quinta-feira, 31 de maio de 2012

Moratória levantada! Venham novos membros!

Somos 212 membros actualmente.
Aquando do treino e convívio em Constância, levantámos uma moratória a novos membros, de forma a nos permitir assimilar o crescimento do grupo.

Estamos novamente em condições de recomeçar a colocar Portugal e o mundo a correr! Que venham novos membros! Que recomece o recrutamento de nossos amigos, colegas, cunhadas, vizinhos/as, etc...deixá-los vir!

O levantamento dos dorsais da Corrida da Selecção - Criticas internas

O levantamento dos dorsais da Corrida da Selecção - Criticas internas

Caros Companheiros;
Sendo este um dos dois locais fechados à restante comunidade, venho aqui deixar o meu desconforto com o telefonema no dia de hoje do Sr. João Fialho relativamente ao levantamento do seu dorsal e respetivo tamanho da T-shirt.

Como penso que existem dois meios de comunicação entre os elementos do grupo Run 4 Fun, fui dando conta da situação das inscrições, tendo publicado no dia de ontem pelas 9:57 que iria levantar todos os dorsais presente na listagem da equipa Run 4 Fun.

Como fiz o acompanhamento das inscrições e nada me foi apontado, tendo adicionado alguns elementos que estavam fora da equipa, senti-me na obrigação de fazer o levantamento também dos dorsais

A quem me ligou solicitei a entrega de t-shirt no tamanho acordado (xxs).

Espantou-me este telefonema quando somente levantei dorsais da equipa e nenhum individual. Se por ventura não queria que fosse levantado o seu dorsal teve bastantes oportunidade para o informar.

Não gostei, não gosto e tudo o que faço é por Fun. Assim as coisas estão a passar dos meus limites.

Cumprimentos a todos e no sábado pelas 9.00h estarei no estacionamento do Rabo da Baleia para entregar os restantes dorsais e sacos.

Atenção que temos o dorsal do Alfredo Falcão livre.

Corrida da Selecção - entrega dos dorsais e sacos

Temos o dorsal do Alfredo Falcão para quem for o primeiro a solicitar. (somente o dorsal)
Foram estes os dorsais e sacos levantados (30). Alguns foram entregues hoje no treino na Serra de Sintra. Os restantes serão entregues no dia da corrida, ou algo a combinar (estarei por Lisboa amanhã).

Equipa: Run 4 Fun

Dorsal: 268
Nome: João Fialho (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 327
Nome: Nuno Miguel Matias Tempera (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 435
Nome: Jorge Paulo
Dorsal: 653
Nome: Jorge Alexandre Teixeira Esteves (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 797
Nome: José Carlos Melo (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 805
Nome: Raúl Jorge Matos (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 806
Nome: Rogério Matos (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 807
Nome: Fernanda Borges (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 977
Nome: Rita Felizol
Dorsal: 978
Nome: Rute Fernandes
Dorsal: 1803
Nome: Albísio Fernandes Magalhães (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 1871
Nome: Teodoro Trindade
Dorsal: 2469
Nome: Alfredo Falcão
Dorsal: 2367
Nome: Orlando Ferreira
Dorsal: 2368
Nome: Paula Guerra
Dorsal: 2369
Nome: Mariana Ferreira
Dorsal: 2370
Nome: Rodrigo Ferreira
Dorsal: 2348
Nome: Nuno Marques (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 2349
Nome: Cristina Caldeira (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 2515
Nome: Paulo Rogério Ribeiro
Dorsal: 2516
Nome: Carmen Greff
Dorsal: 2704
Nome: Mónica Miguéis
Dorsal: 2705
Nome: José Bagina
Dorsal: 3867
Nome: Franco Wudich (já entregue dorsal e saco)
Dorsal: 5841
Nome: António Pedro Mata
Dorsal: 5842
Nome: André Mata
Dorsal: 6014
Nome: Jorge Duarte Pinheiro
Dorsal: 6015
Nome: Tomás Duarte Pinheiro
Dorsal: 6016
Nome: Margarida Duarte Pinheiro
Dorsal: 7493
Nome: António Cruz

Todas a t-shirts são tamanho L, exceto as de Mariana Ferreira, Rodrigo Ferreira, Tomás Duarte Pinheiro e Margarida Duarte Pinheiro. As possíveis trocas só podem ser realizadas pelo próprio no local da entrega dos dorsais (no estádio nacional)

domingo, 27 de maio de 2012

Um treino especial


Os treinos organizados pelo Jorge Cancela são todos especiais. Ele conhece muito bem Monsanto e tem sempre umas excelentes soluções para correr mais depressa ou mais devagar, apreciar a paisagem, passar em locais engraçados como a zona  do arborismo e escalada, perto da pedreira ou então privilegiar os caminhos com caruma, depois de "solicitação" do Hilário.

