segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sicó. Afinal isto tem mais de "tropa" que eu pensava!

Fui ao jantar de Natal do R4F. Apresentações brilhantes. Uma em particular deixa-me curioso. O Teodoro e o Jorge dizem: se quiserem experimentar os trails, comecem por um fácil, "como o de Sicó"!

Inscrição feita. Boleias combinadas, tudo impecável, grande companheirismo no carro (Paulo Jorge, Nuno Tempera, César e Miguel Serradas), tudo organizado á chegada, Zé Carlos (esse Deus na Terra) com os sacos e os dorsais. Alinhar à partida com a Luísa e o João Ralha, a Anne e a Claire, o Paulo Jorge e o César.

(O Teodoro e o Jorge, meus gurus do trail afinal tinham tido outras opções de distância ou de prova...confesso que senti um pouco aquela sensação do "então, afinal...", mas pronto, eles já estão noutro patamar e eu só tenho de seguir as indicações de quem já passou por muito)

Tiro de partida e aí vamos. ao princípio tudo simples, mais subidita, menos descidita, sempre a correr até aos primeiros 15 ou coisa que o valha (não tenho aqui o Garmin e por isso não vou ser muito preciso nisto). Vou sózinho dos R4F, por a maioria vai mais à frente e já não os vejo...

Até que, começa tudo a andar numa subida "a pique" com uns degraus de pedra de 1/2 metro de altura (pelo menos pareciam) e tenho o 1º contacto de muito quilómetro parecido com o que havia para vir.

E aí penso para mim; "olha, isto afinal não é sempre a correr" ; mal eu sabia que haveria afinal de andar muito mais que correr a partir daí.

Mais ou menos a meio da prova, num alto de serra com umas eólicas para o qual se tinha subido a arfar numa inclinação grande em comprimento e declive, reencontro o César e o Paulo Jorge. Alegria das alegrias, porque isto de andar sozinho faz-nos perder a noção de como estamos a portar-nos.

O César passado pouco tempo começou a sentir os efeitos de um joelho direito sobre-exercitado e passámos a reduzir a passada e depois a andar mais que correr (por vários motivos, que não só o tal joelho...) O César bem dizia para irmos, mas acho que nunca ser solidário me custou tão pouco :)

Os locais magníficos para um paisagista com eu passear sucediam-se: galerias rípicolas (vegetação de linha de água), matos calcários, encostas sombrias e ensolaradas com vegetação diferente, antigos campos agrícolas abandonados, outros lindos ainda cultivados, socalcos e acessos, grutas e escarpas, a serra de Sicó bem merece esta visita!

Um ponto alto da prova passaram assim a ser os abastecimentos; sem história os primeiros, os de meio para cima eram miragens de água no deserto. Desde as melhores laranjas que já comi (e eram nacionais), até ao mel com queijo rabaçal, às imperiais, tudo era excelente, bem organizado e com grande simpatia. Por mim, ainda hoje lá estaria...

A cerca de 7 kms do fim, um fotógrafo de laranja numa curva! O infatigável Zé Carlos, que já tinha feito 21 kms de prova e mais quase outros tantos a andar para cima e para baixo a "rebocar" os que faltavam. Fizemos estes últimos quilómetros os 4, o César com o pé direito a 90 graus para diminuir as dores no joelho, mas lá chegámos. Mas antes da meta, a injustiça das injustiças, o Zé Carlos caiu e ficou dorido numa anca (pelo menos pareceu-me que seriam aí as dores maiores); como foi junto ao fim, apareceu logo gente "nossa" e de outros e seguimos para cortar a meta, ao fim de quase 5h e 30!

Foi muito diferente do que eu imaginava; pensava que trails eram provas de corrida no mato, tipo treinos em Monsanto! Chiça, são muito mais "à tropa" (até no "espírito de corpo"). Penso se não terei sido muito ingenuo em inscrever-me nas 3 provas "recomendadas" pelo team Jorge/Teodoro: Sicó (ok, já está), Almourol e Geira... A ver vamos!!!

Como de costume, um enorme obrigado a todos os R4F, parabéns à organização e a todos os que participam nestas coisas das corridas e que fazem das tripas coração para se superarem fisica e psicologicamente. Todos são grande exemplos e ajudam-nos a tentar também ser como eles!


12 comentários:

João Ralha disse...

Belo relato, Jorge.

A prova foi um pouco mais difícil que a do ano passado pois teve mais 8 km e umas dificuldades adicionais, como a subida, a direito e muito inclinada, para as tores eólicas, perto dos 20 km.

Comparativamente a Almourol, será um nível de dificuldade semelhante e quanto à Geira, não sei, pois também me vou estrear.

Parabéns pela tua brilhante prestação, num "trail" de dificuldade elevada.

