lermos e este teu é um desses.

Depois de o ler e ao ouvir a música, também senti um arrepio e revivi essa sensação maravilhosa de conseguir terminar a maratona e de vencer essa distãncia mítica.

Parabéns! Pela maratona e pela partilha.

Um grande abraço e espero poder acompanhar-te em muitas maratonas.

Jorge

João Ralha disse...

Franco,

Gostei muito do teu bonito e emocionado relato, com o qual também me emocionei

Grande coincidência em dois momentos marcantes da tua vida, tocar uma música excelente, a dar força para a conquista do "Paraíso". É uma alegria e uma satisfação muito grandes conseguir chegar onde poucos conseguem.

E que satisfação acabar em grande, ao "sprint", num estádio olímpico, no País do teu pai e da tua família.

Parabéns grande Franco pelo teu feito e pelo fantástico relato que fica para a posteridade.

Runabraços

Carmen Greff disse...

Parabéns, Franco, pelo relato, emocionante! Por tudo o que treinaste/passaste, és um vencedor! Depois desta, muitas outras virão, com certeza, mas esta, será sempre a tua primeira Maratona e por isso, lembrada com muito carinho. Fico feliz por ter participado de alguma forma nela. Bons treinos, amigo.

Joao Fialho disse...

Caro amigo
as tuas palavras emocionam!

Quando te propus correres a Maratona, fi-lo porque sabia que irias correr por prazer.
E assim foi.

De tão inesperado convite, de tão inusitado desafio, este foi ganhando consistência apenas a uma escassa semana da prova.
E que coragem!

Para correr maratona é preciso ter treino, disciplina, persistência, capacidade de sofrimento, e muita, muita força de vontade.
Sempre soube que as tinhas.

A tua experiência e o relato traduzem a felicidade de terminar uma prova como a Maratona.
E és um vencedor!

Que venham muitos mais momentos em que te superas!
E que o possamos compartilhar em conjunto.

Teodoro Trindade disse...

Caro Franco,

O mais importante nas nossas vivências não é a sua duração mas sim a intensidade com que são sentidas. O relato da tua experiência é disso um testemunho vivo. Muito obrigado pela partilha.

Parabéns meu amigo maratonista. É sempre um prazer correr a teu lado.

Um forte abraço.

Franco Wudich disse...

Nuno Marques, Nuno Almeida, António Cruz, Jorge Esteves, João Ralha, Carmen , Fialho e Teodoro , agradeço de coração as palavras de vocês.

Desde o momento que cruzei aquela meta, me sinto diferente, a maneira com que encarei a maratona foi muito diferente, não fiz planeamento nenhum, mas acho que o mais importante foi o fator psicológico, pois me senti tão bem durante a corrida , a companhia do Nuno Marques durante os 40 Km foi importantíssima, não foi uma corrida solitária foi uma corrida solidária e principalmente me diverti muito. Lembrei também muito do João Fialho que durante as corridas sempre cumprimentava as pessoas e fiz isto instintivamente, crianças , homens e mulheres que aplaudiam, eu passava por eles e batia as mãos. Dançava durante as músicas, sorria para os companheiros que corriam, conversava com alguns, enfim , aprendi que correr uma maratona não é pensar no tempo e sim desfrutar e não desistir nunca.

Obrigado mais uma vez a todos vocês pelo carinho demonstrado nas palavras de cada um.

Forte abraço.

Franco Wudich.

Patrícia Calado disse...

Só agora li o teu post, Franco. Fiquei sem palavras... Obrigado por nos dares o previlégio de partilhar este momento connosco. Bem hajas.