Hoje tivemos dois grupos em função do andamento: um menos lento e outro mais lento ....ehhehehehehh. Pois que "amigos não empatam amigos" e cada um vai no ritmo em que se sente melhor, confortavelmente.

O grupo "menos lento" fez 12,6 km em 1:19 a uma média de 6:17. Nada mau para um treino/passeio, muito agradável. Pelo que me disseram, os "mais lentos" fizeram 10 km. Nada mau. Afinal não foram assim tão lentos .. :).

Após o treino a  compensação, a melhor parte do treino um "pic-nic" à sombra de um frondoso pinheiro, com manta no chão, onde não faltaram as "mines"  batatas fritas, um gostoso bolo de chocolate, cortesia da Rita Felizol, uns saborosos rissóis, pastéis de bacalhau e croquetes, cortesia da Maria Antunes e um bolo "Run 4 Fun" acompanhado por um espumante, português, pois claro, em homenagem ao Paulo Marcos que completa hoje 45 anos (o rapaz está um jovem) e  que voltou a correr passados uns meses de uma arreliadora lesão,

Tivemos ainda o prazer da companhia da Ana Grosnik, Zé Carlos Melo, Jorge Esteves e Teodoro Trindade que, depois da corrida do Guincho fizeram questão, de participar no "pic-nic". Além de simpáticos, são inteligentes, pois sabiam que o petisco era agradável.

E assim se passou mais uma agradável manhã desportiva e de convívio entre os nossos companheiros. Venha o próximo!!!!!!

Runabraços

sábado, 26 de maio de 2012

Dia de trabalho a terminar...amanhã uma corridita!

Dia de trabalho a terminar...amanhã uma corridita...

http://www.linkedin.com/in/paulomarcos

Trabalhar até à hora de jantar....!!!
Amanhã tentarei regressar às corridas e logo em Monsanto com os Run 4 Fun!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

I Ultra Trail da Serra de São Mamede



“O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda.”
- José Saramago, Levantado do Chão


Foto de Paula Fonseca

Paisagem foi o que não faltou no passado sábado. Paisagem bela, bruta, selvagem e domesticada, de cortar a respiração. Paisagem anterior ao homem e com a marca que ele depois lhe deixou, sentado sobre as serras e os montes e deslizando ao longo dos rios e dos vales.

Mas estou-me a adiantar à história. Esta teve início quando em boa hora me inscrevi no 2º Ultra Trail de 100K da minha ainda recente encarnação desportiva, a instâncias de um bom amigo, o Luís Ricardo, natural do municipio de Portalegre. Desta feita para participar no I Ultra Trail da Serra de São Mamede, prova que nasceu da empreendedora iniciativa do Atletismo Clube de Portalegre.






Altimetria da Prova

Percurso da Prova


Conheci o Luís Ricardo no 2º Trail das Terras de Sicó, em 2011, e logo me cativou pela sua alegre expontaneidade, verbo escorreito e trato afável. Desde então cruzámo-nos em mais algumas provas,que nos permitiram alimentar uma amizade forjada na cumplicidade de um forte interesse partilhado e na sua natural simpatia. Como Alentajano hospitaleiro que é, convidou a minha família a partilhar o espaço da sua durante um fim de semana da Pascoa, e assim passámos um par de dias inolvidáveis, a usufruir de tudo o que de melhor o Alto Alentejo tem para oferecer. Pelo meio aproveitámos para fazer um excelente treino pela zona de onde o Luís é natural, e onde vai edificando o seu Refúgio.


Luís Ricardo - Foto de José Sousa
  
Na passada 6ª feira voltámos ao lar da acolhedora família Ricardo, agora para nos prepararmos para a aventura desportiva que se iria desenrolar. Tomado o jantar, dirigimo-nos para o Estádio, onde se encontrava o secretariado em que se levantavam os dorsais e onde iria ter início a prova, às 4 horas da madrugada. Já em casa, só tivémos tempo de preparar o material obrigatório (frontal, pilhas, reservatório com 1 litro de água, 1000Kcal sob a forma de géis e barras, apito e telemóvel) e enfiá-lo dentro da mochila de hidratação. Pouco depois das 22h já estava deitado e a dormir (não sou de ansiedades e há que dormir, que diabo!).