Runabraço

Luis Correia disse...

Excelente texto Jorge. Literário mesmo. As palavras vão fruindo docemente à medida que vamos passando por elas. A leitura dá rapidamente lugar à imaginação. Não participei mas estive lá com o teu relato.

Jorge Duarte Pinheiro disse...

Bem escrito e percorrido, Jorge Cancela. Suponho que a "recruta" se encontra superada.
Runabraço

Nuno Tempera disse...

Parabens, magnifica prova.

Cesar Moreira disse...

Gostaria de deixar aqui expresso a minha gratidão ao Jorge Cancela, Jorge Paulo que tiveram uma atitude muito bonita de prescindirem da sua corrida para me acompanhar... o meu muito obrigado, gostei imenso pois permitiu irmos apreciando a paisagem e falando durante o resto da prova, sempre munidos de companheirismo e boa disposição.

Aos restantes R4F que estiveram presentes em Sicó, o meu muito obrigado porque estiveram á nossa espera até ao fim, sempre prontos a apoiar e no fim ver o vosso sorriso e incentivo na Meta foi como um pain killer para o meu joelho...

Pertencer a esta familia tem sido um orgulho que não consigo exprimir por palavras, mas todos os dias parendo muito com vocês.

Ao José Carlos que grande ser Humano, foi buscar-nos, puxou sempre e quando caiu senti uma vontade enorme de pegar naquele homem e leva-lo a meta... Se ele não tivesse preferido ficar junto ao pavilhão, acho que tinha merecido que o levassemos aos ombros ate á meta, mesmo que fosse para a cortar pela decima vez...

A todos muito Obrigado,

Cesar

Nuno Sentieiro Marques disse...

Obrigado pela partilha Jorge.

Excelente relato.

Fantásticos comentários que praticamente abordaram tudo o que havia a abordar.

Pelos vistos, os estreantes, conseguiram desfrutar muito mais que eu desfrutei na minha estreia.

Realmente estrada e trilhos são coisas completamente diferentes e só nos apercebemos realmente das Grandes diferenças quando temos a possibilidade e prazer de "correr" um trilho.

Este ano voltarei ao do Almonda...mas reconheço que ainda me sinto muito "desconfortável" quando penso em trilhos... principalmente quando vejo a cicatriz na clavicula esquerda :).

Parabéns a todos pela Runtástica prestação e um grande bem-haja ao Zé Carlos, pelo que é e pelo que consegue transmitir.

Runabraços

Miguel San-Payo disse...

caro Jorge,

Parabéns e benvindo aos trilhos. Almourol e a Geira esperam-nos.

Miguel San-Payo disse...

caro Jorge,

Parabéns e benvindo aos trilhos. Almourol e a Geira esperam-nos.

Jorge Esteves disse...

Parabéns Jorge e a todos os participantes no Trail.

A tua recruta não foi a mais fácil;fizeste a prova de avaliação no dia da incorporação!

Talvez pudesses ter começado pelos 21 km de Sicó, mas assim tens a vantagem de já não teres muitas surpresas!

Se não tivesse ido a Sevilha na semana passada tinha-vos feito companhia, mas irei a Almourol, Geira e talvez Freita.

Runabraços

Carlos Melo disse...

Parabéns Jorge Cancela!

Comparado com as corridas de estrada, o Trail Running é uma atividade mais vocacionada para um trabalho misto entre o esforço individual e o trabalho coletivo em equipa.

Sim, faz lembrar alguns treinos militares. Os Trilhos do Almourol ainda fazem recordar mais os treinos militares, como poderás constatar.

RunAbraço.

Jorge Paulo disse...

Belo texto Jorge Cancela, Foi um prazer partilhar contigo os últimos 20 Km por terras de Sicó, juntamente com o César Moreira apreciámos momentos de rara beleza.

Runabraços

Teodoro Trindade disse...

Caro Jorge.

Muito obrigado pelo excelente relato o qual (mais uma vez) me fez lamentar o facto de não ter podido acompanhar-vos.

Quero antes de mais saudar a vossa coragem, uma vez que seleccionar para a estreia uma "big one", neste caso um trilho de 38 km, sem dúvida que não é para todos. Este tipo de desafios que envolvem esforços muito prolongados é determinante não só uma sólida preparação fisica como também mental, tal como tem de possuir um maratonista.

Uma das características que distingue as provas de trilhos das provas em circuito urbano, é a de não deixar ninguém indiferente. Ou se ama ou se odeia e eu espero que (apesar de tudo) tenham ficado do lado do amor. Isto porque o próximo desafio: os “Trilhos do Almourol” (uma bonita maratona de montanha), é já no próximo mês e eu vou lá estar.
RunAbraço