Acordámos cerca das 2h, tomámos o pequeno-almoço indispensável e fomos para o estádio. Tivémos a desdita de comprovar que já estava a chover e que a temperatura estava fresca (estariam uns 10 graus). Encarámos esse facto como um pequeno contratempo e o nosso ânimo não arrefeceu. Na verdade até ficámos mais descansados pois provavelmente não iríamos correr o risco de sobreaquecer com as inclementes elevadas temperaturas alentejanas.

No estádio - Foto de Vitorina Mourato

No estádio encontrámos os cerca de 200 participantes que iriam alinhar à partida e revimos com alegria muitos dos companheiros destas aventuras. Entre eles o companheiro Carlos Santos (Caló) do Run 4 Fun e o Eduardo Santos, de O Mundo da Corrida e meu treinador. A emoção era palpável, sentia-se a tensão na humidade do ar, cheirava a adrenalina antes do tiro de partida. Parafraseando uma personagem de um filme famoso: “I love the smell of adrenaline in the morning...”


Grupo da Frente - Foto de João Faustino

 Às 4h em ponto arrancámos para aquilo que adivinhávamos iria ser uma saga de proporções épicas. A noite estava escura (“e tempestuosa” :-)). Progredimos com o frontal aceso, num grupo que incluia o Luís Ricardo, o Cláudio Quelhas, o Guilherme Hora e moi meme. Avançávamos rápido para tentar evitar os habituais engarrafamentos quando atingissemos o troço mais técnico no single-track junto ao ribeiro. Aos 10 km passámos pelo primeiro PAC (posto de abastecimento e controle) nos Viveiros e aos 17 kms passámos pelo PAC2, em Alegrete, freguesia muito pitoreca, com um pequeno Castelo bem conservado. Estavamos com 1h33 de prova. Encontráva-me em 21º Lugar, mercê do forte ritmo imposto neste início de prova (5’30’’/km).

A caminho das Antenas

Aqui teve início a longa e progressiva ascenção para o PAC3 nas Antenas. Ao fim de 2 horas de prova, resolvemos desligar o frontal pois o dia já começava a clarear e, de qualquer forma, no meio de todo aquele nevoeiro a luz do dito espalhava-se muito difusa , tornando o ar opaco. Por enquanto ainda fazíamos as subidas todas a correr, no entanto quando chegámos à última subida, perdemos todas as veleidades de o fazer pela sua brutal inclinação. Com esforço, lá conseguimos chegar ao PAC3, aos 30 kms, no ponto mais alto do percurso (cerca de 1000m), com 3h15 de prova e ainda em 21º lugar.

Eu sabia bem que, para as minhas capacidades, este ritmo era demasiado violento para uma prova 100 km, mas com o entusiasmo do início e a alegre companhia (o Luís contava estórias e episódios picarescos que muito nos divertiam) os kms foram passando rapidamente. 
Foi neste ponto que perdi o Luís. Segui atrás do Cláudio e começámos a descer para a Barragem da Apartadura, onde chegámos uma hora depois (aos 39,5 kms).

Barragem da Apartadura - Foto de Macedo

Daqui seguimos para a o PAC5 em Porto Espada onde chegámos, juntamente com o Vasco Marques, com 5h21 e 48 kms nas pernas. Mantinha-me em 20º lugar. O tempo continuava húmido e fresco, com chuva ocasional, mas nunca necessitei de recorrer ao corta-vento que trazia na mochila para qualquer eventualidade.


Bruma - Foto de João Faustino

A esta altura já sentia as pernas bem pesadas e interrogava-me como iria estar quando chegasse a Marvão, o ponto fulcral da nossa aventura. O tempo foi limpando à medida que nos aproximávamos de Marvão e pudemos apreciar o magnífico cenário, luxuriantemente arborizado, que se desenrolava diante de nossos olhos. Castanheiros, carvalhos, vinhas e olivais espalhavam-se pela paisagem.
Às 10h da manhã atravessámos o Rio Sever e pouco depois do km 55 encontrámos o Jorge Serrazina e o João Faustino. Duas semanas antes o Jorge tinha sido 9º nos 108 kms do OMD e na semana anterior o João tinha sido 2º nos 101 kms de Ronda. Atletas incansáveis estes, para quem provas de 100 kms são apenas aquecimentos para as grandes aventuras de 330 kms na montanha.

Subida para Marvão

 Contornámos a serra e iniciámos a tortuosa subida para o Castelo, que se divisava alcandorado no alto do maciço rochoso. Quando já julgávamos estar perto das muralhas e de um brave mas merecido repouso, eis que somos obrigados a inflectir para a direita e iniciar uma descida que me levou a questionar-me se não teria falhado alguma marcação, não fosse esta já a saída de Marvão. Mas não, o caminho era mesmo aquele. Desventurados de nós que tivémos então que iniciar uma nova subida, muito mais inclinada, a exigir tracção integral e muito fôlego.

Subida para Marvão - Foto de João Faustino

 Ao fim de um tempo interminável, entrei na porta do Castelo, onde nos esperava o João Carlos Correia do ACP (este homem, para além de incansável tem o dom da ubiquidade pois estava em todo o lado numa preocupação constante que tudo estivesse bem com os atletas). 

Às 11h05 (7h05 de prova) cheguei ao tão almejado PAC6, onde me reestabeleci com uma sopa quente, bananas, muitos gomos de laranja, coca-cola, etc. Os abastecimentos foram sempre excelentes, mas foi sobretudo a partir deste ponto que eu comecei a comer como um alarve, dado o dispêndio energético que já tinha sido feito para completar estes 60 kms iniciais. Curiosamente neste momento estava com um tempo e quilometragem idênticos aos que tinha feito no Oh Meu Deus, duas semanas antes (onde participei na prova de distância intermédia).

Vila Medieval de Marvão - Foto de autor não identificado

Neste ponto tinha ganho alguns lugares e estava agora em 14º. Dispensei a troca de roupa e saí das muralhas em direcção a Carreiras. A descida até Portagem foi bastante penosa pois foi feita por um estradão de empedrado irregular que, a cada impacto, me dava a sensação de  facas a espetarem-se nos meus pobres e muito massacrados pezinhos.

Calçada Medieval - Foto de João Faustino

 Quando cheguei cá abaixo e passei a ponte sobre o Rio Sever deparei-me com dois companheiros perdidos, o Francisco Costa e o Rúben Pedro. Ao que parece as marcações tinham sido removidas por alguém. Andámos pela povoação desnorteados. Pedimos indicações à GNR, mas ninguém nos sabia orientar, até que passou um ciclista (da organização?) que nos voltou a colocar no rumo certo.

Os dois companheiros distanciaram-se pois eu já não conseguia manter um ritmo muito vivo. Penei até Carreiras, onde se encontrava o PAC7, aos 70 kms. Continuava em 15º mas tinha já 8h15 de prova e perguntava-me quando daria um estoiro monumental. Felizmente a minha mulher e filhos, juntamente com a mulher e filha do Luís Ricardo, encontravam-se neste posto para me receber e animar. O meu filho fez-me uma exuberante “guarda dehonra” até ao abastecimento, que muito me animou. Confessei à minha mulher que já estava todo partido mas ela replicou que os que tinham passado antes não iam melhor.

Helena e Rita

Engoli um cubo demarmelada, hidratei-me e decidi que não era necessário reabastecer de água a mochila. Parti em direcção a Castelo de Vide. Subi uma calçada medieval com cerca de 3 kms. Na realidade o PAC8 não estava situado em Castelo de Vide mas sim no alto da Senhora da Penha, portanto quando comecei a ver Castelo de Vide do outro lado da encosta onde me encontrava, imaginei desconsoladamente que ainda teria que descer e subir para lá chegar. Mas não, aos 77 kms, com 9h20 de caminho, cheguei ao PAC8 onde reencontrei a minha família.

Alimentei-me e fui informado que o próximo PAC se encontrava a 14 kms. Na realidade este penúltimo troço teve cerca de 16 kms, o que, psicológicamente, foi algo difícil de gerir, pela distância inesperada, pois os abastecimentos são sentidos como uma espécie de oásis onde nos abrigamos da inclemência do caminho. Nesta altura da corrida estava tão massacrado que já ansiava pelas subidas, pois eram ocasiões em que me podia dar ao luxo de caminhar em lugar de correr, dado estar certo que neste ponto do campeonato todos os outros atletas faríam o mesmo. Nesta altura fui ultrapassado pelo Guilherme Hora, que estava a fazer uma corrida muito inteligente, detrás para a frente (nestas provas longas a estratégia é essencial para gerir inteligentemente o esforço).


PAC9 - Foto de Daniel Casado

Ao 93º km lá cheguei finalmente ao PAC9 no Convento da Provença, com 11h27 de prova. Os atletas que lá estavam pareciam completamente demolidos, átomo por átomo. O camarada que seguia em 6º lugar tinha acabado por desistir neste ponto. Eu tinha agora 13 companheiros à minha frente. Mais uma vez a minha família se encontrava lá, indefectível à minha espera. Retrospectivamente, estou certo que a sua presença neste três últimos PACs foi essencial para que eu não esmorecesse.

Família - Foto de Daniel Casado

Daqui para a frente os restantes 12 kms foram integralmente geridos com o coração porque as pernas gritavam permanentemente por misericórdia, que tivesse dó e parasse. Os ultimos 5 kms foram já feitos com Portalegre à vista, o que constituiu uma espécie de tormento de Tântalo, ver ali a meta tão perto e ainda não lhe conseguir chegar...

Estádio - Foto de João Faustino

Por fim, entrei no estádio, ao som da música dos Queen: “We are the champions my friend... ”

Uma última volta final à pista e eis que cruzo a meta, fisicamente completamente destroçado mas com uma enorme satisfação anímica. As longas hora de treino, e o cumprimento dos planos que o Eduardo Santos me vai elaborando regularmente, têm dado frutos.

Fui 11º da classificação geral e 4º do meu escalão M40, com 105 kms percorridos e 3400m D+ (desnível positivo) em 13h03.


 Há quem diga que a dor é temporária mas a glória é para sempre. Respondo eu que qualquer um que corra durante 13 horas seguidas confirmará que esse “temporário” assemelha-se muito a uma infinita eternidade.


Família no Pódio - Foto de Helena Bárrios
 
O vencedor da prova foi o Luís Mota, com o extraordinário tempo de 10h39!

Cumprimentei o Guilherme Hora e o Cláudio Quelhas, que já tinham chegado, e esperei pela minha família que chegou pouco depois. Fui para a massagem relaxante, tomei um banho que me soube maravilhas e alimentei-me.

Depois do Luís chegar (muitos parabéns para ele, que completou galhardamente a sua primeira ultra de 100K!) ainda fomos jantar o excelente repasto que a organização nos tinha preparado. Souberam-me especialmente bem as 3 imperiais geladas que ingeri. Depois voltámos para casa do Luís e para o descanso dos guerreiros.

O Alentejo tem fama de ser plano mas a região de Portalegre não o é seguramente! Esta foi uma prova bem difícil, pelas subidas e descidas acentuadas e pela dureza do piso. Mas é assim mesmo que se querem as provas de trail e esta merece indubitavelmente os 3 pontos que lhe foram atribuídos. Para além disso, a beleza da paisagem é inexcedível e a organização esteve impecável. A longa e meticulosa preparação, empreendida pelo Atletismo Clube de Portalegre, concretizou-se num evento sem falhas. São de destacar a quantidade e qualidade da informação que foi sendo colocada na site da organização ao longo dos meses que antecederam a prova, os vários treinos prévios que cobriram todo o percurso, a abundância dos abastecimentos e a simpatia dos voluntários nos PACs, etc, etc.

No domingo ainda aproveitámos a hospitalidade da família Ricardo para efectuarmos um belíssimo passeio a Marvão, Portagem e Castelo de Vide, com roteiro gastronómico pelo meio.


Peço que me desculpem a extensão enfadonha desta crónica mas como diz  Saramago:

“Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais.”
- José Saramago, Levantado do Chão

quarta-feira, 23 de maio de 2012

7ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro


Decorreu no passado Domingo, 20 de Maio de 2012, a 7ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro.
O percurso, com 21.097,5 metros de extensão, teve o seu início na barragem de Bagaúste em direcção ao Pinhão. Pouco após Folgosa do Douro, por volta do Km 7, deu-se a inversão de sentido voltando-se para a Régua, onde atravessamos a vila de uma ponta a outra, mas sempre com o Rio Douro ao pé de nós.


Após uns 14 Kms praticamente planos e solarengos, com uma temperatura a ameaçar tornar a corrida difícil, começamos a descer em direcção à Régua. A temperatura baixou e até choveu uns aguaceiros que serviu para um refresco bem merecido. O último Km foi um pouco mais duro, novamente com Sol e a subir. Mas ficou a sensação que esta é uma corrida para bater recordes, pela fase bastante rápida no final, assim ajude o tempo e a organização.


A nossa equipa fez-se representar por 3 atletas: Ana Grosnik, Gonçalo Melo e Eu (Paulo Raposo). A Ana terminou com 1:40:00, o João com 1:42:16 e eu com 1:57:02. Assim se vê a força que as mulheres têm!!!!


Auto intitulada “A mais bela corrida do mundo” faz jus ao seu nome. Desde a beleza natural do Rio Douro e dos seus socalcos, até à ponte pedonal que atravessamos para aceder à Vila da Régua, tudo foi belo. Até a ponte da A24 estava linda neste dia. Deu tempo para conversar durante a corrida e perceber com os outros corredores que esta ponte pedonal, feita com piso de madeira e em estrutura de metal, foi originalmente pensada para o tráfego ferroviário mas abandonada por mudanças na orientação na política de transportes.


Quanto à organização, não houve falta de água nos abastecimentos o que foi uma grande melhoria em relação à 5ª edição, de 2010, em que 6 pessoas foram hospitalizadas. Os abastecimentos foram feitos de 5 em 5 Kms, sensivelmente, mas o melhor foi que antes do início da partida também tivemos acesso a água. A partida estava marcada para as 10:30 mas por motivos logísticos (A CP não dava vazão à quantidade de atletas? Começassem mais cedo o transporte!) teve de ser adiada para as 11:00.


Quando levantámos os dorsais disseram de imediato que nos iam oferecer uma garrafa de vinho tinto a todos os que terminariam a prova. Cumpriram, e ainda bem que não ofereceram também um saca rolhas, porque com a sede que uma corrida destas dá, não haveriam condições para conduzir até Lisboa. Além da dita garrafa ainda ofereceram uma t-shirt técnica e uma medalha. E também havia um diploma que me esqueci de ir pedir pois estava num local diferente do da entrega dos prémios.


Conclusão: provavelmente ”A mais bela corrida do mundo”, a repetir e para bater recordes.
Runabraços

terça-feira, 22 de maio de 2012


ESTRANHA FORMA DE VIDA

Estranha forma de vida!
Depois de horas de subidas e descidas, de chuva ou calor, encontrar alguém e com um sorriso aberto perguntar: então como é que isso vai companheiro?
Chegar ao abastecimento há muito aguardado e olhar para a mesa com laranjas, banana e marmelada e ficar encantado com o olhar de uma criança!
Cruzar a meta e apesar de todas as mazelas sentir-se inundado de uma estranha felicidade.
E pensar, onde é a próxima?

Geira Romana - 20/05/12

 IV Ultra Trail Geira / Via Nova Romana


A Geira Romana é a estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Leão) e que foi construída no século I. Hoje ainda existem muitos troços dessa estrada em bom estado assim como algumas pontes.
Para marcar as distâncias os romanos usavam marcos a que chamavam miliários, uma vez que assinalavam milhas. Este trail percorre o troço entre os miliários XII e XXXVIII.
 
 


A partida foi dada em Banõs, Lóbios que é uma pequena povoação a aproximadamente 7 km da fronteira com Portugal (Portela do Homem) e a chegada é em Caldelas. São duas localidades com termas.

 


Os Run 4 Fun (Luísa, João, Maria, Rui, Guida, Teodoro, Elsa, Jorge, Zé Carlos e Gerardo) encontraram-se em Amares no sábado e almoçaram no restaurante “Milho Rei” (a Luísa e o Miguel San-Payo encontraram-se connosco mais tarde). Depois de uma boa refeição fomos visitar o Convento de Tibães que fica ali perto.

Trata-se de um monumento do século XI que foi da congregação Beneditina durante séculos. Tivemos uma visita guiada e foi possível conhecer para além do convento, os usos e costumes dos monges beneditinos.

 Ficheiro:Tibaes.jpg


No final da visita fomos brindados com um lanche e ainda ouvimos uma oração cantada por freiras carmelitas que agora ocupam uma ala do mosteiro. Foi sem dúvida uma tarde interessante.



Ao final da tarde fomos para Caldelas, onde nos encontrámos com o Miguel e assistimos ao briefing das provas do dia seguinte.



Depois o grupo separou-se: parte foi dormir em Bãnos junto á partida e os outros pernoitaram em Caldelas.
Quem ficou em Caldelas acordou bem cedo pois às 6h00 partiram os autocarros que levaram os corredores da ultra para a partida. As partidas para a corrida e caminhada foram mais tarde.
Antes da partida ainda ouvimos o discurso de saudação dos participantes que foi dado por um membro da organização. Os trajes são romanos e claro que as últimas palavras foram “Ave César”!
No gráfico seguinte está indicada a altimetria da prova e como se pode ver o primeiro troço até perto do km 8 é a subir, mas depois é praticamente sempre a descer.
Não existem muitas zonas técnicas e consegue-se ter um bom ritmo. De todos os trail que já fiz, este é sem dúvida o que tem o percurso mais fácil, o que aliás se pode constatar nos tempos obtidos de todos os participantes.


 

O percurso estava bem sinalizado e teve 8 abastecimentos; como esteve frio mas principalmente muita chuva teria sido bom ter uma bebida quente para aquecer.


Terá chovido durante quase metade do tempo da prova, o que significa correr durante 3 horas sempre com chuva e a temperatura também esteve baixa.
Também como é costume nestas provas atravessámos alguns riachos e poças e acabámos o trail com bastante água, uma vez que os últimos 200 metros são dentro do rio que atravessa Caldelas.


Importa salientar que todos os corredores tinham um sistema de controlo electrónico que permitia á organização acompanhar a prova e ter uma ideia da sua localização, o que seria muito útil se alguém se tivesse perdido.


Para além da prova maior existia uma de menor distãncia (15 km) e uma caminhada. Existe portanto uma oferta diversificada para todos os gostos!


Enquanto decorria a ultra o grupo que já tinha terminado a sua prova foi almoçar e depois foi esperar os corredores que iam chegando.



No final do dia parte do grupo regressou a Lisboa e os outros ainda ficaram para o dia seguinte.

Foi mais um fim-de-semana Run 4 Fun! Convívio, corridas, paisagens deslumbrantes, boa gastronomia, e acima de tudo viver este espírito que nos caracteriza!

Até á próxima!

Maratona Copenhaga 20.05.2012



Com 14.000 participantes a maratona de Copenhaga apresenta como grande vantagem o facto de não colocar qualquer restrição ao número de participantes, i.e. é possível chegar na véspera, pagar a inscrição e levantar um dorsal. Foi assim que fiz. Tinha baterias apontadas para Edimburgo (27.05.2012), mas as inscrições tinham fechado há algumas semanas.

Na véspera do dia da maratona, sábado, esteve um dia fantástico para correr. Tempo fresco e nublado com máxima de 14ºC, uma brisa fria de norte, e alguma (pouca) chuva.

No dia seguinte nada disso aconteceu. O dia acordou claro, o sol estava forte, não havia pinga de vento e a temperatura subiu aos 25ºC. Nem parecia que estávamos na Dinamarca.

Depois do acidente do passado mês de Março em que fracturei o osso rádio nos dois antebraços, não consegui recuperar a forma com que estava para a Maratona de Barcelona onde queria ter participado, não fosse o malogrado acontecimento.

Mesmo assim sentia um apelo enorme em participar na grande festa que é correr uma maratona com a dimensão da de Copenhaga. Via o Verão a chegar, a época a acabar e esse desejo a gorar-se.

Mesmo sem estar em forma decidi avançar. Marquei voos e hotel e reservei uma horita do sábado 19.05.2012 para ir à Feira da Maratona inscrever-me e pagar a propina (90€).

Tinha-vos dito em ‘post’ anterior no FB que seria provável ficar-me pela meia-maratona. Sabia perfeitamente da minha impreparação, que provavelmente não aguentaria correr os 42K, mas havia uma frase dita por um colega nosso espanhol (atleta ocasional de maratonas) que faz parte dos meus conhecimentos profissionais que dizia mais ou menos isto “Medias son para los piés”.

Dito isto, chegámos às 09:30 do dia D. A essa hora já estava calor e antevia-se um domingo de muito sofrimento. Estava determinado a fazer os 42K, mesmo sabendo que só dificilmente os faria sempre a correr.

Cheguei à partida e lá estavam milhares como eu, ansiosos pelo tiro da partida.



Juntei-me aos pacemakers das 4:00. Decisão ambiciosa dada a minha condição. Havia mais de 2.000 corredores agrupados junto aos pacemakers das 4:00. Era o maior grupo (para terem uma ideia a maratona do Porto toda são 1.500 participantes). Só pacemakers com balão das 4:00 eram para aí uma dúzia e colocavam-se no princípio e no fim do grupo (ninguém escapava às palavras de incentivo dos pacemakers).

Havia pacemakers de 10 em 10 minutos desde as 3:30 até às 4:30. Ou seja, atrás do grupo das 4:00 ainda havia o grupo das 4:10 e depois o das 4:20 e depois o das 4:30…..

O grupo das 4:00 partiu rápido com os primeiros 5km a serem corridos ligeiramente acima de 5’30’’ (5’32’’ marcava o meu GPS). Cedo percebi que não aguentaria o grupo das 4:00 e quando passei os 18K decidi abrandar para ritmos mais lentos. Corria a 5’45’’ por essa altura e comecei a ver os balões das 4:00 a afastarem-se.

Aos 30K o calor trouxe ao de cima a minha impreparação e entrei em run/walk. Caminhava 3min e corria 4min para fazer aproximadamente 1km a cada 7min.

Logo depois passou por mim o balão das 4:10 e eu nem esbocei qualquer tentativa de os acompanhar. Faltavam-me claramente pernas. Estava bem do ponto de vista cardio-respiratório, mas as pernas pesavam chumbo.

Ao longo do percurso o calor fazia imensos estragos nos escandinavos. Caiam que nem tordos e só espero que não tenha havido problemas graves. Por todo o lado ouviam-se ambulâncias em auxílio dos que não aguentavam aquelas temperaturas.

Ao 38K vejo aproximar-se o grupo das 4:20 e pensei que seria a minha oportunidade para seguir até à meta. Acompanhei o grupo mais 1,5k e depois abrandei ligeiramente. Nos últimos 700/800m ainda tentei sprintar para os apanhar, mas nada. Cheguei com 4:22.

Incrível apoio popular. As ruas estavam cheias de pessoas a incentivar todos os corredores, mesmo os mais atrasados. No último km o apoio era tanto que corríamos num estreito carreiro que não devia ter mais que 3m de largura ladeados por milhares de pessoas que gritavam palavras de incentivo. Arrepiante! Estava de rastos mas o último km fi-lo em 5’20’’ (o mais rápido de toda a prova).

Grande participação feminina e de grande qualidade ;-). Relativamente poucos corredores do sul da Europa. Alguns italianos, quase nenhuns espanhóis e, que eu tivesse visto, nenhum português. Muitos suecos, bastantes alemães, os ingleses marcaram presença assim como os noruegueses.

Uma grande maratona numa cidade fantástica que merece um fim-de-semana de passeio.

Um dia de festa inesquecível e muito, muito FUN nesta corrida. Acabei por sofrer pouco porque não tive 'cabedal' para mais.

Uma última dica: tal como alguns de vós eu suo muito durante as provas. Se tiver calor então suo imenso. Com o suor perco muitos sais. Com essa perda de sais acontece um fenómeno chamado hiponatremia. Com a falta de sais o sistema nervoso deixa de conseguir comunicar com as células musculares e daí as dolorosas cãibras. Outra consequência da hiponatremia é a incapacidade de absorver líquidos. Já vos deve ter acontecido beberem muito durante a maratona e ficarem com a barriga cheia de água e continuarem com sede. Isto acontece porque o corpo não consegue absorver mais líquidos que não contenham sais, i.e. que não contribuam para a recuperação do balanço electrolítico. Uma das formas de resolver isto é ingerir sal durante a prova e há quem o faça. Outra é tomar um comprimido de potássio e outro de magnésio todos os dias na última semana antes da prova. Na maratona do Porto até cãibras nos braços eu tive. Nesta faltaram-me as forças para correr, mas cãibras nem as vi. O potássio e o magnésio foram comprados numa vulgar loja de produtos dietéticos.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

6 provas num fim de semana
























Este fim de semana estivemos em 6 provas

UTSM - Ultra Trail Serra S. Mamede: Carlos Pereira dos Santos (Caló) e Luís Matos Ferreira

Ultra Trail da Geira Romana: João Ralha, José Carlos Melo, Jorge Esteves, Luísa Ralha, Miguel San-Payo, Teodoro Trindade
15 km Geira Romana - Gerardo Atienza, Rui Ralha
Caminhada Geira Romana -  Elsa Mota, Maria Antunes

Maratona de Copenhaga - Luís Correia, depois de recuperado da quebra dos dois rádios. Brilhante!!!!|

Meia Maratona do Douro Vinhateiro: Gonçalo Melo, Paulo Raposo (e Ana Grosnik?)

Bucelas, Capital do Arinto - Manuel Romano, Orlando Ferreira, Hilário Torres, José Magalhães, Jorge Duarte Pinheiro e Serafim Desidério

IV Corrida Rugby Direito - Ana Lúcia do Vale, Dinis Melro, Eduardo Correia, Filipe Côrte-Real, Francisco Sanches Osório e Sandra Correia.

Um fim de semana em grande actividade, com um grande número de opções. Por este caminho, qualquer dia teremos tantas opções que será difícil escolher  :)

Runabraços

PS

Para além destas provas, ainda tivemos uma concorrida edição do treino dos Elevadores


IV Corrida Rugby Direito

IV Corrida Rugby Direito – Monsanto 20/Maio/2012 Com o S. Pedro a ajudar com uma “refrescada” inicial (à brasileira), a corrida correu bem, sempre com o FUN em primeiro lugar. Estiveram presentes, Francisco Osório, Sandra e Eduardo Correia, Ana Lúcia Do Vale, Dinis Melro e Filipe Côrte-Real. Nunca tinha feito esta prova, mas quando a companhia é excelente nem se dá pelas subidas e descidas que são imensas….. Boa semana e runabraços.